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Sábado, 12 de Março de 2011

PRETENDE SER UM ESCRITOR?

Um dia destes, tive a surpresa agradável de encontrar este texto na lista literária “Amante das Leituras”. Pela forma clara, fluida e conteúdo para mim inédito, atrevo-me a transcrevê-la neste meu blog. Quem sabe, algum leitor encontre interesse nesta prosa e, porque não, nestes conselhos...


*Para saber se você está realmente se tornando um escritor, experimente não sentir nada quando escreve. Simplesmente escreva sem a mínima intenção de escrever. No momento certo. Sem compulsão. Faça suas coisas. Cuide de sua vida. Escrever é o de menos para quem escreve. E por favor, não repita o
mantra absurdo: preciso escrever; se não escrever estarei morto. Não seja estúpido. Escreva. Nenhuma intenção. Não pretenda sequer que o texto seja lido. Isso é o mais importante. Não querer ser lido. Querer ser lido é um sintoma absoluto de total inaptidão à escrita. Está acompanhando? Preste atenção, porque isso aqui não é brincadeira. Esqueça você. Você é o que menos interessa. O importante é a diversão. É como riscar um fósforo. Vai
ser somente uma vez e depois não se repetirá. Você pode até pegar um outro fósforo da caixa e riscar. Mas esse gesto não significa um novamente. São fósforos diferentes. O modo como você displicentemente enfia as mãos nos bolsos à cata daquela caixa de fósforos. Suas mãos localizam o objeto e você
sabe que é a caixinha pois foi você mesmo que decidiu por vontade própria usar fósforos em vez de isqueiros. Não tem outra. Você não pensa nada.
Somente retira a caixa do bolso e faz aquela sonoplastia de chacoalhar os palitos todos. Abre-a. Tira um dos fósforos lá de dentro. Qualquer um deles.
Risca-o. Pronto! Tudo acontece muito rápido. Percebe? Sem pensar nada.
Nenhuma performance. Apenas o gesto inocente de acender um fósforo. Do mesmo modo que um imbecil qualquer se acostumou a atender imediatamente o portátil e no meio da rua travar uma conversa longa com direito a risadas e tudo o mais. Assim é que tem que ser. Nenhum ritual. Nada disso. E não quero dizer
com isso que não houve previamente aquele momento anterior. Exatamente quando você estava coadjuvante na situação. Observando tudo. Sem fazer qualquer julgamento. Isso é fundamental que você anote. Não tem como fazer
julgamento. No momento em que você faz o julgamento, meu amigo, nesse exato momento é que você perdeu o seu personagem. Está compreendendo? Escute bem
essas coisas todas. Estou dizendo isso de graça. Não ganho nada relatando essas preciosidades pra você. Digo porque quero dizer. Só isso. Então, vamos supor que você esteja numa situação. A gente sempre se mete por aí em muitas, inúmeras situações. As mais diversas durante o dia todo. O escritor não pode se dar ao luxo de se distrair. Vai ter uma hora, uma coisa mínima, um detalhe nos trejeitos do carinha que está, vamos supor, contando uma
piada. Ele vai se distrair. Afinal ele é só um cara contando uma piada. E o que ele mais quer é que todos riam quando ele terminar de contar tudo. Ele vai querer, principalmente, eu diria, que a garota que está segurando um copo com um drink exótico e não tem nada a ver com a situação comece a se interessar com a performance mínima que ele está desenvolvendo. Se você for realmente um escritor, ninguém prestou atenção em você. Isso é muito
importante, está compreendendo? Se alguém que também está ali consegue observar que você está observando tudo isso, então ali está um escritor melhor que você. Não deixe que isso aconteça. Tente dar conta do conjunto todo. Você com sua câmera poderosa usando a sua disposição todos os comandos. Um aparato certamente essencial. Câmera lenta desde o instante em
que a piada começa a ser contada até que ela surta o efeito desejado.
Congela a cena. Todos ali rindo a valer. O carinha que contou a piada sente-se bem. A gente sabe que isso sempre provoca uma espécie de satisfação. Todo idiota sabe disso. Nesse momento é que você percebe tudo.
Percebe que o cara que contou a piada tirou as mãos dos bolsos e apalpou a carteira com o olhar longamente voltado pra moça que não tinha absolutamente nada a ver com a situação. Você percebe qual era a questão toda ali. Nesse momento você já pode ir embora. O que continuar depois disso será somente uma consequência desse flagrante já registrado por você. Acredite-me. Não há
mais o que vê. E não tenha expectativa alguma. É apenas um exercício. Um ínfimo exercício que muito provavelmente não vá lhe servir pra escrever uma linha sequer. Somente uma sensação. E nesse exato momento você não vai pensar absolutamente coisa alguma sobre ser escritor ou sobre questões literárias. É isso. Se é que você me entende.*

Nara em Cecília não é um cachimbo - http://cecinest.blogspot.com/

publicado por Bernardete Costa às 23:37

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