https://youtu.be/QLCDymoJD_0

Os Meus Livros

https://youtu.be/Fke4JjUZDTs

posts recentes

INSATISFAÇÃO

PORQUE FOSTE?

TEATRO EM ESPOSENDE - ESP...

TOMAR CAFÉ... ANTES QUE S...

III POEMA LUGARES DO TEMP...

TEATRO EM ESPOSENDE, "ESP...

ESPOSENDE BY NIGHT - TEAT...

TEATRO EM ESPOSENDE - PEL...

UMA QUESTÃO DE BEIJOS

AFONSO E A DIABETES

arquivos

pesquisar

 
https://youtu.be/Fke4JjUZDTs
Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2019

INSATISFAÇÃO

INSATISFAÇÃO

E era tudo tão belo, por fim a beleza do sonho maior de rapariga. O dia do seu casamento. A família. Grande. Ainda unida por imenso sangue. A morte longe. Até os avós contavam na enumeração. Um dia pleno de expectativa. A Felicidade. A alegria no olhar do pai. Esta já está. Com marido a precaver a vida, os acidentes da vida. O amparo para o presente e futuro. E velhice. A mãe, até que enfim, casada. A mãe sempre a temer a rebeldia daquela filha. Não amo, mãezinha, não o amo mais. A mãe a ter a certeza, desagradada, a concluir da insatisfação sentimental da filha, da insatisfação no amor.

Nunca serás feliz, a mãe a vislumbrar o seu próprio casamento, a sua união desamparada desfeita pelos muitos amores, pela insatisfação do pai. A culpa não é minha. O pai a dizer muito depois à filha também desamparada pela sua própria insatisfação.

Não o amo mais. Lês muitos livros, o marido também desamparado pela incompreensão, ela lia, lia, a leitura no banco dos réus. Culpada. Ela pela noite a buscar a luz nas páginas do livro. A luz longe. Longe do seu casamento. Ela a levantar-se do leito comum a procurar outra luz. A claridade da alegria, não plena, mas alguma. O frio da noite a gelar as lágrimas. Chorava. Tanta vez pelas noites. E sofria. Descontentada. Não amava. O amor dela não o sabia amar. Não lobrigava mais o amor primeiro com que o amara. Um dia.

Nunca te esqueci. A voz tanta vez evocada pelas noites frias. Em que buscava a luz. Procurava o antigo amor. Sempre insatisfeita. E a memória a trazer na noite fria beijos, sorrisos, doçuras, desejos por cumprir. E as lágrimas a doerem bem fundo. No coração, no corpo. Porque preterira o seu amor pelo amor presente. Um amor que era passado.

Bernardete Costa

 

publicado por Bernardete Costa às 18:36

link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2019

PORQUE FOSTE?

