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Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

TRONCO SECO QUE SE AGARRA E BÓIA

 

Há quem diga que o nascer é uma arte:
vejamos a luz da aurora, o florescer dum galho
a penugem doiro dum pássaro escarlate
este horizonte bebendo no espelho do rio…
Minha mãe nunca o disse: quando nasceste
foste a minha terceira obra de arte.
Eu sei que minha mãe desconhece que dar à luz
tantos filhos foi a sua grande produção artística.
Doutra forma o vazio da sua vida
ainda que preenchido pela mística
seria somente um fosso negro uma tela esboçada
a lágrimas e a solidão
Hoje minha mãe é como um tronco seco
que se agarra e bóia: irredutível arte
de vingar a vida atrasando dentro do possível
a própria morte.
A caducidade que lhe orienta a fala e os gestos
será talvez a arte maior. A redutora expressão
estética que lhe permite sobreviver
na consciência do nascer de cada filho.
publicado por Bernardete Costa às 18:00

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