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Sexta-feira, 17 de Setembro de 2010

MEUS PEIXES COM OLHOS D’ALMA

Na minha terra há rio ora dolente ora bravio

e sei desse rio porque o vejo da minha janela.

Se te disser que ele existe não duvidarás

porque em meus olhos há um lago, que a ele fui buscar,

assombrado por uma neblina triste.

 

O rio abraça-se na foz ao mar, então

a névoa da ausência é um cristal de sal que arde

nas escadinhas dos meus olhos interiores.

Nesse rio moram os peixes com olhos de alma;

sempre que os convoco na minha tristeza

eles voam em suas asas de fingimento e soltam

trinados de aves convocando as sereias

que me levam em brincadeiras rio  abaixo, rio acima…

 

Depois, quando as lágrimas se vertem em risos

na minha escrita, meu poema de águas e peixes voadores

e sereias de prata salva-me da atracção da morte.

Nem mais a raiva que domina o sofrimento

me sabe a fel porque as cores da alegria é a doçura

do mel soletrando sílabas em meus versos.

 

Sabes, a idade desta paisagem não é imortal

e mais lancinante que uma súplica,

as areias ferem-me as mãos, pois as palavras

que moram nos rios, e ainda

que pertencendo à sabedoria dos peixes ,

não permitem ler em teus lábios a infinitude da palavra,

amo-te.

 

Bernardete Costa

 

 

publicado por Bernardete Costa às 19:16

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