adormecida_arte_tumular_01 2.jpg

Cheguei como tanta vez o faço. Olho-te na fotografia, um raiar de riso fininho nos lábios cerrados. De seguida pergunto: porque foste?
Eras mais velho do que eu, e depois? A morte tem hora certa, idade precisa?
Mais certa é esta hora de fazer o jantar, de fazer as camas, de levar os netos à escolha, ao ginásio…E de fazer as compras. E eras tu que fazias as compras, já adivinhaste o trabalho que ficou para mim. Este meu estar sozinha tendo tanta gente a cuidar, mas não te tendo a ti. Se me fazes falta? Claro que me fazes falta. Agora estás aí na fotografia. Alheio, quase que te vejo risonho, numa de gozo fininho como era teu costume. E desse gozo fininho também tenho saudades: quem pega comigo, quem me contraria e me proíbe, como tu sempre a contradizeres-me e sempre com esse gozo fininho. Hoje sei, não era gozo era mesmo vontade de brincar. Sabes que nunca te adivinhei essa vontade de brincar com as circunstâncias, com as pessoas?
Que ninguém diga que não há saudades. Elas aparecem sem ser avisadas do meio do nada, ou do meio de tudo. Está-se sozinha e elas resplandecem a doer no teu lugar vazio; estou acompanhada e elas relembram o teu lugar, mais um, o teu lugar agora sem ti. Eu sei, ainda que me custe, de nada adianta convencer-me que não, não estás mais aí; sei lá por aonde andas, sei lá onde…; é um mistério, dizia a minha mãe, um mistério que algum douto não logrou ainda descobrir, apenas se aventura por convicção disto e daquilo suportadas por certos raciocínios e espiritualidades. Depois a fé.
Ah, a fé é que nos salva. Já tu dizias. Eu tenho fé. Vou à missa, à igreja, ao cemitério. E nunca esqueço a vela nem as flores. Muito vivas e fulgentes; mas tu nunca dizes nada. O teu silêncio é assustador. Mas mais assustador é este meu viver sem ti. Sem presente. Sem futuro. 
Se vivo, para que vivo, para quem vivo se me faltas? Filhos, netos são flores e frutos que se libertam das raízes e florescem noutros prados, são aves que alçam voos distintos e longínquos. Tu eras a minha árvore, o meu ramo, o meu voo. E foi mal que assim fosse. Crescíamos tão gémeos que nos revíamos como o mesmo reflexo do espelho, voávamos tão juntos que éramos asas do mesmo corpo. Sem o teu ramo, sem a tua asa, desequilibro-me e tombo redonda no chão. E este é o chão que evito pisar. Nele viverei prostrada, desligada do meu eu que resta. Para minha tristeza e dor não me ensinaste a viver deslaçada de ti. 
Estás aí, não respondes? Claro que não, tu não existes mais, apenas vives na mágoa do meu coração; este músculo arranhado que não aprende a ser sem ti. Apenas desliguei o meu corpo do teu. Mas a vida é uma contradição, e já aqui me digo e desdigo. O certo, aos meus pensamentos nem sequer fluem desejos libidinosos apesar da tua proximidade ainda tāo carnal. Mas esses deixei-os morrer contigo. Sou eu a convencer-me armadilhada à tua ausência no calor do leito comum. Sou eu a valorizar somente o teu estar na fotografia, vigilante na sala da casa, a orientar, a comandar o meu presente. Essa foto idêntica a esta, esse riso de gozo fininho. Desse gozo fininho de que tantas saudades sinto.
Vou embora, é tarde. Não fiques contrariado pela minha demora. Donde vens, já viste as horas?, ouço-te. Não, não me esperes mais, é melhor assim. Arranco esta raiz que ainda a ti me prende. Nem a minha crença divina me aconselha a viver contigo na memória ainda tão física. Eu sei, sou uma pecadora a bater com a mão no peito. Confessar-me-ei, perdoa padre que pequei...; e voltarei ao nosso leito a deslizar a mão pela forma do teu corpo, a pedir à tua boca na minha um sopro de vida. 
Ainda assim, é um contrassenso, eu sei, morro devagarinho, um pouco por dia ao aprisionar este riso que sempre brotou atordoado quando te ausentavas. Este mesmo riso que trepa por mim acima e me cocega a pele, os músculos, o esqueleto. Será que te irritas se der uma gargalhada?
Não te zangues, aliás até podia hoje nem chegar a casa, pernoitar longe de tudo. Afastada do leito comum que me traz o teu aroma, os sons do teu corpo. Por vezes, sinto, quero ainda ser um pouco de asa. Permites ser essa asa sem a tua asa?
Afinal acordo do mesmo sonho: grito assustada, uma estupidez este medo de ti se tanto te quero ainda; se ainda tanta falta me fazes porque grito. Um grito é um susto. Responde-me: tu assustas-me?

publicado por Bernardete Costa às 18:22

link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2019

TEATRO EM ESPOSENDE - ESPOSENDE BY NIGTH, PELA UAE

 

