https://youtu.be/QLCDymoJD_0
Ah, esse menino
Em tempo de criança brincava com búzios,
e em vez do mar escutava o riso cristal dum menino,
que no areal da minha cidade resolvera morar
enviando beijos de sol à tristeza do inverno.
Ah, esse menino, quantas vezes o vi!
Em vez de jogar aos berlindes espreitava as raparigas
na praia estendidas à sombra dum guarda-sol.
E que alegria, entre tantos outros ver
esse menino, filho de carpinteiro, brincar ao faz de conta
na caravela “Senhora dos Anjos”
ao leme sonhando ser marinheiro.
Ah, esse menino é como outro qualquer,
preza a brincadeira, e entretido em viagem perde-se
pelo fascínio da ribeira.
Por vezes, uns pozinhos de luz, numa gota de orvalho
subir o rio para encontrar Jesus
escondido no véu da maresia.
E se as palavras da poesia são estrelas que descem do céu
também posso acreditar
que esse menino aqui pertence. É esposendense!
(In transpiração, poema revisto
Bernardete Costa)