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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2016

CÁVADO

cavado.jpg

Cávado

ó meu rio Cávado colhendo beijos
nas coxas ardentes do estio, amado senhor
de meus segredos, lâminas d’areias
na fecunda turgidez dos seios,
fulvo reflexo noturno a pulsar esplendor.

olor dos lírios no desvario dos corpos,
sussurros de areal, amplexos e desejos meus,
manhã tarde e noite de acolhimento
em lábios de sereia; ó rio, cicio dum deus
em ninfa cidade que em ti se espelha.

vem da memória, ó rio, deslaçar venturas
no eflúvio das tardes adolescentes,
vem saciar a fome de ternuras no sem nome
de mãos entrelaçadas a cumprir delícias
em margens inundadas.

mergulha na torrente a brisa fértil da luz,
retém em tuas águas o lume do firmamento,
um momento de glória, e vem selar o destino
na foz que te aguarda em carícias de sal
nas ardentes pupilas do vento.

ditoso rio na transpiração do poema
a superar muralhas na voz do meu clamor;
nos acordes de Vivaldi em sinfonia de verão
vem compor a partitura na clave da ausência
na essência da pedra, da água, da flor…

ó amado rio da infância, templo de cristal,
cúmplice amante no espanto de meus versos,
vem escrever barco e afagar águas
a rumorejar ondas no meu eu musical.

ainda oiço teu cântico no apelo do verão,
ainda oiço o teu arfar na zanga dos invernos,
ainda te oiço no sopro tangente do norte
tumulto de vida, fulgor…e morte.

mas por entre o labirinto da paixão
e a dureza da penedia, no corpo da metáfora,
toma como dádiva esta epifania, presente
dum abismo de amor e insurreição.

Bernardete Costa

Querida amiga, Bernardete Costa:

Foi com imenso prazer e emoção que te ouvi dizer este poema dedicado ao nosso velho e terno rio Cávado.

Por isso faço-te um pedido por escrito: se terias a gentileza de abraçar o teu poema à minha pintura em aguarela, que também contempla o nosso bem amado rio.

Fico-te agradecido. E penso que tu também. Se uma imagem vale mil palavras, e estou convicto que sim, este teu poema não deixa de ser um espelho de outras mil.

 

Teu amigo,

Fernando Rosário

publicado por Bernardete Costa às 18:55

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