https://youtu.be/QLCDymoJD_0
Apresento, desta vez, a sequência do retrato a óleo que fiz da professora Bernardete Costa num registo fílmico. Possam assim os meus amigos ter uma noção de todo o seu percurso de execução. Não pretendo elevar este meu trabalho a um pedestal mais elevado do que os meus anteriores retratos. No entanto, foi sem dúvida muito especial para mim ter saltado a barreira do formalismo pausado para uma postura simples e espontânea da retratada num ambiente natural, rio, campo..., tentando evidenciar desta forma a escrita poética de Bernardete Costa que se alimenta com amor da natureza envolvente e não só. Paras todos aqueles que estão sempre atentos à publicação dos meus variados trabalhos pictóricos, aqui deixo este vídeo, agradecendo desde já a atenção dispensada.
Pintor Fernando Rosário

Santo António já se acabou... Isto para dizer PARABÉNS a RIBEIRÃO, VILA NOVA DE FAMALICÃO, que ganhou as marchas populares nesta minha terra de adopção.
Eu lá estive como elemento do júri, sob uma chuvinha que, de quando em vez, o S. Pedro, ciumento, por certo, nos enviou. Mas como bom santo lá desistiu de nos arrefecer os ânimos, permitindo que o desfile se desenrolasse em todo o seu esplendor. Foi um prazer reviver lembranças de outras antoninas, assim como aplaudir todos os participantes neste evento.
PARABÉNS à Câmara Municipal e aos seus diligentes funcionários, assim como a todos os famalicenses, que tudo fazem para manter bem vivas as já seculares tradições destas marchas antoninas.
Até qualquer dia, numa rua bordada de cameleiras, numa pastelaria a desafiar gulodices..
Brincares de uma Sereia no país das Maravilhas
Venho de experiências ricas e diversificadas nesta área, dum tempo em que nas minhas aulas os alunos liam histórias na disciplina de Português e as ilustravam em Desenho e Educação Visual. Dum tempo em que se valorizava nas aulas a Arte e a Literatura desde a infância e a juventude. Os autores que seleccionávamos defendiam que um texto escrito para crianças que não seja lido com prazer por adultos não é um bom texto, esse era um dos critérios das nossas escolhas. Trabalhávamos Ilse Losa, Maria Alberta Menéres, Luísa Dacosta, Sophia de Mello Breymer Anderson, José Jorge Letria, António Torrado, Alice Vieira, etc...Através de leituras e ilustrações fazíamos com que, exactamente como acontece em Alice no país das maravilhas, as crianças e os adolescentes vogassem entre o real e o surreal, o normal e o fantástico, a fábula e a sátira, o sonho e a realidade. Através desse cruzamento de palavras e de imagens tanto crianças como adultos recriávamos um imaginário fabricado pelas nossas mentes famintas de ilusão.
Muitos dos livros lidos às netas em pequeninas, estão hoje na estante do quarto delas, histórias escritas numa linguagem que é corpo do sonho, da fantasia, do fantástico, com temáticas diferentes, contendo um manancial de personagens e de situações focadas no mundo real e ou da imaginação, com o que espero ter contribuído para a sua formação. Exactamente o que pretendem autores como Bernardete Costa.
De Alice no País das Maravilhas podemos partir para os contos desta autora. Poderia pegar noutro, porém optei pelo Canto doce da Sereia já que, há alguns ingredientes aplicados na Alice e na Sereia (chamo-lhes assim para facilitar o que quero dizer) que são recorrentes na literatura infantil.
Vejamos, enquanto Alice na realidade estava a ouvir contar uma história ...quando de repente tudo acontece...,(aqui é usada uma expressão que serve para introduzir a passagem para o onírico), n' O Canto Doce da Sereia quando na realidade dormia no barco de repente Luís acordou com um cântico doce de mulher...Pensando sonhar, arregalou os olhos negros como carvões e esfregou-os.
A palavra REPENTE é também usada por Bernardete Costa .
Outra expressão, desta feita a frase utilizada por Ali-Bábá nas Mil e uma noites é usada por ela, abre-te Sésamo, as palavras usadas para abrir a porta que irá salvar a Sereia amada de Luís, pois logo a porta se destranca e desliza com vagar. Em Alice a ordem dada à chave dourada para abrir a pequena porta por onde a menina não cabe é dada pela chávena: bebe-me sendo essa a poção mágica que a faz diminuir o seu tamanho e por aí fora se sucedem os truques... come-me é depois a bolacha que come a fazê-la crescer demasiado para chegar à chave até que...calçou a luva que estava no chão, para ficar no tamanho certo.
Há sempre, como se constacta, uma SENHA MÁGICA que os autores manipulam com maestria para fazerem com que o sonho deslize por mundos inimagináveis e a narrativa aconteça.
Estas são histórias cheias de um surrealismo onírico concreto. Na Alice o gato Cheshire deu todas as informações para a menina entrar na floresta, na Sereia a senhora Maria lavadeira do rio conta a Luís a história de um feiticeiro que tem prisioneira uma bela sereia...O mesmo Alice demonstra, quando se verifica a mistura da realidade com a fantasia, em os tacos eram flamingos cor de rosa, sempre a voar e as bolas do jogo eram ouriços cacheiros e na Sereia verifica-se que, chegando ela à superfície das águas se transforma numa bela rapariga.
De mitos, segredos, ideias brilhantes, magias e encantamentos singulares se alimentam os contadores de histórias como as que cito. Podemos baralhar personagens e situações brincando a um faz de conta que nos fascina e devolve à felicidade da infância.
