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Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2014

AVE NO EMBRULHO DO AZUL

 

Repara nessa ave planando na imensidão superando feridas.

Sou como ela ansiando liberdade a sangrar pedaços de vidas. Simples imitação a mergulhar no voo de mim. Como se fosse possível voar num azul sem nuvens, como se fosse viável o trajeto por entre o embrulho instável dum espaço de ar e fogo e água.

Dizem que vivo no coração duma ave sonhando miragem pelo desconhecido.

Sim, sou ave leve de plumagem porque invejo o seu voo disperso, a fuga das partidas.

O espanto acolhe-me, toma meu braço de ave, e de imediato se fixa no olhar da surpresa que sobrevém ao acontecimento.

Mas quantas vezes a ave que sou não passa duma avestruz!

O certo, de tudo o que digo e faço nem eu própria tenho entendimento.

 

Na quietude ilusória, a implacável falta de ar comprime meu peito.

E na ausência dum voo conquisto palavras, perfumes, amadas imagens que recortam na planura um novo mundo, com sabor a mel e medronho e a fragrância de miosótis.

Uma ave não pronuncia destino. Ser essa ave na minha sombra e, num alvoroço, vestir-me de plumas nas asas dos que me amam.

Ainda assim, dizem que firo como farpa a mente da pacatez, que tanto arribo voo como poiso num castelo de areia.

Esses, creio, não sentem a respiração do vento, nem toleram o crescimento de asas, nem ousam a liberdade da ave.

Ah, ser ave prenunciadora de novas, ainda que no tumulto dum imprevisível porvir...

 ave.jpg

 

Bernardete Costa

 

 

publicado por Bernardete Costa às 15:42

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