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Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

MERDA

Estas são as palavras que mais admiro, no momento: a poesia de José Dias Egipto. Neste blog fica a minha homenagem:

 
Merda

Merda ! Já não consigo escrever!

Fecharam-me as asas da esperança,

deixando-me só penas para abrir,

cercaram-me de arames os dias

com espinhos de medo,

trazendo-me em bandejas as cabeças dos amigos,

condenados ao sofrimento e à morte prematura.
 
e quiseram que escrevesse.

Levaram-me o poeta que acreditava na vida

e que escarnecia dos abutres.

Cortaram-me a voz dos fracos e penduraram-na

na cama de um hospital.

Quiseram-me levar as soleiras da minha porta,

as janelas do meu quarto,

as plantas do meu jardim,

os meus óculos para que não lesse as horas do meu dia.

.e pediram-me que escrevesse, sabendo que eu não podia.

Vasculharam-me os desejos,

cobiçaram-me a companheira,

desnudaram-me os sentimentos mais sublimes

e riram-se deles.

Maltrataram a gata que me acolhe em languidez,

partiram-me os vasos da alegria

e querem agora fazer de mim gato e sapato.

E intimidaram-me sempre com a folha de papel.

Cobrem-me a noite com pesadelos,

onde não há noticias do futuro.

Amarram-me as mãos e pedem-me que escreva.

Mas eu ainda escrevo, merda,

porque resisto

e ainda estou vivo e solidário !

José Dias Egipto
 
publicado por Bernardete Costa às 18:12

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