49688588_2456849767675898_1056216562135990272_n.jp

Janeiro é o mês de todos os recomeços. O Lions Clube de Esposende e o Rotary Club de Esposende não podiam recomeçar melhor - Noite de teatro pela Universidade Autodidata de Esposende, cuja encenação é da minha responsabilidade, e cujo elenco integra todos os atores da Oficina de Teatro da UAE. 
A receita será partilhada entre o Lions Clube de Esposende e o Rotary de Esposende que, por sua vez, a farão reverter para causas sociais e afins.
Sejam solidários, apareçam. 
Tragam um amigo, também!

publicado por Bernardete Costa às 15:17

link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2019

TOMAR CAFÉ... ANTES QUE SEJA TARDE

 

TOMAR CAFÉ... ANTES QUE SEJA TARDE

Eu sou a Maria, a mesma Maria, mas uma Maria doutros tempos, já vais entender a razão. Também não é de difícil compreensão, todas as marias e maneis são os mesmos, apenas com tempo às costas e as respetivas alegrias, dores, paixões e desilusões que o dito se encarrega de nos dependurar aos ombros. Sim, sou a Maria, nem foi preciso dizer-to, tu reconheceste-me. “A garota de 14 anos, custa a crer”, disseste: rosto redondo, tez morena, como hoje esta mesma Maria, apenas a pele não se suspendia dos ossos, nem os cabelos são mais negros, são cabelos de avó, e o rosto angulou, murchou como flor há muito na jarra. Mas tu vieste ter comigo através do facebook, mas podia ser através do twitter, apenas para referir estas redes sociais, que outras mais pululam pela virtualidade, não adianta esforçar o pensamento, no escaninho da minha memória refugia-se já tanta informação - o certo é que eu assino contas nestas redes sociais por malandrice e por atrevimento! Desta Maria não tens recordações; e eu sei de ti, Rodrigo, porque me escreves mensagens, que caem todas no meu correio eletrónico, a entupir os canais de servidor, por isso eu soube de ti, repito, eu que nunca antes soubera de ti.

Tu entravas no café para me ver, diariamente, e eu dia a dia servia-te o café, não te via, apenas lobrigava o sol, a chuva, o vento, o voo das aves para lá das vidraças…Talvez esta Maria de hoje não se deixe perturbar tão facilmente pelas belas palavras – as tuas, de agora -, a outra Maria, aquela por quem teus olhos se embeveciam numa apaixonada ternura, aquela que te despertava do cismo de jovem quase adolescente, que te assava a imaginação em febris sonhos diurnos e indubitavelmente noturnos, aquela Maria era muito ingénua, a bem dizer uma criança, ainda que a morar num corpo de mulher, já redondo, apetecível. Na verdade, essa criança-maria, já corpo de mulher, não havia sido tocada pelo incêndio do teu olhar, nem sequer uma luz bruxuleante iluminou o silêncio expressivo do teu olhar, porque eu era cega à paixão que despertava; nada nos unia, nem as palavras que nunca ousaste pronunciar; apenas um vazio imperou entre ti e mim, ou seja, a ignorância da tua existência. Decerto, a tua pessoa comedida e tímida agarrou ainda mais o silêncio desse tempo, esse frugal contacto que medeia o ato de servir um café. Mas tu foste unicamente grão de poeira, ou nem isso, já que a lembrança de ti persiste alapar-se ao zero total. Eu esperava pelo príncipe encantado, e tu não eras propriamente o meu príncipe, se o fosses eu tinha-te olhado, sorrido para ti, talvez até merecesses o meu primeiro beijo de amor. Tens razão, sou mesmo a Maria, mas nesse tempo recuado era outra Maria, mais comedida, envergonhada, ainda que levitando na distração sempre a procurar o sol, o vento, até a chuva, o voo das aves…

