https://youtu.be/QLCDymoJD_0
Menina da trança (2)
De pele morena
Miosótis fragrância
No azul do poema
Corpo menina
Em corpo mulher
Essência secreta
Ambígua
Serena
Menina sem o ser
Dúvida
No orvalho na manhã
Mistério estival
Úbere de anca
Teu ventre é dança
Festim outonal
Menina da trança
Musa do bem-querer
Corpo mulher
Menina sem o ser
Alvura e neve
Malmequer
Na turgidez dos seios
Na idade dos cabelos
Êxtase epifania
Esplendor
Vives na noite
No dia mulher
Menina sem o ser
Simples poesia
Menina da trança
Com fome de amor
“diz-me o teu nome”
Enigma
Respiração amada
Corpo e tela
Do sangue ressuscitada
Menina à janela
Que o olhar deseja
Onde magnânimo
Aí te beija
Magno pintor.
Benardete Costa
AMAZONA
À tua luz me reclino, pintor
e a minha voz se derrama na melancolia
queria silenciar-me definitiva ou dizer o essencial
nesta incapacidade minha
de adiar a tentação da escrita
mas que dizer deste sufoco em ânsia
de palavra a pedir o que não sei escrever...
um pouco mais de tempo , pintor, e te diria
deste encontro com a cor e com o som
que da palavra se dispersa
desta nudez virginal a ocupar o lugar da poesia...
sou incapaz, há súplicas nos meus olhos
como pecados cegos nas leituras da arte
apenas sei que amo o que amo
e nem assim o amor se escreve linear…
talvez somente um clamor ou uma tentação
a devorar este arremesso de versos.
Acolhe mestre, peço-te, a minha voz suplicante
pois algo se parte numa espiral de luz
Ah, pudera eu ser amazona e beber o universo
no mais puro dos mistérios
e como ela ser limite na cumplicidade amorosa
do olhar, ser a sede que a devora
e assim meu poema nascesse
virgem e inquietante nas cores da aurora.
Bernardete Costa