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Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2011

Amoras

Amoras pretas, amoras da infância,

favos de mel, néctar silvestre pelos muros

na embriaguez de quintais e florestas;

amoras pretas pelas estreitas congostas

e as bicicletas a rolar na vibração do sol.

 

Uma, duas, três amoras pretas

na pintura dos lábios a mitigar a secura

das bocas na cor do verão;

amoras pretas, quantas rentes ao chão

chorando licor, húmidas

 

amoras pretas na tinta das mãos, âmbar

doçura no azul da estação em vício menino.

 

Uma, duas, três amoras pretas e o fulgor

da infância paralisado no muro do caminho

e a memória a trazer a frescura negra

à boca sequiosa dum improvável destino.

 

Os anos amordaçaram poeiras, mas puras

como a alvura das pétalas  nas rosas,

de novo amoras pretas na boca da paixão:

uma para ti, outra para mim, outras imperiosas

resgatadas do claustro do coração.

 

Reencontrei amoras pretas na rama do vento,

doces favos de mel, beijos de cor no verão

espreitando do tempo como um pressentimento.

Do longe que me algema a infância,

selei um beijo amora em carta de lembrança e

logo o fiz seguir em verde correio de urgência:

 

amoras pretas, amoras pretas nas bocas,

suco de medronho       

                                    a tingir

                                                     a tua ausência.    

 

 Bernardete Costa

publicado por Bernardete Costa às 22:07

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