https://youtu.be/QLCDymoJD_0
AMBIGUIDADE
O seu ser era uma estação e outra
com reflexos de céu e inferno
a alegria era rosto teimoso
sopro de fogo e alma liberta de trevas
ainda que por vezes uma onda de fel
adoçasse o sangue das flores
o amor era substância mel e suspiro
e seus lábios eram seio e toda a água da sede
onda vórtice e encantamento
o seu ser doce ambrósia para oferecer
dorida e viva na cegueira do sonho
o seu ser alheio à clausura e às bocas
inquietude indagando abismo…
Em si uma luz prevalecia no desejo de si
sem teorias nem cálculos
impróprios para o maravilhamento
em si uma ambígua estrela passageira
ou lua apagada
na exata memória do luar.
Bernardete Costa