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Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010

CARTA AO PAI-NATAL

Pai-Natal:

Eu não te peço nada porque

sei que não existes; és apenas invenção

para mais com saco a abarrotar de tanta coisa dispensável,

ainda que te esteja no íntimo seres amável.

Mesmo assim, se tivesses um coração de verdade,

e viesses da Lapónia onde o gelo começou a derreter

há 10 mil anos, vê se te lembras

já que te fizeram imortal!, peço-te, Pai-Natal,

não me impinjas também o aquecimento global

que é prenda de fogo que nos amordaça…

porque outros, fartos de deitar para o ar fumaça,

impõem negaça aos povos em crescimento

o que a si próprios permitiram. Chama-se a isto, Pai-Natal,

inventado ou de verdade,

comer a carne e deixar os ossos, já dizia a minha avó

com a sabedoria que mora na idade.

Eu sei que a tua invenção não foi casual, e que todo o Natal,

aos corações dos infantes, tu iludes a imaginação

por mágicos  instantes.

Claro, Pai-Natal, algum mérito terás na ilusão do momento;

(dando respectivo desconto ao artista americano,

pôs intenção na criação da tua figura

que até chateia pelo Natal, quando me aborda na rua…)

Pensando melhor, até te aceito:

se realmente o sol brilhar na neve mais pura

onde os mendigos se acomodam;

até te reconheço humano, feliz e imortal se do teu saco

pejado de quinquilharia

sair um cheque chorudo, uma mão cheia de notas

ou até  um sortudo bilhete de lotaria

para repartir por todos os desempregados deste país

que esticam o cêntimo  até arrancar raiz -

não vá  o banco, desgraçado!, com tanto prejuízo,

leiloar a casa ou o carro.

Por vezes, dou comigo a pensar: o Pai-Natal é tão bom,

porque da sua risada

eu brinco  à vontade de gargalhar

e do meu riso brotam pétalas de flores

que tombam docemente pela rua

aspirando no perfume as misérias e as maldades…

Contudo, Pai-Natal, tudo não passa de lérias, até a poesia…

Apenas tenho saudades de mim desse tempo de criança

em que acreditava na esperança que trazias,

quem sabe escondida na neve da manhã…

Indubitavelmente, para alguns, és o Pai-Natal,

inventado ou verdadeiro,

em dia tão especial

tão amigo e tão porreiro, pá.

 

 

Bernardete Costa

publicado por Bernardete Costa às 17:49

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