https://youtu.be/QLCDymoJD_0
há dias de incerteza do nascer
e morrer. fico então sem saber das agulhas da tristeza
apenas sei do voo das gaivotas. como elas
grávida de azul e liberdade. dias de estar comigo
sem outro perigo que este inverno
no travo da boca. como um punhal
cravado fundo no gelo da idade.
Depois dum acordar tumultuoso e dum dia de ontem num continuum ainda mais caótico no que diz respeito ao meu ser e estar, sendo "uma pessoa fantástica que promete coisas fantásticas", não detenho a originalidade da expressão, como já deduziram, este dia de hoje trouxe-me para a tristeza da chuva e logo de seguida para o fulgor do sol; como dizia, na onda fantasmagórica que ainda me ataca, salvo seja, vejo um trump mesmo fantástico, que de tanto dizer que ia fazer não vai fazer o que disse. E valham-me todos os santos e santas do reino dos céus! Com todos os defeitos que lhe reconheço e me provocam asco, a inteligência ainda lhe ocupa uma quota parte de espaço no cérebro. Muito sucintamente:
Apresentou-se grosso e sem papas na língua a um eleitorado sedento de mudança, farto do socialmente correto, um eleitorado que não crê mais nas promessas que nunca são cumprida. Pelo menos, e terá sido o caso mais flagrante o de Obama, as expectativas do povo americano ficaram muito pela rama. É minha opinião.
Tudo muito certinho, palavras muito bonitas…para muita coisa continuar na mesma. No que concerne à política interna a vontade de Obama não conseguiu ir longe, e no que à política externa diz respeito, uma espécie de subserviência aos poderes instalados – apraz-me aqui referir Israel e a sua hegemonia sobre a Palestina…e não só. O povo que elegeu Obama, o mesmo que agora elegeu trump, melhor, o povo ainda mais dilatado, pretende uma América essencialmente virada para si, uma América em primeiro lugar voltada para a sua interioridade, para o seu povo. (Uma América que não desperdice a riqueza produzida com A e B, o mesmo que dizer, uma América egoísta centrada no seu povo). Afinal, um grande paradoxo, porque muitos e muitas que nele votaram elegeram um homem que prometeu tratá-los abaixo de cão. Aqui se vê que o socialmente correto não funcionou mesmo, o que resultou foi mesmo a paródia aliada à crença, “o gajo é um brincalhão, nada será assim mau como promete ahahaha”.
Não batendo palmas a este trump que me cheirou demasiado a m…., toda a sua postura pós eleitoral é indicadora de alguma reflexão, ou seja, o trump candidato pode mesmo ser, senão o oposto, muito diferente do Trump presidente.
E reitero, que nos valham todos os santos e santas dos céus! Amém!
desculpa. impossível o amor, uma tormenta
ao pôr-do-sol, uma rua de vidro
se meus passos nela intenta.
desculpa. a nossa viagem findou sem se ter iniciado.
veio a brisa. amaciou o fogo solar
e não mais se soube que lava irrompeu
do desejo que tudo confunde:
o ensejo de te ter a meu lado, rir no teu riso,
ser eu que em ti se funde.
desculpa. apenas pretendo ternura se tua boca
beija minha boca se teu afago é sal de mar.
desculpa. sei que sorrio se lembro teu olhar.
ainda assim uma lágrima desce-me pelo rosto
e bebo-a como o mais puro mosto,
essa sede que de ti me ficou:
teu rosto no meu rosto minhas mãos nas tuas mãos
meu sorrir na travessura do teu sorrir
…mas nada mais.
desculpa. até o mais belo dos vitrais se estilhaça
e o amor, o amor que não chegou a florir,
somente me deixa faminta da saudade
…dessa saudade que se embaraça
por existir.
bernardete costa