https://youtu.be/QLCDymoJD_0
AMAZONA
À tua luz me reclino, pintor
e a minha voz se derrama na melancolia
queria silenciar-me definitiva ou dizer o essencial
nesta incapacidade minha
de adiar a tentação da escrita
mas que dizer deste sufoco em ânsia
de palavra a pedir o que não sei escrever...
um pouco mais de tempo , pintor, e te diria
deste encontro com a cor e com o som
que da palavra se dispersa
desta nudez virginal a ocupar o lugar da poesia...
sou incapaz, há súplicas nos meus olhos
como pecados cegos nas leituras da arte
apenas sei que amo o que amo
e nem assim o amor se escreve linear…
talvez somente um clamor ou uma tentação
a devorar este arremesso de versos.
Acolhe mestre, peço-te, a minha voz suplicante
pois algo se parte numa espiral de luz
Ah, pudera eu ser amazona e beber o universo
no mais puro dos mistérios
e como ela ser limite na cumplicidade amorosa
do olhar, ser a sede que a devora
e assim meu poema nascesse
virgem e inquietante nas cores da aurora.
Bernardete Costa