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Quinta-feira, 7 de Outubro de 2010

Memória

Esta publicação no meu blog, é a reacção enternecida de quem teve por alunos crianças maravilhosas!  

 

 

De Margarida Ruela a 3 de Outubro de 2010 às 17:49

Professora, deixo aqui um pequenino texto que escrevi no dia seguinte ao nosso reencontro, em honra das memórias que o mesmo despertou.
Devo dizer que hoje, com 17 anos, escrever é parte de mim, o que mais amo fazer e o verdadeiro dom com que nasci. Assim, devo agradecer-lhe por ter despertado desde tão cedo esse gosto pela escrita, pela leitura, pelas palavras, pelos afectos e emoções sem os quais hoje não viveria.
Aqui fica:

Cerro os olhos. Por instantes efémeros, o tempo abranda e eu retomo aos singelos seis anos da inocente meninice.
Mergulho na voz quente que enche a sala. Inunda de ternura o ambiente, absorve os que a escutam e embala-os num manto de memórias. Aí, odores dissipam-se pelo ar, perfumando de antigamente o agora, enquanto melodias nostálgicas tocam sem som. E num repente encontrava-me, como outrora, entre as quatro paredes caiadas de saudade, onde a idade esfiapou a infância.
Consegui, por momentos, bambolear as pernas despreocupadamente, sem alcançar com os pézinhos o chão de madeira carunchosa, sentada na cadeira desproporcional ao esqueleto de criança que os vestidos amarrotados do recreio exibiam. Palpei a ampla mesa de trabalho, aquele tampo largo onde acomodava numa ordem precisa um arco-íris de marcadores, lápis de cor, canetas...
Observava tudo ao meu redor, debaixo das lunetas que desde muito pequena necessitei para ver com clareza a realidade. O quadro empoeirado de giz, o crucifixo carcomido pendurado na parede, o relógio vermelho, de grandes números e ponteiros... Tique-Toque, Tique-Toque. Ansiávamos pela hora de ir dar vida aos sonhos, na terra suja do pátio. Em quantas brincadeiras contruímos castelos de ar que com o vento se dispersaram... Tique-Toque, Tique-Toque.
O tempo correu. Com o alor da ânsia de crescer que nele depositamos, apressou-se.
Abro calmamente as pálpebras.
Tenho dezassete anos outra vez. Continuo a viver o mundo de fantasia pueril de quando ainda mo permitiam. Contudo, hoje, não desejo com fervor que se aproxime o intervalo, mas almejo desesperadamente o retrocesso dos grandes ponteiros vermelhos do relógio da parede caiada de saudade.

 

publicado por Bernardete Costa às 11:08

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