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Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

O “SIMPLEX BUROCRÁTICO” …E A ESTUPIDEZ DUM POVO

“Somos um país de merda, um povo estúpido, ignorante, a rasca da Europa”. Este foi o desabafo, cito de cor, que inadvertidamente escutei num café da minha cidade, aquando me entretinha a ler mais umas páginas dum livro que tinha em mãos.

Pela voz desabrida e pela convicção emanada dei comigo a prestar atenção ao que ouvia.
Pelo que passou a expor, tratava-se de mais um desempregado entre o cerca de meio milhão que este país de “merda” já leva em sua conta.
Referia que depois de horas de espera, informaram-no que o seu processo de pedido do fundo de desemprego fora indeferido. Deste modo, não podia aceitar a sua apresentação no Centro Emprego como lhe havia sido solicitado anteriormente.
Foi então argumentado pelo paciente desempregado que no "site" da Segurança Social, através da abençoada tecnologia que o nosso primeiro tanto apregoa a gregos e a troianos, depois de ter sido contornada uma situação que entretanto havia sido esclarecida, o dito processo já se encontrava deferido.
Todavia, a simpática funcionária nada podia fazer porque no seu sistema informático constava o indeferimento, e ponto final parágrafo – está-se a ver o enguiço, não o simplex tão apregoado como o peixe na lota.
O senhor, já de alguma idade, evidenciava a sua indignação por um povo, nós próprios, que se compraz em ser dos mais burros e incompetentes da Europa.
Então, se há cruzamento de dados porque ela não verificava na Segurança Social o que ele lhe afirmava? Para mais, havendo deslocações a fazer de cerca de trinta quilómetros entre o Centro de Emprego e a Segurança Social!
E o sorriso da funcionária, sempre e a estupidez a acompanhar, a sugerir, que a coisa se resolveria quando ele lhe apresentasse em mão uma carta emanada da Segurança Social, via correio tradicional, com selo e tudo. “Cabecinha pensadora”!!!
Entretanto este desempregado, mais uma vítima da crise económica provocada pelos grandes senhores do dinheiro e do poder do mundo, teria de esperar ainda uns quantos dias ou semanas, até receber o subsídio a que tinha direito para “tentar” pagar com ele os seus compromissos financeiros (nem todos os desempregados são ricos!!!).
Inicialmente, fiquei chocada ao escutar falar do meu povo e do meu país dum jeito tão acintoso e humilhante.
Curiosamente, ele exprimia-se na 1ª pessoa do plural, ou seja, ele incluído. Dei-lhe razão: este e muitos outros casos similares e diferentes que conheço e desconheço, fazem de nós, portugueses, a escumalha da Europa. Com profunda mágoa, com raiva até, aqui o confesso.
Ainda que uma luzinha de esperança me alimente a utopia de crer que as coisas poderão um dia mudar. Será?
 
Bernardete Costa
publicado por Bernardete Costa às 22:25

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