A primeira Maria andava na escola primária da aldeia, rapazes dum lado, raparigas dum outro, mesmo sem muro a separar, apenas uma linha imaginária; era uma escola pequena, quase de brincar. Nem rapaz nem rapariga cruzava aquela linha fictícia; a palmatória da professora logo se erguia, juíza implacável. “Maria”, a professora quase numa súplica na voz tremida, com pena da maldade, com a água marinha dos olhos ainda mais líquidos, com tristeza, “Maria, eu avisei”. A professora, que eu adorava, “Maria, eu avisei” e a palmatória, condoída -, como se um pedacinho do meigo coração da mestra lá morasse - uma, duas vezes na palma que se lhe oferecia a medo...

Do outro lado do muro imaginário, o Quim olhava para mim, eu nunca reparei no Quim a olhar para mim, e ele a recordar-se com tanta nitidez da criança ladina que eu era. Porém, eu não possuo memória precisa do meu rosto, nem do meu corpo de menina traquina, como ele diz memorar, talvez fosse o meu sorriso, disse que era doce, e eu a fazê-lo travesso. Mas foi outra a Maria que isto escutou, passados muitos anos, ele disse, “como a fruta envelhecida no cesto, é a vida”, Maria ouvia sorrindo num misto de alegria e tristeza. Sei que não me quis magoar, apenas resistia a frescura daquela maria alojada na memória da infância, e acrescentou a corrigir algum dano, “estás ainda muito bem”; eu não me lembro dessa criança que fui, para lá duma imagem quase fantasma, apenas recordo o moreno da pele a catar o sol ainda que o sol fugisse de mim, e eu a procurá-lo por entre as rendas da ramagem das árvores. “Gostava de ti”, dizia o Quim. Claro que eu não sabia, nunca soube desses amores infantis, se os tive não os tive.

Depois apareceste tu e liga daqui e dacolá descobri que vocês eram irmãos, imagina, irmãos. Do Quim eu tinha lembrança, de conversas em tempo adulto, de confissões posteriores, “gostava de ti”, teimava o Quim.

Mas de ti, Rodrigo, nem teu rosto recordo, não eras o meu príncipe encantado, eu apenas te servia o café... a espreitar o azul. Dizes sempre que tens saudades dessa Maria adolescente, e o Quim diz que tem saudades dessa menina

... e um dia conheci o António. Era já uma outra Maria, com corpo de mulher, seios a despontar no vestido justo, a pele sempre morena, os olhos espraiados nas águas do rio a pedir viagens, a sonhar viagens, a delirar pela limpidez da corrente. No entanto, uma maria a divagar pelos romances de cavalaria, sempre à procura do príncipe encantado. Tu, António, não eras o príncipe encantado. Desejavas-me, “foste a minha primeira paixão” e eu desconhecia tal, mas ignorava tanta coisa como o poder das hormonas, isto é a Maria de agora a falar, a outra Maria, como disse, sonhava com romances de cavalaria e com romances históricos de Walter Scott…Essa Maria dum verão cultivava o intelecto; contigo, António, as nossas conversas almejavam outros voos, e divagávamos, como insetos atraídos pela luz, por teorias filosóficas.  Estudavas no liceu e como eras mais velho deslumbravas-me com os teus conhecimentos. Quando me pediste namoro cortei contigo, fiquei furibunda, acreditava na tua sincera amizade, ainda não entendia a amizade como contrapartida do amor. E mais tarde, descobri pelas linhas travessas das linhas sociais que eras irmão do Quim e do Rodrigo, ele, o Rodrigo, que diariamente me procurava e a quem eu servira o café sem o ver, com tanta distância de permeio, porque não era o meu príncipe encantado.

