https://youtu.be/QLCDymoJD_0
Na dança dos destinos
Por vezes colhe-se o fascínio das estrelas
e olha-se as mãos vazias.
Tanto deslumbramento pela incógnita dos astros,
por cometas na dança dos destinos, pelo véu
das nublosas salpicando noites formosas, pelo musical
de anjos a embalar meninos…
Olho as mãos vazias e recordo as cigarras da infância.
No descuido das manhãs frias o livro de fábulas
era a canção que prometia a alegria; logo
um diáfano manto de histórias e sol
me servia de colchão.
Receio ter descoberto que fui mal ouvida e mal tida:
enquanto formiga meu coração nos versos chora,
enquanto cigarra a canção se dissipa
com o susto dos dias.
Continuo de mãos vazias.
Porém há um relógio a bater em clave de sol
anunciando cânticos escondidos nas folhas ou na casa
porque as sombras esvoaçam como asas…
No entanto, e ainda de mãos vazias,
só agora entendi a mulher que sou:
cigarra ou formiga, livro ou história ou até poema de amor.
Mas sempre de mãos vazias…
Bernardete Costa