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Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

Esposende I

Esposende é rio vazando no mar
enleados na foz num abraço intemporal,
diálogo de murmúrios e assombros;
Esposende é pescador retendo o barco no olhar,
é gaivota, pato real, borrelho, alva garça
na babugem do sapal em nuvem de arrepio,
é cidade, casario mirando o azul do céu
reflectida na patine do rio;
Esposende, deus meu, é espelho de luz
na doçura da manhã…
mas por vezes, o mar altera-lhe a bruma
e o rio acorda e resmunga com as gaivotas
que invadem a cidade chorando o inverno

e suas sombras de solidão.
Então, Esposende é foz, um silvo de aviso,
a sereia refém de hinos feiticeiros,
alberga nos seios os cabelos da ventania.
Mas Esposende é destino e esperança,
uma criança em espanto prematuro que escuta
o silêncio, grito do vento no fulgor da lua
que na noite nua esvoaça como um anjo de riso
anunciador de presságios de verão.

Bernardete Costa
Esposende II
 
 
Esposende é festa no matiz da água,
passarela de manequim, catraia enfeitada
virada ao mar que do longe a chama…
Mas uma traineira não é uma catraia na ficção
das ondas, subindo o rio desafia a barra
ainda o sono da madrugada vigia; no regresso
pelo fim da tarde, retorna latejando nas areias
varando o perigo e trazendo do mar
um tempo que se findou.
Esposende adormece numa tela de pintor,
e a manhã estremece ansiosa, é o motor do barco
que na ribeira se acolhe;              
sabe o pescador que o mar não compensou;
o labirinto das vozes, nas mãos o roxo do frio
o suor do labor antigo…
hoje, apenas se abre uma ferida onde sangra
a ilusão cúmplice dum rio.
 
Bernardete Costa
 
 
publicado por Bernardete Costa às 23:37

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