https://youtu.be/QLCDymoJD_0
Teimosamente, muito teimosamente ela persistia.
Sou diferente, tão diferente…
Mas há que saber em que consistia tal teimosia.
Seu ser de mulher, como folha no sopro da ventania,
vogava numa onda de dúvida
no desconhecido caminho para aonde se dirigia.
Como uma folha no sopro da ventania
o seu ser não era o outono
que em seu corpo se escondia.
Teimosamente, muito teimosamente
em si uma luz prevalecia no desejo esconso dum qualquer afeto.
Em si não bastava o gesto; essencialmente de si o sonho
a prevalecer no olhar e nas mãos e nas bocas…
Porém ela recusava o beijo do presente
porque como ave em voo de azul sentia desejo
de horizonte… de infinito sem muro…
Assim, teimosamente ela galgava o próprio futuro
negando-lhe o passado ultrajado.
Sendo mulher podia até em sua frágil compleição
abraçar um malmequer, desfolhar as pétalas do coração
inquirindo do seu querer:
Bem me quer… malmequer…
E pelas corolas do amor acreditar
nas mentiras mais sinceras
que lhe depositavam em seus lábios
como se todo o esplendor lhe viesse dos enganosos beijos.
Teimosamente, ah! quão teimosamente
alçando liberdade ela buscava um barco, desatava seus nós
e pelo vento como em caravela doutro tempo
lançava a voz ultrajada ao deus do mar, a Zeus…
E de imediato as nereidas condoídas de suas infindas vidas
ofertavam-lhe mel e ambrósia
com promessas de túmulo onde pudesse de vez
pousar a cabeça….implorando aos céus
que dentro de si, o seu ambíguo eu para sempre
desapareça.
Bernardete Costa