https://youtu.be/QLCDymoJD_0
Sou barcelense. (Ainda que nascida em Esposende, facto que pesa muito no meu retorno a esta cidade e a este amor de feitiço que lhe dedico). Durante cerca de 35 anos vivi em Barcelos. Quase sempre na margem direita do rio Cávado.
Com forte nostalgia recordo desses tempos a cromática olorosa das múltiplas flores, tratadas com todo o carinho pelos jardineiros da câmara, que campeavam pelos imensos jardins desta cidade bucólica cuja origem remonta aos tempos medievos.
Desde criança vivi o frenesim colorido e ruidoso das Festas das cruzes, mal Maio despontava no calendário. Criança, adolescente e adulta vivi, senti, e vibrei com esses dias floridos e com os divertimentos inerentes a todas as festas populares.
Depois afastei-me. E Barcelos ficou a morar docemente nas minhas mais encantadas memórias.
A idade passou, com ela outros interesses se instalaram nas minhas preferências de lazer e divertimento.
No entanto, os jardins barcelenses haviam-se gravado em toda a sua pujança nas minhas mais belas recordações. E as Festas das Cruzes de novo assumiram aquele halo mágico da minha juventude.
Neste sábado fui à aventura até Barcelos - o trânsito caótico, as multidões acotovelando-se, os ruídos excessivos que em muito condicionavam a minha rejeição a estas festas como a outras similares, não constituíram obstáculo bastante…; a prevalecer, isso sim, a vontade de reviver tempos inesquecíveis.