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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2016

CAIS

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(Tela do pintor Fernando Rosário)

 

Aqui se diz da memória dum rio ancorado

na faina das gentes, do punho forte do pescador

na tessitura intrincada das redes,

dessas águas na moldura da vida … e da morte,

da aurora fundeada no imprevisto do mar

 

onde o momento é uma crisálida de névoa.

Pintam-se silêncios de esperas

e o tempo geme na carícia dos dedos; mas o rio

redentor dança sob a chuva e o sol

e como o amor é genuíno deslumbramento

 

Aqui se diz das mulheres antigas,

beatas no fervor das matinas a invocar

a senhora dos mareantes:

essas mulheres amantes a suspirar preces de amor

num enleio de negras mantilhas e de vento;

aqui se diz do alvoroço das crianças,

atordoadas aves ao festim do chamamento

 

Aqui, nada mais se diz; nesta tela o tédio o medo

e a ira são razões efêmeras e a vida

é bebida apetecida logo que o voo da gaivota

esboça iniciais  de barco a abraçar no horizonte

a mancha de tinta das águas

… para só depois aportar ao cais

onde se pode placidamente ser feliz.

 

Bernardete Costa

 

 

publicado por Bernardete Costa às 22:08

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