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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

MINHA MÃE, TECEDEIRA

Minha mãe, tecedeira de rotinas, chama e persiste

no chamamento; eu sei que ela

não finge o suor que lhe cai das palavras

como gotas de sol no frio da vidraça;

eu sei que dela o amor não passa e escorre

pelos beijos como pelas zangas.

 

Ó mãe, vou já, digo em jeito irreverente.

No meu quarto, o relógio gira ao contrário e o presente

espreita pela janela avesso a calendários

jorrando como nascente na agitação da foz.

 

Anda comer!,da voz de minha mãe, pedaços de dor

nos excessos de cansaço sobem pelas escadas.

Eu, como um camaleão, desço pela garganta da anarquia,

desafiando o rubor das suas palavras:

 

estou-me nas tintas para os teus horários, grito num desafio,

o meu sol retém-se nas suas voltas

 e onde era mar agora é rio…

 

Minha mãe, colhendo

lágrimas no avental, tranca a porta da casa e, tremente,

diz que a terra gira à volta do sol,

 e  os relógios são ventos solares,

 possuem a exigência do compromisso.

 

Só mais tarde

eu saberei disso, quando me doer a inexistência

dos cuidados e dos beijos de minha mãe

na mudez da sua ausência.

 

 

Bernardete Costa

publicado por Bernardete Costa às 17:30

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