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Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

LEITURAS CONTROVERSAS

MESMO A PROPÓSITO...

 

 

"Chamar a um livro moral ou imoral não diz nada.

Um livro está bem ou mal escrito.É tudo"

 

 

 

 

Oscar Wilde, dramaturgo irlandês (1854 -1900)

 

 

 

Acabei de ler “Caim” de José Saramago. Leitura esta que me instigou a uma outra “A Bíblia Sagrada”. Para confronto, para confirmação, para conhecimento.

Depois da polémica surgida após a publicação da última obra do nosso Nobel, dei comigo a reflectir nas diversas posições assumidas quer por religiosos quer por leigos, relativamente às putativas heresias nela contidas. E qual não foi o meu espanto quando descobri no arquivo do meu PC um poema atribuído a Alberto Caeiro (Fernando Pessoa).
Aqui vos deixo uma pequena transcrição para que possam formular juízos de valor e, eventualmente, concluírem que Saramago não é inédito na temática, sendo que não recordo escarcéu algum à volta deste poema.
(…)
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu tudo era falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.

Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas -
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque nem era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E que nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
(…)
 


publicado por Bernardete Costa às 23:37

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