https://youtu.be/QLCDymoJD_0
partirei para sempre da manhã
esvaída de vida sem grito
nem vontade o mar me acolherá
e será meu templo e ventre de luz
quando a hora aprazar a deus
meu corpo beijo de neblina e só
cederá caminho de vento
sem crer em destino de céus
e no fogo final dum sol sombrio
dirá adeus nos véus do pó.
Bernardete Costa (2014)

LUXÚRIA
Sente a virtude da nudez
na poesia da pele, licita natura em êxtase
toca-a no desejo que a inebria
e desce pelo abismo tremente do beijo
secreta volúpia que suspira e perdura
toma-a, ou toma o que dela se te oferece
e qual carícia em seus cabelos acolhida
serás vertigem num rosto sem cor.
Óh, pomo de rubra romã, puro devaneio
suculento seio no afã da luxúria…
derrama teu sufoco mulher e sacia a fome
neste teu sem nome
oferta mais singela
que ao olhar se não revela
e tuas mãos irmãs no delíquio dos anseios
colhem nuvens de beijos
compondo no céu o adiamento da espera.
Quem sabe do teu rosto para a censura
o fogo da luxúria a chama do entardecer?
Tal é o segredo no clamor da carne
mas nas vestes da pintura és seda és sede
veemente apelo de mulher.
Bernardete Costa
2013
Numa tarde soalheira, durante "A semana da leitura", a poesia falou mais alto com o sol inundando a vidraça num grande sorriso maroto. A poesia, a leitura, o livro em geral.
Perante uma plateia de meninos com idades entre os 3 e os 5 anos, a magia da palavra, através dos versos e dos poemas do livro “ A Casa Sol e o telhado poema”, foi ternura de avó, a fada duma mãe, a Inês abraçada a uma pedra azul…mar, entre outros.
Pozinhos perlimpimpim bailaram por entre a palavra e a palavra se fez magia, como os meninos tanto apreciam. E os meninos partilharam comigo o amor pela leitura.
Um bem haja aos professores e dinamizadores deste evento.
Aprendo a buscar-te por entre as névoas
das margens enquanto o perfume dos nenúfares
se refaz ao renascer do dia, para depois
caminhar pelas areias, e na ilusão brasa do sol
reter seus raios e deles atear o fogo
onde consumo os dias da memória.
Chegarei até a beber o verão como se fora um licor
afagando os lábios sempre que na imagem
das águas tombar uma lágrima de saudade.
Acabaste por vir embalado na brisa dum barco
trazido pelas saudades das lembranças;
vieste pelo eco dos risos vivificando o areal ou
quando as algas do rio se enredaram no silêncio
sobre o leito de pedras, ou vieste pelo chamamento
de asas duma ave azul ousando liberdade
ou somente vieste
pelo meu desejo de chamar-te.
Bernardete Costa