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Quarta-feira, 19 de Novembro de 2014

LENDA DOS CAVALOS DE FÃO

 

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LENDA DOS CAVALOS DE FÃO

 

            Há muitos, muitos anos, uma grande embarcação de madeira pintada sulcava o oceano de furiosas águas, sob os céus zangados.

            Ruijin, o dragão deus do mar, apelara a Tsunami, o deus das tempestades marinhas, para provocar o naufrágio daquela embarcação vinda das arábias, que pretendia entrar no rio Cávado, mesmo junto às terras de Fanno.

            Estes deuses eram impulsivos, mas também bondosos. Não gostavam que aquelas gentes estrangeiras entrassem nas águas do Cávado com as suas naus. Porque, ao regressarem às suas terras, levavam minérios e madeiros de pinho bravo. Estas mercadorias eram depois cobiçadas pelos vários povos da terra e do mar, que, em lutas terríveis, se matavam uns aos outros.

            Por isso, se zangavam muitas vezes Ruijin, o dragão deus do mar, e Tsunami, o deus das tempestades marinhas, que sendo impulsivos eram também bondosos.

 

            Desta vez, este barco das arábias vinha carregado com três belos cavalos árabes, uma oferta de paz aos senhores das terras de Fanno.

            Com eles viajava Kalilla, uma princesa de longos cabelos negros e olhos d’água, que não parava de chorar. Ela sabia que tinha de se separar dos seus amados cavalos, principalmente da sua querida égua, Ofirina.

            Mas o deus do mar, Riujin, e o deus das tempestades, Tsunami,  estavam naquele dia mais furiosos do que nunca, por causa dos homens que se matavam uns aos outros, e provocaram o naufrágio da grande embarcação.          O belo barco, os lindos corcéis e a princesa dos olhos d’água mergulharam nas águas frias do mar.

            A princesa, muito aflita, agarrou-se ao pescoço da égua Ofirina tentando salvar-se.

            O deus Ruijin, condoeu-se e, da sua enorme boca, lançou uma nuvem de gelo. De imediato, os cavalos transformaram-se em enormes e gelados penedos.

            A princesa Kalilla, bem agarrada às crinas de Ofirina, conseguiu montá-la e subiu até à superfície do mar. E assim se salvou daquelas águas geladas.

             No entanto, a princesa chorava, enquanto afagava o pescoço de pedra da égua. Não queria mesmo salvar-se, nadando até à praia doirada que avistava perto.

            Deste modo, também Kalilla acabaria por ficar petrificada como os cavalos. Mas o deus dos mares, Ruijin, cheio de pena, transformou a princesa dos olhos d’água numa sereia vestida de prata como a luz da lua.

             

 

            Nas noites de tempestade, em que Tsunami ruge, como se fosse um leão, zangado com os humanos que tantos males provocam no mundo, a Sereia das Lágrimas, como ficou conhecida a princesa Kallila, reaparece cavalgando a sua égua, iluminada pelos raios lançados pelo furioso Tsunami.

             E o canto maravilhoso da sereia avisa os pescadores do perigo, quando se fazem ao mar e se aproximam dos penedos, os cavalos de Fão, como toda a gente hoje lhes chama.

            Contudo, Ruijin e Tsunami amam a Sereia das Lágrimas e zangam-se com ciúmes, quando a ouvem cantar para avisar os pescadores.

            Com medo das fúrias de Ruijin e de Tsunami, os habitantes de Fão, as antigas terras de Fanno,  sabem que, quando se ouve a sereia, devem ficar em suas casas e nunca, mas nunca saírem atrás da sua voz encantada.

            Porque, quando os deuses estão irritados e ciumentos, a praia de Ofir é praticamente engolida pelo mar revolto, tal como as embarcações que ousam lançar-se ao mar, apesar do aviso da bela Sereia das Lágrimas.

 

 

           

Recriação da lenda dos cavalos de Fão, contada às crianças

Bernardete Costa

2011

publicado por Bernardete Costa às 13:47

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1 comentário:
De antonio Torres a 11 de Outubro de 2015 às 14:40
E dsi nasceu o nome de Fao (((fanun))eo nome de ofir ((ofirina)).

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