Sabem? Eu bem poderia ser Alice e o meu país bem podia ser o país das maravilhas, mas esse só existe dentro de cada um de nós. Todos somos Alice ou a Alice somos todos nós e os que estão ao nosso lado nesta muito humana noite em que nos encontramos fabulando sobre mitos, fadas, lendas, pessoas reais criativas e transformadoras.
«Se Alice não se chamasse Alice» questionas tu, Bernardete, mas eu, pessoa real brincando a Sereia mitológica, continuarei a sussurrar o teu nome... Ber nar de te...
De volta à realidade, será a minha voz que aqui ouviram a falar... ou terá sido tudo isto um sonho?
Margarida Santos,
Lamego
Intervenção em 11.06.2016 na Tertúlia Literária «Alice no país das Maravilhas», coordenada por Aurora Simões de Matos
Sem oportunidade de voar
Rouco é o mar no seu altar de água
e mesmo assim
as gaivotas adejam na neblina
na saudade antecipada
da respiração das ondas.
RETRATO A ÓLEO DE BERNARDETE COSTA Professora e Escritora
Eis que vos apresento o meu último trabalho. O retrato encomenda duma amiga e conterrânea. Retrato este que me deu muito prazer em executar, uma vez que, e a pedido da retratada, esta obra teria de ser marcada por alguma diferença em relação a toda a minha anterior obra retratista.
Desta forma, e respeitando a posição informal da figura, exigência da retratada, tentei enquadrá-la numa perspetiva de infinito paisagístico, onde manchas pictóricas desfilam num qualquer horizonte.
Assim o olhar desliza atravessando rios, montes e vales desfalecendo por detrás do sol. Não se ouvem os rouxinóis, nem as cotovias, nem o estremecer das águas dos charcos, nem as rãs que em seu coaxar louvam o Criador. Todavia, ouso afirmar, nesta tela perdura o silêncio duma natureza viva e vibrante em que a cor e a forma apelam aos sentimentos do olhar mais sensível.
Diria até que o silêncio é evidente no sol ausente mas omnipresente, no céu desfalecido por entre os farrapos das nuvens, no cheiro que salta de minúsculas flores, e atente-se na fragrância exuberante das mimosas que brilham na altura como pequeninos sóis.
Inegavelmente, o modelo recusa o formalismo de pausa e refugia-se nos braços da natureza - a natureza presente em alguma da sua escrita poética com forte pendor telúrico. Digamos que a natureza realça o modelo com um suave gesto de carícia, que é enfatizado pela flor miosótis que cresce e floresce nos seus dedos.
E o modelo vive e mexe oferecendo com um sorriso maroto um delicado miosótis azul.
Ferrnando Rosário
(Na Tertúlia de Lamego, responsabilidade e coordenação de Aurora Simões Matos, para qual fui por esta convidada, no último sábado, dez de junho, a surpresa gentil e carinhosa do poeta João Avelino).
voltar a ser
ai se eu pudesse voltar a ser criança
a criança que sempre fui
só por um momento
voltar aos “LUGARES DO TEMPO”
cheios de memórias e de essências
pisar o chão da minha rua, ficar à janela a ver a lua
enganar a minha “GUARDADORA DE AUSÊNCIAS”.
ai se eu pudesse voltar a ouvir
os teus “CÂNTICOS DE SEDUÇÃO”
ó infância de correrias e “TRANSPIRAÇÃO”
lambuzar-me com o pão de geleia
adormecer ouvindo minha avó rezar
no seu dolente e “DOCE CANTO DE SEREIA”.
ai se eu pudesse voltar a ser
o menino da “CASA SOL E DO TELHADO POEMA”
que às escondidas da tarde serena
roubava “CEREJAS AOS MOLHOS”
e desenhava em negras loisas
“A LUZ DOS ANIMAIS E DAS COISAS”.
ai se eu pudesse voltar a ser miúdo e fugir,
embalado pelas histórias de fazer rir
sapudo dedito coçando o nariz
e ao colo de uns braços sempre abertos
fazia eu caretas de inocência feliz
à desconhecida “INSUBMISSÃO DOS AFECTOS”
Foi hoje o dia em que o mestre pintor Fernando Rosário me entregou o retrato que havia encomendado. Sendo este pintor um realista por excelência, como a pintura figurativa revela até ao pormenor, não deixou de ser um desafio a "obrigação" duma postura informal, aspeto para mim relevante, porque a ver com a minha forma de ser e de estar.
Saiu do seu atelier, aqui perto, quase frente ao rio, passa agora a morar na parede central da minha casa, onde a "imposição" matriarcal fica mais do que nunca evidente. Ainda assim, a escolha do lugar de "vigia" foi por vontade expressa das pessoas que comigo convivem.
Os meus parabéns ao pintor, que tão bem soube captar a minha essência, penso eu...
A Escritora e Poetisa Bernardete Costa será Convidada de Honra da próxima "TERTÚLIA ARTES E LETRAS NO HOTEL LAMEGO", a 11 de Junho.
Falará das personagens dos seus livros, na intervenção:
" E SE ALICE NÃO SE CHAMASSE ALICE?!"
De apoio à alocução, intervirá o conceituado grupo do Porto:
- A escultora Margarida Santos
- O ator David Morais Cardoso
- A " diseuse" Clara Oliveira
Aguardemos, com expectativa, um dos momentos fortes do Serão.
A coordenadora
Aurora Simões de Matos
NOTA:
Clique no vídeo abaixo, para ver a Obra escrita de Bernardete Costa