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Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2011

FASCÍNIO D' ÁGUA

 

O pescador não adormece sob o feitiço da lua

nem o brilho das estrelas o seduz.

Ouve a voz do rio num desafio e sente-lhe a alma como sua.

Ele confia os braços aos remos;

esquece o prenúncio das gaivotas em terra

e no fascínio ondulante das ondas

rejeita o ancoradouro que  lhe oferece a distinta luz.

 

Só um momento de indecisão entre a vida e a morte

e nos cabelos das ninfas se enreda - origem liquida do ser.

A morte no rio e no mar é uma silhueta recortada na água:

uma medusa, uma nereida num destino qualquer

acolhendo o pescador em seu seio de mulher.

 

 

Bernardete Costa

 

 

publicado por Bernardete Costa às 23:26

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