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Quinta-feira, 12 de Março de 2015

ATÉ UM DIA

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Quando aqui voltares, e teus passos

decalcarem meus passos no mosaico da marginal,

teu olhar remoto abrigará na memória

a paisagem virgem do sapal

 

e reencontrará na babugem do rio as aves

dos meus versos, as rimas hieráticas das gaivotas

planando no azul do céu;

 

também a solidão duma garça migrante,

como tu ausente da sua origem,

orientar-te-á pela bruma da manhã, para que

te reencontres junto à foz nesse amplexo de  rio e  mar;

 

e no apelo sedutor de areias e águas,

te deixarás enlear num abraço intemporal

para que possas assim verter as lágrimas de sal

dessa saudade que te aprisiona.

 

Quando um dia aqui chegares, vira-te

para o poente, abre os braços e sente no ardor do sol

o mesmo fogo que em ferida aberta

o meu corpo incendiou.

 

E se um dia voltares e o tempo

não mais permitir a impressão de meus passos

na pedra da calçada, caminha na direcção do farol,

 

e na foz onde os peixes luzem como almas

e minha boca de cinza canta a canção das ondas,

sente meus dedos de espuma que vagam na eternidade…

 

Depois, o mar em teus olhos d’ água retomará

as areias das nossas memórias

e em teus pés nus beijará o tempo que findou.

 

Lembra-te então daquele amor adolescente 

que por aqui permaneceu e viveu esperando somente

reconhecer os teus passos no eco do vento

soprando sobre as pedras.

 

E ainda que teu corpo se dobre de dor por

me saberes ali,

água, pó e cinza, caminha sobre a praia,

colhe os grãos de areia nas mãos e verte-as devagar

como numa ampulheta sem tempo.

 

Por fim, retoma o teu caminho e diz-me adeus,

um adeus como quem volta sempre:

até um dia amor,  espera-me, que voltarei para ti

 

definitivamente.

 

(iN CÂNTICOS DE SEDUÇÃO)

Bernardete Costa

 

 

publicado por Bernardete Costa às 21:53

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