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Terça-feira, 20 de Setembro de 2016

POISO DE ÁRVORE

 

aves.jpg

 

Sinto o absurdo do silêncio quando um pássaro voa no infinito do azul.

Por vezes quero ser infinito e ser poiso de pássaro.

Ser silêncio de voo
escondendo palavras no vão duma escada.
Só mais tarde solto as asas
e aprendo quanta alegria há em certas palavras.

Depois dos silêncios, depois do infinito,
depois de ser poiso de pássaro
recolho do vão da escada todas as palavras
que entretanto aprendi a amar.


Apenas receio que as palavras se aborreçam
porque há quem as não saiba usar.

Usam-se palavras como se fossem vento ou pássaro sem asas.

Que vão sem destino sem saber onde pousar.

Bernardete Costa

publicado por Bernardete Costa às 15:40

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