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Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2014

SETE PALMOS DE TERRA

 

 Sete palmos de terra. Só. O espaço essencial para o fim. Do pó foste feito em pó te tornarás. Para pó, quanto baste, sete palmos de terra.

Maquilham-se os mortos preparando-os para desfilarem belos e ilusoriamente serenos como se aceitassem, numa pacatez impossível, a derradeira caminhada.

Sete palmos de terra para caber uma vida toda: amores, lágrimas, risos, educação, ambição, sucesso, poder…Tão pouco para o muito que se labutou e se conseguiu, mas muito para o vazio do nada que se levou.

Diferentes na vida, iguais na morte… - nem sempre, há caveiras com dentes e outras sem! Sete palmos de terra.

Sete palmos de terra, para o pobre, o indigente, o plebeu, o rei, o senhor. Nada mais. Ainda que alguns floreados, alçamentos de mármore, capelas, criptas…

 

Por vezes a esperança lança raízes à terra, e o amor é enorme, tão grande que ludibria o tempo com o sabor doce das meiguices.

Dizia a criança abraçada à ternura, à dependência de sua mãe: hei-de descobrir o elixir da juventude. Para ti.

Retribuía-lhe a ilusão infantil com beijos: sim, para mim e para ti.

Tu nunca envelhecerás, serás sempre assim bonita; um dia, estudarei e descobrirei o elixir da juventude, persistia.

Cabia toda no meu regaço. Sentia-lhe o corpo como um prolongamento de mim própria. As mãos acariciando o rosto, deslizando pelos cabelos, tacteando os braços. E a criança, insiste: para ti, o elixir da juventude…

 

E depois sete palmos de terra. Que poderão ser substituídos pela liquidez do mar ou pela volatilidade da atmosfera.

Deixas o poema? Sim, para tu leres dedilhando a viola de teu pai.

Hei-de descobrir o elixir da juventude, para ti. E já agora para mim, os dois, eternamente juntos.

Claro, sempre juntos. Até um dia.

Cresceste, vê como cresceste.

A barba delicada e negra emoldura-lhe o rosto jovem, envelhece-o.

No seu curso de engenharia o laboratório fica longe do percurso dos seus passos.

Não és mais o meu menino.

Olha aqui estas rugas. Estás a mudar.

Estamos.

 

Bernardete Costa

publicado por Bernardete Costa às 18:36

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