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Terça-feira, 27 de Setembro de 2011

SER AVÓ

Ser avó é dizer sim quando apetece dizer não.

Ser avó tem destas coisas inexplicáveis: uns bracitos mornos

à volta do pescoço, um beijo doce seguido dum sussurro de mel:

dá-me um gelado, e dar o gelado sabendo que o dentista proibiu e  no segredo do abraço, toma, não digas nada à mamã!

Os avós a ensinar o amor e a ensinar…a mentira.

 

Ser avó, é querer ir ao centro comercial com as amigas, ou ler o jornal no sossego do sofá ou do café, e, de repente, surgir a pequenada à porta a solicitar abrigo seguro, avó fico contigo, enquanto os papás vão ao cinema.

Ser avó é, numa melosa doçura, ter consciência de que tudo se repete, ainda com maior intensidade; a fraqueza da idade tem destas coisas, amolece-nos e faz-nos agarrar os afectos com outra veemência. A idade avança velozmente e quase num desespero de vida pegamos tudo o que vem lambuzado de ternura. Principalmente não evitamos os beijos, não vão eles se descaminharem como tantos outros no passado.

Assim, a contrariedade inicial vira ballet, corrida, casinhas, cantigas, histórias, bola, até luta!

 

Por vezes, custa mesmo ser avó. Os netos receiam perder os papás e pensam ser deixados para trás quando acolhem às nossas casas, pequenas ou grandes, citadinas ou rurais, mas casas sempre temporais.

Por vezes custa ser avós, quando o cansaço nos apanha pelas manhãs e nos apetece mais chorar do que rir.

Mas sabemos, cabemos a nós fazer desabrochar os risos nos seus rostos tão lindos e amados, e como se faz às flores, ampará-los com desvelos e cuidados, regando-as com a liquidez do nosso amor incobrável.

 

Ser avó, é tentar compor o ramalhete perfumado e colorido da vida, tentando esquecer uma ou outra flor perdida.

Agora é o tempo da alegria, das cantigas, de abraços e de muito colo. Mesmo que a mamã diga: Não adianta o choro, precisa de castigo!

Ser avó, é responder como quem manda: hoje não, fica comigo, é dia de estragar os netos, para os pais, o trabalho, e quantas vezes inglório, da educação.

 

Ser avó, é ter direito a todo o amor do mundo, e dar o amor todo que se tem, e mais todo o amor que se reinventa sempre que nasce um outro neto.

 

BERNARDETE COSTA ( 2011)

 

publicado por Bernardete Costa às 19:02

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