Ainda. Não havia descoberto o amor, apenas certo encantamento platónico me atraía… pelo Jorge. Mas o Jorge fica para outro dia, amei-o com todo o deslumbramento dum primeiro amor, platónico, repito. Não seria o meu príncipe encantado, presumo, senão ter-me-ia atrevido ao meu primeiro beijo de amor. O meu primeiro beijo, aconteceu um pouco depois, nem eu sabia se era de amor, foi um beijo roubado que me pôs em alvoroço e me pespegou uma insónia de bradar aos céus; nessa noite lembro-me de levitar pelo quarto, pelo quintal, sobre as árvores da rua, como se me houvesse nascido asas nos pés, ou na alma, pois o corpo continuava sereno. Todavia a partir dessa noite, a maria após beijo, deu consigo a pensar em coisas em que nunca havia refletido, a sentir umas humidades esquisitas, seria do calor, era verão, matutei.

Falas de saudades dessa jovem Maria, e eu sorrio. Muito mais tarde descobri que tu, António, eras irmão do Quim. E sorri. Achei mesmo divertido. E agora tu, Rodrigo, és irmão dos dois? Continuo a sorrir.

Chamo-me Maria, a mesma Maria que já chorou ranho e ranheta, que se anulou, que se marginalizou, que se deixou humilhar…e que se rebelou. Sou uma Maria entre tantas Marias desta terra, deste país, deste mundo. Hoje até acho divertido este ser maria, já que a Maria de agora se sente livre, talvez feliz como nunca. Certo que não encontrei o príncipe encantado, também já esqueci a trama de todos os romances de cavalaria.

Soube que o António era o rapaz do rio, porque ele me enviava mensagens inocentes e ignoradas por mim. Como muitas que ignoro, até porque tenho de limpar a minha caixa de correio de vez em quando, senão entope, e depois é o cabo dos trabalhos. Mas o mais caricato não foi apenas vocês serem irmãos, foi o facto de vocês serem primos da Rosa Maria, a minha querida e doce amiga da infância. Eu fiquei incrédula, esta Maria pensou mesmo que a vida lhe estava a tramar alguma que justifique estes acasos como simples coincidências. Serão? Depois de me saturar com tanta mensagem que não identificava, resolvi esclarecer todo este imbróglio com o António: “sim, sou esse todo”, era o António do rio. Marcámos um encontro para tomar café e passar a pente fino as lembranças.

Maria, eu própria Maria de ontem e Maria de hoje assim assim, tendo em conta que apenas reconheces de mim essas saudades, e antes que seja tarde demais, aqui te formulo o convite para tomar um café, num dia de verão, pois sabes, já aqui to mencionei, ando sempre atrás do sol ainda que ele fuja de mim, e no verão é mais fácil encontrá-lo à mão de semear.

 

Bernardete Costa

 

 

 

 

publicado por Bernardete Costa às 18:31

link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2018

III POEMA LUGARES DO TEMPO

III POEMA

Estou cansada do voo insurreto

das palavras.

Deixa-me descansar um pouco, adormecer

no ilusório afago dessa névoa

que me trazes.

Busco em ti o sossego para a revolta

ardente do verde,

do cálido da memória,

da louca correria sobre o infinito das estradas,

da embriaguez com que me fazes beber

a poalha da tua maresia,

do pó e oiro com que me aconchegas

e, sobretudo, desse refluxo de música

com que embalas o meu sono

e ternamente me encaminhas para o mundo.

 

Adormeço em ti e busco-te no bálsamo

que há de fazer renascer o meu corpo.

Renasço para a história de sermos,

ainda e sempre,

a inábil glória de mutuamente

nos proclamarmos imortais.

 

In Lugares do Tempo, Bernardete Costa

 

 

 

 

 

 

publicado por Bernardete Costa às 19:00

link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 28 de Novembro de 2018

TEATRO EM ESPOSENDE, "ESPOSENDE BY NIGTH"

Digitalização.jpeg

A Oficina de Teatro da UAE (Universidade Autodidata de Esposende) tem vindo a desenvolver projetos teatrais, mais propriamente comédias, como a última "Esposende By Nigth", adaptada de Barcelos By Nigt" da autoria de Fernando Pinheiro, escritor, ator e encenador barcelense, que por sua vez a repescou da farsa de Camilo Castelo Branco "Entre a Flauta e a Viola".

