https://youtu.be/QLCDymoJD_0
Há tempos em que comentar isto ou aquilo, seja de cariz social, económico e político, é assunto que me aborrece por excesso de haver quem já o faça, putativamente, com outros conhecimentos que não os meus.
Ainda assim, o meu dever de cidadã, neste dia soalheiro e propenso à preguiça quer física quer intelectual, impõe-se e há que lhe dar alguma satisfação. Até porque a Grécia neste dia faz História!
Adiante.
O nosso Primeiro Ministro (PM) é duma simplicidade bacoca – com todo o respeito. Assume publicamente uma pedagogia financeira caseira do género: deve, paga! Como se o problema financeiro de quase bancarrota que assola a Grécia fosse uma questão linear do deve/haver.
Era fácil assim, não era? Mas não! E mesmo que ousando aqui tecer considerandos que não domino de todo nem em particular – nunca fui amante de números - , e que os mesmos considerandos escapem à minha compreensão económico financeira de, digamos, uma razoável contabilista dona de casa, dizia, no caso da Grécia não se trata unicamente duma operação de subtrair, deves, pagas.
Afinal como afirma o nosso PM, se eu devo, pago, também a Grécia deve, paga. Este o horizonte mediano e limitado que induz o PM a tal linguagem simplista. Por certo, tendo em conta, como sabemos que sim, que o povo português é asinino q. b. e lhe basta este raciocínio pacóvio – também com todo o respeito.
Este caso, essencialmente mais dramático que financeiro, é consequência de uma, ou várias intrincadas equações em que os fatores são os mais variados e complexos… e duvidosos geradores dum resultado implicativo na quase bancarrota do país. Onde teve origem a democracia e uma das mais antigas e prestigiadas civilizações ocidentais.
A dignidade e a hegemonia dum povo em pouco é considerada pelo nosso PM.
No entanto, o povo português, ou uma parte significativa, está aberto a outras narrativas económico financeiras (bonito, não é?), ou seja, a outros raciocínios ainda que incompreensíveis ao cidadão comum, que possam despedaçar a linguagem simplista do PM.
E se o nosso PM fechasse a boca, com todo o respeito? Como dizia minha avó, ou sai asneira ou entra mosca. (Aliás o PM não está sozinho neste conceito…, valham-nos os deuses… gregos!).
Apraz-me acrescentar que há poucas horas, o povo soberano, democraticamente falando, claro, acabou de referendar NÃO às políticas de extrema austeridade ditadas pelos mandantes duma arrogante e desumana Europa.
A esperança duma nova Europa acena do Olimpo. Talvez assim queiram os deuses…
Bernardete Costa