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Quarta-feira, 30 de Abril de 2014

PARTIREI

 

partirei para sempre da manhã

esvaída de vida sem grito

nem vontade o mar me acolherá

e será meu templo e ventre de luz

 

quando a hora aprazar a deus

meu corpo beijo de neblina e só

cederá caminho de vento

sem crer em destino de céus

 

e no fogo final dum sol sombrio

dirá adeus nos véus do pó.

 

Bernardete Costa (2014)

 

 

publicado por Bernardete Costa às 17:12

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POEMA E TELA DE ARMANDO MAGNO "LUXÚRIA"

LUXÚRIA

 

Sente a virtude da nudez

na poesia da pele, licita natura em êxtase

 

toca-a no desejo que a inebria

e desce pelo abismo tremente do beijo

secreta volúpia que suspira e perdura

 

toma-a, ou toma o que dela se te oferece

e qual carícia em seus cabelos  acolhida

serás vertigem num rosto sem cor.

 

Óh, pomo de rubra romã,  puro devaneio

suculento seio no afã  da luxúria…

 

derrama teu sufoco mulher e sacia  a fome

neste teu sem nome

oferta mais singela

que ao olhar se não revela

 

e tuas mãos irmãs no delíquio dos anseios

colhem nuvens de beijos

compondo no céu o adiamento da espera.

 

Quem sabe do teu rosto para a censura

o fogo da luxúria a chama do entardecer?

 

Tal é o segredo no clamor da carne

mas nas vestes da pintura és seda és sede

veemente apelo de mulher.

 

 

Bernardete Costa

2013

publicado por Bernardete Costa às 14:38

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Segunda-feira, 28 de Abril de 2014

POESIA, NA INS DE GUIMARÃES

 

Numa tarde soalheira, durante "A semana da leitura", a poesia falou mais alto com o sol inundando a vidraça num grande sorriso maroto. A poesia, a leitura, o livro em geral.

 

Perante uma plateia de meninos com idades entre os 3 e os 5 anos, a magia da palavra, através dos versos e dos poemas do livro “ A Casa Sol e o telhado poema”, foi ternura de avó, a fada duma mãe, a Inês abraçada a uma pedra azul…mar, entre outros.

 

Pozinhos perlimpimpim bailaram por entre a palavra e a palavra se fez magia, como os meninos tanto apreciam. E os meninos partilharam comigo o amor pela leitura.

 

Um bem haja aos professores e dinamizadores deste evento. 

 

 

 

 

publicado por Bernardete Costa às 20:27

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Segunda-feira, 7 de Abril de 2014

VIESTE

 


Aprendo a buscar-te por entre as névoas
das margens enquanto o perfume dos nenúfares
se refaz ao renascer do dia, para depois 
caminhar pelas areias, e na ilusão brasa do sol
reter seus raios e deles atear o fogo
onde consumo os dias da memória.
Chegarei até a beber o verão como se fora um licor
afagando os lábios sempre que na imagem
das águas tombar uma lágrima de saudade.

Acabaste por vir embalado na brisa dum barco
trazido pelas saudades das lembranças;
vieste pelo eco dos risos vivificando o areal ou
quando as algas do rio se enredaram no silêncio
sobre o leito de pedras, ou vieste pelo chamamento
de asas duma ave azul ousando liberdade
ou somente vieste
pelo meu desejo de chamar-te.

Bernardete Costa

publicado por Bernardete Costa às 18:03

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