Depois da estreia no Auditório Muncipal de Esposende, no passado mês de Outubro, e do primeiro encontro de Teatro Sénior da BS (Barcelos Sénior), realizado no Teatro Gil Vicente, em Barcelos, este grupo, aqui evidente, prepara-se para repor o seu espetáculo no próximo dia 26 de Janeiro, de 2019, no Auditório Municipal de Esposende, a convite do Lions Clubs e do Rotary Clubs de Esposende, a fim de estes angariarem fundos para causas humanitárias - controlo da Diabetes e Bolsas de estudo, respectivamente. 

Venham ao Teatro! Viva a Arte de Talma!

publicado por Bernardete Costa às 19:48

link do post | comentar | favorito
Domingo, 28 de Outubro de 2018

ESPOSENDE BY NIGHT - TEATRO EM ESPOSENDE, PELA UAE.

44908329_2105538176175907_2935175204067868672_n.jp

44930451_2105537616175963_8491605052379627520_n.jp

44943416_2105541226175602_531374049645821952_n.jpg

 Uma pequena amostra do que foi o espetáculo de Teatro levado à cena pela Oficina de Teatro da UAE, neste último sábado, dia 28 de outubro.

publicado por Bernardete Costa às 21:37

link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 26 de Outubro de 2018

TEATRO EM ESPOSENDE - PELA UAE

44385010_2327769610583915_847938380883820544_n.jpg

 A Universidade Autodidacta de Esposende, agora pela sua Oficina de Teatro, leva à cena mais um espetáculo - uma paródia à farsa, "Entre a Viola e a Flauta", de Camilo Castelo Barnco -, ESPOSENDE BY NIGTH, por sua vez resultante da adaptacão de BARCELOS BY NIGTH, da autoria de Fernando Pinheiro, escritor, ator e encenador Barcelense.  

Um trabalho meritório dos seniores desta academia, que provam à sociedade que a idade não é motivo bloqueador de sonhos!

publicado por Bernardete Costa às 21:38

link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 19 de Outubro de 2018

UMA QUESTÃO DE BEIJOS

 

A pensar alto:
Os afetos, pontualmente, o beijo, estão na berra, como quem diz, na “moda do diz que diz”. 
Mais, posso garantir-vos que os afetos, sim, é minha convicção, também dançam ao sabor das modas. Clarificando: em meu tempo de infante, os abraços, as carícias, os beijos eram considerados perigosos para a salvação da alma - o prazer advindo era pecaminoso, e a condenação eterna estava ali ao virar da esquina, ameaça pasmada pelos sacerdotes do alto do terrífico púlpito.

Assim, a ausência de gestos de afeto prevalecia em muitas famílias, nem em todas, mas numa grande maioria, e presumo não estar enganada.

Voltando ao beijo. Uma das minhas netas fugia dos beijos como o diabo da cruz, salvo seja! Outra lambuza-me com tantos e tão ternurentos beijos que fico derretida em açúcar!
Pretendendo receber uma beijoca docinha, sempre que me deparava com a primeira, a arredia ao beijo, um dia fiz esta lamentável(?!) chantagem: 
- Tens de dar um beijinho à vovó sempre que a encontras ou te despedes dela. Sabes, eu já sou velhinha, e um dia destes desapareço. E os beijinhos que não me deste, para onde foram?

Resumindo e concluindo: a catraia, logo que me entra portas adentro, vem dar-me sempre o beijo da praxe, ainda mais um abraço muito apertado que lhe peço muito lamecha. 
Será uma violência para ela estas manifestações de afeto? Não me parece. Mas hei de perguntar-lhe...

