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Segunda-feira, 31 de Outubro de 2016

NOVE IRMÃOS

 

Tantos...

 

Tantos frutos do calor das sementes, tantos ramos das mesmas raízes. Somos nove a procurar o sol no calor dos afetos, tantos a desvendar o mundo que nos cabe. Essencialmente, esse mundo partilhado por risos e brincadeiras e partidas e traquinices…Nove a fecundar vida, a perpetuar no abraço do sangue a mesma origem que nos une.

Por vezes somos nove um pouco distantes, mas numa distância cada vez mais curta, distantes nesse perto de ternura que se torna urgente. Somos nove no presente mais unidos do que nunca. Porque o futuro assusta, o arrancar duma raiz, a morte duma semente…; sombras que perseguem a luz-vida no imprevisível devir, porque até toda a luz projeta a sua sombra.

Houve um tempo de preferência, dois a dois se fazia maior união, maior cumplicidade. Uns pelas artes, pela ciência, outros pelos passatempos – nem sempre muito compreensíveis e aceites pelos demais –, outros ainda pelos diversões partilhadas. Sempre juntos pelo amor, esse amor tão parco de manifestações, mas ali ao lado pronto a sarar feridas.

Hoje o presente marca mais ainda. Olhamos os rostos uns dos outros, e essa árvore de que fazemos parte já evidencia sulcos na pele, uns mais profundos, outros poucos revelados ainda. Também as idades divergem, naturalmente. Mas dizem, todavia o tempo a ranger ossos e a pele atraída pela traiçoeira gravidade, somos um ramalhete de bonitos irmãos. Sim, sermos filhos de quem somos, dessa árvore frondosa e bela, fez-nos sem grande feiura, e permite-nos a vaidade de abençoar essa árvore que nossos pais semearam.

O espetro da doença e dum qualquer maléfico imprevisto ameaça-nos como uma espada de Dâmocles. Um dia, no tempo que se avizinhará, restará apenas um ou outro frágil momento a persistir nas lembranças, abrigado da dor na clausura dos nossos corações, como uma dádiva divina.

Um dia morreremos aos poucos, como feridas que não cicatrizam mais. Um dia dir-se-á que o destino, já cansado do tempo que nos ofereceu, escreveu a data da partida. Ou ditou o momento adiado. E choraremos como os frutos excessivamente maduros pendentes da ramagem. Ou choraremos com os olhos cegos e secos da idade, sempre que o frio cúmplice da ausência apagar as memórias da casa, das alegrias, das lágrimas… e das inúmeras sementeiras que florescem na matriz do mesmo sangue.

E como nossa mãe, saudaremos os pássaros a cada manhã com risos traquinas da infância.

Bernardete Costa

nove irmaos.jpg

 

publicado por Bernardete Costa às 17:25

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