https://youtu.be/QLCDymoJD_0
Sem pressas, haveria que imaginar a tranquilidade.
Algo que não treme nas mãos,
como tempestade ou tentação espiritual.
Há um pequeno mundo a debater-se nas emoções,
quando a vida tranquila se imagina.
São jardins suspensos na sensibilidade ou exaltação.
Motivos de sociabilidade que importam à Natureza.
Sem pressas, haveria que imaginar a tranquilidade.
Algo que a poeira promete a si mesma
para distrair os instantes que atravessam o portal
os olhos da imaginação, os compassos de…,
quando o azul se estende de uma paleta ao largo
da tela segura num cavalete. Quase uma cabeça de cisne
lembrando os pés a que cheira a pintura.
Compassadamente,
as vezes em que toda a fumarada do mundo
veste real evidência –
prodigalidade ou luxo, viagem
de intromissão ou inteligência –,
tapete de «todos os Tempos» estendido ao coração…
simplesmente: –
beijo unânime de entardecer –
casa e móveis guardam, com gosto –
a Luz que os iluminou.
©JFernandes, 17.03.2013
PS: — FELIZ ANIVERSÁRIO, ESPOSA MINHA, E FELIZ ANIVERSÁRIO PARA NÓS.
O senhor presidente da república – que ele assumiu como sendo laica ao aceitar tal cargo - pode implorar aos seus santos de devoção todo o apoio na resolução da crise que nos afeta. No uso da sua liberdade religiosa, que respeito, que o faça no íntimo da sua casa ou em lugar de devoção da sua preferência.
Não lhe fica bem fazê-lo publicamente. O povo português não é mais aquele povo iletrado que pede à senhora de Fátima que chova em tempo de seca; e logo a chuva acorre apressada a satisfazer pedidos divinos. Este senhor ainda não aprendeu que o povo não é mais aquele povo ignorante deixado pelo senhor Salazar.
Por favor, senhor presidente, respeite a inteligência dos portugueses (aqui não cabem questões de fé, seguramente).
Imaginei a chuva em teus olhos, o doce mel
dos teus olhos como abelhas a tecer favos de sorrisos…
Imaginei a nostalgia das sombras em teus olhos
levadas pelo vento, sombras como árvores na mudança do tempo.
Imaginei em teus olhos asas e pássaros adejando pelas madrugadas
libertando meu voo de insónias.
Imaginei em teu rosto a ausência do orvalho, no teu rosto
a luz das lágrimas, ou apenas o olhar num suspiro de flor.
Mas teus olhos nunca serão estrelas, somente
folhas de chuva e vento ou aves na cegueira do horizonte .
Já não sei mais viver nesta ponte, já mais não sei
que este naufrágio de águas onde imersos
meus dedos adivinham teu olhar no verde das algas.
Ah, e também não sei dos peixes
a crescer no clamor dos versos.
Bernardete Costa
Maio 2013