Mas será mesmo preciso perguntar-lhe? Eu explico: hoje, assim de repente, no largo Fonseca Lima, sou confrontada com a pequena, que, pressurosa, se me dirige para o cumprimento usual, o beijo. 
Uma questão de educação, de afeto genuíno? Ambas as coisas, presumo. 
E com esta me vou que me espera um dia de festa familiar, e claro, de muitos beijos!!!
(pois, tempos houve em que também detestava dar/receber beijos. Contas de outro rosário... ou não!)

Bernardete Costa

:
publicado por Bernardete Costa às 18:30

link do post | comentar | favorito
Sábado, 13 de Outubro de 2018

AFONSO E A DIABETES

 

Sem Título.png

 

AFONSO E A DIABETES

Eu estou cá convencido que estes meninos todos sofrem da mesma doença que eu.

A Dr.ª Benvinda, acho tanta piada a este nome, diz que é especialista na doença que me apanhou o sangue. Dito duma forma mais científica - gosto de usar palavras corretas e de jeito - tenho Diabetes, que é assim uma doença que não me deixa comer à minha vontade, nem aos outros meninos aqui sentados; nem todos estão sentados, uns até correm, saltam pelas cadeiras, empoleiram-se nos cortinados, que coisa feia!

Eu sou o Afonso, é bonito dizer o nome quando falamos com alguém. E dizem que os meus olhos são grandes, de olhar muito redondo de tanto me espantar com as coisas. Agora estou focado no branco da sala. Tanto branco até aleija. Mas sou eu a dizer, e sei que nem sempre penso igual aos outros meninos. Igual às outras pessoas. Somos diferentes, é o que é!

Disse até à Dr.ª Benvinda: - sinto-me perdido no meio de tanto branco. Como sou de pele branca, por vezes, tenho dificuldade em me reencontrar.

A mamã diz que eu sou esquisito ainda que inteligente. Ser inteligente agrada-me. Sou como o meu papá. Ele tem um QI elevado. Ainda não sei bem o que é isso. Só sei que é inteligente. Mas hei de descobrir. Quando for grande quero ser descobridor de terras, mares e, claro, de QI.

Hoje estou sozinho. A mamã aproveitou e foi fazer compras ali perto. Eu fiquei à espera da Dra. Benvinda. Ela não demora. E pede desculpa quando se atrasa um bocadinho. É muito educada. Como eu. Eu digo sempre obrigado, bom dia, até amanhã, boa noite…; essas coisas bonitas que os meus pais ensinam e eu também acho bem bonito. São frases redondinhas. Frases salpicadas com açúcar. Entendem-me?

É mesmo engraçado. Não posso abusar dos açucares e digo palavras redondinhas cheias de açúcar.  Deve ser uma espécie de compensação. Isto diz a avó, que gosta tanto de palavras, até já escreveu contos e poemas. Um poema tem mesmo o meu nome. Ah, o meu nome também é redondinho: Afonso. Não vos parece? Agora se está polvilhado com açúcar depende de mim, eu sei. Por vezes irrito-me e fico azedo. Mas passa depressa. Basta a mamã ou o papá ou a avó pedirem-me um beijo e um abraço e eu fico como o gato do Rui, o meu vizinho: quietinho à espera de me lambuzar com carinhos.

 Dizem que as crianças que têm esta doença irritam-se mais do que os outros meninos. Mas eu duvido. Vejo tantos meninos que perdem a cabeça por tudo e por nada…; se calhar deviam contar até dez, como diz a minha avó. As avós sabem muito da vida, não acham? Não admira, têm muitos anos!

Não estranhem, eu falo mesmo assim, quase como um adulto, por isso os meus papás dizem que sou inteligente. Um dia deste a minha avó disse a palavra “revanche”. Perguntei o que queria dizer. E não pensei mais nela.

Há meninos e até muitos adultos que têm pavor a picadelas. Eu sei bem que a dor está na nossa cabeça. Não é a piquinha que dói. É a cabeça que pensa que vai doer.

