https://youtu.be/QLCDymoJD_0
MEU HOMEM D'OIRO
Meu homem d’oiro amante do meu poema
das quatro estações do meu corpo…
somente a tua voz rima sobre as águas e ecoa
no limbo dum tempo que não nos pertenceu;
meu homem sol ofuscando o crepúsculo no horizonte,
a névoa do rio retendo a tua imagem
arquitectando o teu olhar, no verde difuso do mar.
Pedes-me que pronuncie o amor que lanço à terra,
ao mar, ao rio, às aves, à montanha,
ao pólen da flor…, mas eu sei que as palavras
são flores de espuma nas mãos frágeis
dos amantes feiticeiros…
Meu homem d’oiro, meu sol, minha lua, meu barco
de estrelas no azul do sul, apenas tu descobrirás
o segredo em minha alma trancado e libertarás o sufoco
desse grito em meu corpo
há tanto tempo encarcerado.
Ah! se eu soubesse teria projectado uma nave
e pelo rio a faria navegar sem timoneiro,
ao arrepio das águas, à deriva galgando as margens
encontrando-te sem nome e tão perto no incêndio da tarde,
e tu, não terias mareado para além do Cávado…
Serias então o meu amor primeiro?
Como responder, meu amor, se o amor
não tem resposta nem se explica.
Bernardete Costa