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Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

ENCRUZILHADAS DO DESTINO

Vou partir. Num constante vaivém de partidas

oriento meus passos por travessias infinitas e sei
que as encruzilhadas do destino nunca se encontrarão
porque os deuses elaboraram a alquimia duma escrita
numa complexa e desajustada semântica
onde floresce a metáfora do amor, da dor, da sedução
e da desdita.
 
Parto sabendo que meus animais de estimação
em seus sinais de fervor latirão sob o amparo da lua
vertendo em suas babas o amor que somente eles
possuem coragem de expor em seus e indiferentes madrigais
logo que a aurora se revele na sua madrugada mais pura.
 
Neles deixo meus beijos de despedida e neles acolherás
como no pólen da flor o sangue que frutifica a primavera
de quem deixou na mais insana angústia o decorrer do tempo
na sua malograda espera. Parto, nem sei se um dia voltarei,
se uma ave me reterá em seus voos; ou se um grifo voará
sobre minha terra chã, meu rio e meu mar…
 
se assim for, talvez volte para ti ainda que a vida não seja
mais essa vida que respira e expira mas somente
um eco, uma palavra, um verso, um poema
um testamento de riso e lágrima, de rio e de mar. Talvez volte
para te reencontrar nesse cenário que ergui no horizonte
onde passarei a residir como actor em sua cena.
 
Bernardete Costa
 
 
publicado por Bernardete Costa às 19:40

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