Mesmo assim, um dia, a Dr.ª Benvinda magoou-me. Um daqueles dias em que estamos mais mimalhos, acontece muito com crianças e até com adultos. Nesse dia senti a piquinha e doeu-me a sério! Zangado disse à médica: revanchista!

O que ela riu! O riso dela é bonito. Por isso eu esqueci a picadela e ri com ela. O meu riso é contagioso. E acabamos todos a rir no consultório. A médica até contou aos outros meninos e aos outros pais. Ficaram a olhar para mim divertidos… e muilo respeitosos!

Há meninos aqui na sala que choram. Alguns até berram! Que coisa feia! Eu sei, alguns são bem pequenos. Compreendo, as crianças pequenas mal sabem falar. E se tiverem dores, fome ou estiverem sujinhas, como não conhecem palavras, choram. São as frases delas, percebem?

Eu tenho pena destas crianças. Algumas são meninas. Mas mais meninos. A médica diz que é assim. A diabetes parece escolher o sexo masculino. Ou seja, se eu fosse uma menina não teria esta doença, quem sabe...   

Porque será? Eu bem pergunto à Dr. Benvinda. Mas ela diz que a medicina não tem resposta para muita coisa. Um dia, talvez, penso eu, que estou atento a certas coisas. Como aquela dum tal Galileu que quase morreu queimado por afirmar que a terra é redonda. Hoje toda a gente sabe que a terra é redonda. Está mais que provado. Por exemplo: o homem foi à lua e viu de lá a terra tão redondinha… A minha avó até diz que a imagem da terra vista da lua é como um poema que ela gostaria de escrever.

Agora vou deixar-me de coisas. A Dr.ª Benvinda chegou e sei que vai falar muito comigo e com os meus pais.

- Uma seca, o que nos vai dizer - digo logo, um pouco esquecido da minha voz açucarada, voz de Afonso, já vos expliquei.

- Sim – diz a Dr.ª Benvinda -, mas uma seca que te vai permitir viver muitos, muitos anos. Outra coisa, como tens picos de descida brusca de açúcar no sangue, tens de estar atento à sensação de desmaio. E nunca deves estar muito tempo sem comer.

Entrega-lhes uns aparelhos, uns livros, uns papéis onde o meu pai terá de escrever diariamente os meus valores de glicemia. Esta palavra é um bocado dura. Não gosto muito dela. Só lhe acho piada porque termina em “mia”. Lembra-me o gato do Rui, já vos falei dele. Mete-se debaixo do meu sofá e fica lá escondido durante o dia todo. Eu gosto dele. Por isso nunca digo à mamã que ele fez o seu esconderijo debaixo do sofá. Somente, à tardinha, com o silêncio almofadado nas patinhas, lá vai ele para a casa do dono.  

Agora vou-vos contar um segredo: Sou uma máquina trituradora. Gosto tanto de comer. E de tudo!

A médica ainda diz:

- Deves respeitares as horas das refeições, ter cuidado com os alimentos que podes comer, e com as quantidades. Mas, acredita, depois de habituado, não custa nada…

- Custa sempre um bocadinho. Porque eu tenho sempre apetite – respondo dum jeito muito doce. Eu sei que a Dr.ª gosta muito de palavras saborosas. Não admira, é mulher!

Tudo o que acabei de dizer é verdade. Penso mesmo assim.  O meu maior problema é ter um grande apetite. Ao que parece é próprio de quem tem a diabetes. E nem sempre cumpro direitinho com o que a médica e os meus papás me pedem. Agora, digo-vos um segredo, não vale contar: então vou à caixa das bolachas, ao frigorifico… e meto qualquer coisa gostosa à boca.

(continua)

 

BERNARDETE COSTA

publicado por Bernardete Costa às 19:14

link do post | comentar | favorito