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Domingo, 4 de Maio de 2014

MÃE

 

 

 

Correndo o risco de me repetir, "hoje é o dia da mãe", ainda que seu dia seja todo o dia. 
Assim sente quem a tem vigilante a seu lado, assim sente quem a vê habitar de novo criança o seu mundo de pássaros, assim o sente quem a viu partir para o mundo da ausência perene. 
No entanto, minha mãe, até pela carga emotiva e persuasiva das palavras que a sociedade impõe, chegou-me sorrateira ( minha mãe era muito malandra...) no silêncio duma madrugada insone. 

Mãe

Deixa-me recuar a esse mago tempo da infância
e ver-te recortada num halo de encantamento.
Debruçavas-te sobre a criança que era
e viajavas comigo nesse beijo
que se aninhava
perfeito no meu coração.

Sabes, a tua voz na luz da manhã
era um milagre de amor
por entre recusas do sono e do calor dos lençóis;
mas era na noite que a doçura das tuas mãos
se suspendia no meu rosto
e logo adormecia.
Depois, no meu sonho,
uma dança de pombas entrava pelas janelas;
suas asas sem fim desciam sobre as margaridas
que colhia no jardim e te oferecia
num murmúrio de amor festivo.

Eu sabia, mãe, que de manhãzinha, o sol
vinha sempre contigo afugentar alguma sombra
erguida nos braços tristes da noite.

Mãe, sei que és vulnerável à minha distração,
e me sentes partir para onde o sol não adormece…
Mas tu
és sempre o meu seguro firmamento, 
e mesmo que desmereça esse sentimento
tão doce e tão puro,
acolhe o meu sorriso no coração do anoitecer.

(...)
(In Transpiração, poesia para a juventude)

publicado por Bernardete Costa às 10:18

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