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Domingo, 24 de Abril de 2011

"grito vermelho num campo qualquer”

 

Toma-a de sua liberdade, no veludo prado,

arranca-a à convulsão dos gritos, sopesa-lhe o caule:

como é frágil, como se dobra ao sopro do tempo.

Toma-a entre o polegar e o indicador,

aconcha-a na palma e retém a carícia da corola -

mas não confundas, não desejes esmola –

ela revolver-se-á na perversão doutros gritos; sente

a alienação: nem vermelho,

nem laranja, nem tangerina           semente?

 

Amortalha-lhe a alma, somente sangue e sol

a desmaiar nos teus dedos; nem mais pólen

a soltar-se dos grãos, não mais a fecundação da raiz…

Não desistas, toma-a na tua mão

e leva-a à sede dos lábios,

beija-a, sorve-lhe o néctar que se desprende do olor

 e se derrama na utopia; deixa-a vibrar no sonho;

sim, deixa-a repousar nos teus lábios,

sente nos cravos a infinitude do amanhã.

 

Agora pára. Permite a aragem da liberdade tocar-te:

não vês que asfixias o vento que embandeira o grito?

Não há cor, nem fragrância, nem vontade

a saciar a melancolia do meu olhar

se aprisionas Abril nas páginas

                                                       da temporalidade.

 

 

 

 

Bernardete Costa

publicado por Bernardete Costa às 23:54

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