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Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010

POEMA II - INSUBMISSÃO DOS AFECTOS

Talvez eu não seja mais do que essa suspeita mulher

violadora de certezas e mentiras;
essa vilã percorrendo avenidas e vielas
de olhares lúgubres e roxos
como os espectros gesticulando nas esquinas.
 
Ou talvez me deixe ficar na soleira melancólica
dos invernos
como os pirilampos que fosforescem na escuridão
fazendo reacender uma réstia de luz
o antigo rumor dos corpos enlouquecendo
no veneno das línguas.
 
(In Insubmissão dos Afectos)
Bernardete Costa
 
publicado por Bernardete Costa às 16:07

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