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Sábado, 14 de Fevereiro de 2009

CARTAS DE AMOR

Hoje fala-se essencialmente de amor, ou seja, a este dia 14 de Setembro, dia de S. Valentim (há uma estória que se conta deste santo que está na origem desta comemoração), convencionou-se chamar “Dia dos Namorados!

Por motivos que aqui não interessam, mas que se prendem essencialmente com o consumismo desenfreado associado a este tipo de comemorações, eu estou nos antípodas desta espécie de dia disto, dia daquilo.
Todavia, falar de amor, ontem, hoje, amanhã e sempre é assunto que abordo sem pruridos de qualquer género. E como esta página já contempla a figura de Fernando Pessoa, nada mais apropriado que começar por este poema:
 
Todas as cartas de amor são
Ridículas
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas
 
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas
 
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas
 
Mas, afinal
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas
 
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas
 
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas
 
(Todas as palavras esdrúxulas
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
 
Álvaro de Campos 1890-1935 (um dos heterónimos de Fernando Pessoa)
 
A propósito, na revista do JN, da semana passada se não estou em erro, também o amor veio à baila pela forma explicita e já ultrapassada das velhas cartas de amor:
Aqui vos deixo alguns excertos de algumas cujos autores são sobejamente reconhecidos pelos leitores prováveis deste Blog:
 
És horrenda, muito grosseira, muito estúpida, uma verdadeira bruxa. Não me escreves de todo, não amas o teu namorado (….)
(…)Espero há muito estreitar-te nos meus braços e fazer chover sobre ti um milhão de beijos tão quentes como o equador.
 
Napoleão Bonaparte (1769- 1821)
 
Minha gentil:
Quem me dera ser uma ave: arrancaria uma pena às minhas asas, embebê-la-ia na tinta da aurora, naquela tinta vermelha em que os anjos escrevem cartinhas de namoro às estrelas…(…)
 
António Nobre (1867/1990
 
Terrível Bebé:
Gosto das suas cartas que sai meiguinhas, e também gosto de si, que é meiguinha também. E é bombom, e é vespa, e é mel, que é das abelhas e não das vespas, e tudo está certo e o Bebé deve escrever-me sempre, e eu estou riste e sou maluco, e ninguém gosta de mim, e também porque é que havia de gostar (…)
(…) despi-a, e o papel acaba aqui mesmo, e isto parece impossível ser escrito por um ser humano, mas é escrito por mim.
 
Fernando Pessoa (1888-1935 para Ofélia Queiroz
 
 (…)"Que saudades em lágrimas por ti. Tu a minha vida, meu tudo, até breve. Oh, ama-me sempre, nunca duvides do meu coração fidelíssimo. Da tua amada."
 
anónima
 
E hoje, não se escrevem cartas de amor? Eu assim pensava, como, seguramente muitos de vós. Porém, um dia destes recolhi do chão, numa rua da minha cidade, um pedaço de papel de carta, daquele mesmo papel que em tempos idos muitos de nós usámos para as nossas missivas de amor e não só, grafava:
 
Meu amor:
Queria só dizer-te que és maravilhosa, que me derreto quando me dizes coisas bonitas e que te amo e te adoro mais a cada momento que passa. Queria poder fazer-te um poema mas, como não sou poeta, digo-te só que foste como um vento divino que pegaste na minha alma em teus braços e, de turbilhão em turbilhão, enlouqueceste os meus sentidos, arrastando-me pelos confins do universo das paixões, do prazer e da dor e eu já não sei se tu és o vento e eu a folha ou se somos ambos vento ou ambos folha, presos no rodopio deste amor que nos abrasa.
Com amor e beijos
 
2008
 
(Como não possuía qualquer assinatura ou nome que a identificasse, tomo a liberdade de aqui a transcrever, consciente que, essencialmente, me limito a  constatar que, ao contrário do pensamento geral, nos tempos que correm ainda há quem escreva cartas de amor, que, certamente, como todas as cartas de amor, são ridículas).
 
publicado por Bernardete Costa às 16:18

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