https://youtu.be/QLCDymoJD_0

Os Meus Livros

https://youtu.be/Fke4JjUZDTs

posts recentes

O REFLEXO NO ESPELHO

"O VELHO DA HORTA", PELA ...

MÚSICA DE TODOS OS TEMPOS...

ESPETÁCULO UAE (UNIVERSID...

PORTUGAL EM FESTA

O REI TRISTE

A VOZ DO RIO - CONTO INFA...

A POESIA NA ESCOLA DE ABA...

ÓDIO

SORRISO

arquivos

pesquisar

 
https://youtu.be/Fke4JjUZDTs
Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008

MAGIA OUTONAL

 Nestes dias de Outono, convidativos à contemplação de todo o oiro do mundo descendo pelas encostas da serra, dei comigo sem nada para fazer que não fosse esta absorção pelo fascínio ímpar da natureza, inocente e voluptuosa, espraiada sob os derradeiros ardores do sol.

Deixo-me entranhar por este encantamento outonal, por estes dias mágicos ameigados pela despedida da luz e, talvez, mais por isso, toda a beleza estranha da paisagem me solicite a revisitação das mais doiradas emoções de tempos idos, e vindos no momento à tona do presente.
 
Telefonei. Mais uma vez fui eu que liguei na tentativa suprema de reencontrar as memórias. Só desta vez, prometi.
E lá estavas tu, a tua voz calma e ligeiramente enrouquecida (parecendo sorrir?), num convite igual ao de sempre: vem!
Fiz o percurso idêntico ao de tantas vezes. Somente, o meu coração batendo desordenado nesses tempos de juventude perene, adivinhava-se agora quase imperceptível; e nem as minhas mãos no volante suavam mais ao sabor daquela adrenalina, que então previa ao rubro quando me aninhasse nos teus braços.
Como a doçura doirada das encostas soçobrando em jeito de desmaio, cheguei a tua casa, só para me despedir, definitivamente, disse.
Quando te vi, as cãs do cabelo surgindo por entre o negro do teu cabelo, quanto tempo havia decorrido desde então!, estremeci ligeiramente. Todavia, o teu rosto onde o sorriso impunha sensualidade era o de sempre. Também eu envelhecera e, embora buscasse em ti esse tempo mago em que o amor é eterno, queria-te somente a meu lado, para falarmos, disse. Mas tu eras o mesmo. Querias-me do mesmo jeito avassalador e premente. Vem!, repetias.
Envolvi-te o rosto, tacteei o seu contorno e num jeito de asa ferida deixei cair as mãos.
Vês, o amor é eterno. E a prova é a tua presença, murmuravas enquanto me enlaçavas a cintura.
Desviei a boca que procuravas na urgência que crescia em ti. E depositei um beijo sonoro na tua face. E rindo, saí levantando a mão num adeus. Que desejava que fosse definitivo.
 
Sim, talvez o amor seja mesmo eterno. Sempre que a teu lado reencontre a partilha das palavras e das carícias.
Sim, talvez o amor seja eterno, nessa doçura que me leva e traz e me deixa ficar junto de ti, ainda que o Outono, na sua magia estonteante, me transporte como folha doirada ao tempo mais belo das nostalgias.
 
Bernardete Costa
 
 
publicado por Bernardete Costa às 19:44

link do post | comentar | favorito
 O que é? |  O que é?