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Terça-feira, 13 de Julho de 2010

AINDA O DRAMA DE HAITI

 

HAITI

 

A neve de cinza e escombro cai mortífera,

a mortalha da morte surpreende num pesadelo vivo

(como explicar a morte quando a morte vive na vida)

e entretém-se com as cores da miséria e da dor,

divertindo-se com quem nada tem e sem nada fica.

Crestada pelo sol e pela chuva, fruindo a tragédia

da nudez da terra, a morte aninha-se nas pregas da existência.

Por vezes, a vida persiste num suspiro, toma

a mão estendida e um sorriso floresce

 no pólen do pó e do sangue: sorriso de criança,

flor na busca da luz, renascendo das pedras

como vergôntea brotando da árvore nua.

Outras são as mãos que na torpeza animal instintiva

se enleiam no sangue do desespero e da astúcia.

Quem traça o limite? Como colher

 a filigrana de grãos e frutos e sementes e permitir

o fluir da água em leito movediço?

Há qualquer coisa de indescritível nesse deus,

na inépcia dum olhar compassivo pousado na dor.

Nem deus nem o homem levarão em seus ombros

a podridão do instinto ou a cadência pura da oração;

porque somente resta a mentira duma vida

entranhada de lama e argúcia.

País sem bandeira, sem hino, sem eira onde secar o pão;

povo rendido à inércia, homens inaptos

de coração alvoroçado, homens bandos na destruição

de homens sem nada; País sem pai nem mãe,

de almas penando no inferno da fome onde o gesto, a palavra,

até a oração se emaranham em hipóteses intestinas.

Porque a racionalidade é um voo rasante duma ave

atordoada no esmo dum deserto. 

 

 

Bernardete Costa

 

 

 

 

publicado por Bernardete Costa às 14:57

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