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Quinta-feira, 27 de Abril de 2017

O REI TRISTE

 

Salazar-Abel Manta.jpg

O REI TRISTE

 

            Era uma vez um país belo como a primavera; lembrava o mar, o verde, o azul… Mas onde reinava um rei triste, muito triste. Porque não tinha amigos, não sabia gostar das pessoas.

            Vestia este rei sempre de negro como a sua tristeza.

            Vivia na capital do seu reino num grande palácio cor-de-rosa.

            Não tinha rainha, nem príncipe, nem princesa. Rodeava-se unicamente pelos seus criados e por um conselheiro que o ajudava a governar.

           

De longe a longe visitava a casinha onde nascera, numa pequena terra a luzir como um diamante no sopé duma montanha.

            Sempre triste e trajado de negro.

            Indiferentes à melancolia do rei, as flores do pequeno e desarrumado jardim, que rodeava a casa da sua infância, brotavam vivas, coloridas e com um grande sorriso de pétala a pétala.

 

            Um dia, o rei triste resolveu castigar as sorridentes flores que cresciam naquele pedaço de chão.

            E mais triste do que nunca ordenou:

            - Todos neste reino, homens, animais, plantas, pedras, montanhas, serras, céus, rios, mares… e flores estão proibidos de sorrir!

 

            Ficaram de boca aberta as gentes do sítio e de todo aquele país que lembrava o mar.

            Também os mares, rios, montanhas, céus, animais, plantas…e flores não compreendiam tal lei. Por isso, não a podiam aceitar.

            - Não se pode proibir o sorriso! – clamavam zangados.

 

            No dia seguinte, o rei foi verificar se as flores tinham cumprido a sua ordem.

            Já cansado de tanto e tanto olhar para as flores, procurando nelas algum entristecimento, sentou-se numa cadeira.

            - Daqui não saio até desaparecer o sorriso das vossas pétalas – bradou, furioso!

E assim sucedeu: o rei triste, sempre de negro vestido, deixou-se ficar sentado naquela cadeira, à espera de ver as flores deixarem de sorrir.

 

E esperou, esperou.

Até que, numa límpida e clara madrugada, O rei Triste soube que os cravos, como numa explosão de fogo de artifício, floriam nos jardins, nos campos, nas montanhas daquele país que lembrava o mar, o azul, o verde…, nasciam até nas janelas do palácio cor-de-rosa. Foi então que os sorrisos dos homens, das flores, dos jardins, dos campos, das montanhas, dos rios e dos mares se transformaram em gargalhadas, como se uma crise de imensa alegria os dominasse.

            Na sua cadeira há muito sentado, já fraco e velho, o rei triste pensou que deviam ser os cravos que transmitiam aquela alegria. Tapou os ouvidos. E ainda gemeu:

            - Os cravos estão proibidos neste país…

Com tal mau jeito se mexeu, que tombou da cadeira. E não mais se ergueu.

 

Bernardete Costa

 

 

 

 

 

publicado por Bernardete Costa às 19:14

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