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Domingo, 7 de Junho de 2009

NÃO POEMA

És a musa dos mares, não és o meu poema.

Sobre ti não escrevo.
A vontade que domina as palavras não me basta para a viagem
dos olhos, da boca e das mãos.
Assim nasce o poema que não escrevo, nele
não há versos nem rimas….
Não há palavras nem grafia. Nem um rosto. Nem um nome…
No poema que não escrevo fala-se de uma fonte e seus rios,
dum náufrago ancorado a seu barco,
dum chamamento de ave, dum miosótis tingido de azul o céu.
 
No meu não poema há líquido, fermento, voo, pó,
segredo e uma tempestade de alma,
uma nuvem suicidando-se se no mar.
 
Ah! sobre ti não escrevo e se o quisesse fazer não o conseguiria.
Porque não existes.
E o que apenas existe é o absurdo da tua não vida.
Para que escrever a palavra inexistente de ti? Como saber
do sentido da metáfora do que não é escrito?
Tu és a musa da minha não poesia, e o não poema
confina-se ao não livro
à não página do meu enigma.
 
Como não escrevo sobre ti, deixo somente o teu retrato:
uma névoa no horizonte, única e perecível imagem
na imaterialidade do sem nome…
 
Um conflito na bruma da mortalidade.
  
Bernardete Costa
publicado por Bernardete Costa às 23:38

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2 comentários:
De flávio lopes da silva a 1 de Julho de 2009 às 22:19
um poema sim!
gostei bastante.
abraço
De Bernardete Costa a 2 de Julho de 2009 às 15:27
Obrigada amigo.
Um beijo.~
Bernardete

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