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Terça-feira, 9 de Dezembro de 2008

UMA DISCUSSÃO ACESA ...E PROVEITOSA

Há dias, uma amiga postou na Lista Amante das Leituras, da qual faço parte, este meu poema:

 
Primavera 2001

Já fevereiro aconteceu, nidam as aves
nos beirais do casario
e na folhagem ainda rala do arvoredo.
É março,
o sol impera sobre as coisas,
os perfumes evoluem na prata do rio.
E eu cresço mais uma vez como as papoilas vermelhas
pontilhando o verde dos campos.
Cheira a terra molhada, a seiva viva,
já se levantam os laranjais na planície do vale.
É março que sorri,
e o brilho incandescente do dia jaz
na iluminura duma ternura reverdecida
na presença de corpos enlaçados.
Já fevereiro aconteceu, mas é a luz de março
que trará a primavera.

Bernardete Costa
  
Depois surgiu o que aqui transcrevo, pela escrita de um amigo destas andanças literárias:
 
Belíssimo poema da Bernardete que V, escolheu . Que maravilhosa ternura,
 simplicidade e conhecimento do tempo, quero dizer da eternidade . Isto sim,
 é a marca da verdadeira poesia .

 Geraldes de Carvalho

De seguida, o mote estava lançado, e…vejamos:

Queridos amigos:

Interessante - de vez em quando fala-se aqui na lista do significado da
poesia.
Quantas vezes já isto aconteceu e eu não sei explicar o motivo porque os
poetas gostam tanto de falar na poesia que fazem e na dos outros.
Sempre o Narciso a olhar o lago!?...
Para mim a boa poesia é aquela que eu gosto, que me toca os sentidos de
formas diferentes mas profundas.
Eu também sei que tenho poemas melhores do que outros porque os senti de
forma mais intensa e "saíram-me" bem.
Portanto, quando alguém faz um comentário positivo em relação a um poema
meu, eu agradeço porque sei que para outros ele pode ser lixo apenas.
Para o Geraldes aquele foi um bom poema e por isso ele chamou-lhe boa
poesia mas isso é um problema só dele.
Não vejo razão para voltarmos a falar do que é a poesia porque para mim-
e penso que para todos nós - ela é uma razão de vida e com coisas sérias,
como estas, não se brinca.
Um grande abraço a todos os grandes poetas que fazem boa e má poesia
nesta lista conforme o gosto de cada um.

José Dias Egipto

Logo, O Geraldes acorre em defesa da sua dama:
 
O que eu penso é que a poesia é um canto-pranto
 dialéctico. Perdoem-me pelo palavrão mas não há forma de o alijar ou
 substituir.

Isto significa que não considero poesia aquilo que se
faz ou constrói mas sim o acto de fazê-la ou construí-la. O resultado
constitui apenas uma porta pela qual, se tivermos a habilidade suficiente,
se pode penetrar na poesia.

 E é difícil e raro ter tal habilidade ?

De maneira alguma, basta que tenhamos alguma humanidade
porque a poesia é uma expressão dessa mesma humanidade. Vive dela e só dela

Costumamos dizer que a poesia pode conter todo o
 universo mas na verdade só o humanizado pode conter. Porque a poesia é um
canto-pranto e é o canto do homem... dialéctico porque é movimento e se pára
 morre. Por isso o nosso canto-pranto é só um e não termina enquanto os
homens latejarem, se moverem.

Assim, meus amigos, aproximai-vos lentamente do poema .
Encostai as vossas cabeças na porta . Arrimai a cabeça do lado em que melhor
ouçais e escutai . Se pressentirdes uma música ou um pranto, força( * )-sei
que a forma já não existe mas fica aqui tão bem...- então abri a porta e entrai
Para alguns de vocês será necessária uma certa pressão e
persistência, talvez mesmo algum pequeno estudo elaborado . Para outros será
simples e natural.

(…) construir o vosso poema na vossa cabeça que é o lugar onde existem todos os
 verdadeiros poemas.

Desculpai-me mas só então e só então sabereis
o que é a verdadeira poesia . Não se pode ensinar temos de descobri-lo por
nós próprios.

(* )Aqui há algo me escapa, penso que tenha a ver com a formatação do texto.

Agora surge o José Félix, outro listeiro:

a verdadeira poesia
para o geraldes de carvalho e antónio silva
(e para todos os carvalhos e todos os silvas do planeta)

a verdadeira poesia mistura-se na merda
dos políticos que engordam a barriga com a magreza dos pobres.
a verdadeira poesia é travesti e a puta da cova da moura
que chega cansada à damaia
depois de abrir as pernas uma dúzia de vezes ao dia.
a verdadeira poesia está no cócó dos pombos
que não se importam com as estátuas
de assassinos do povo venerados em dias particulares.
a verdadeira poesia é o dinheiro lavado dos bancos.
a verdadeira poesia é dos chulos que se acobertam pela noite
e, na sombra, contam as migalhas que recebem dos prostitutos imberbes.
a verdadeira poesia está na esmola pela luta contra o cancro, a epilepsia,
a diabetes, o cancro da mama, o cancro da próstata, a esclerose múltipla.
a verdadeira poesia está nos bancos de fome, na sopa dos pobres.
a verdadeira poesia está nas vivendas, primeiras e segundas
dos administradores de bancos e das companhias de seguros.
a verdadeira poesia está na última fila de deus; os drogados, os alcoólicos
as ninfomaníacas, os das depressões bipolares.
a verdadeira poesia está no fado triste e mal cantado de fadistas bêbados.
a verdadeira poesia está no púlpito das igrejas, de todas as igrejas
nas homílias dos bispos, na sura, na tora, no alcorão, em buda, em confúcio.
a verdadeira poesia está na puta que a pariu três vezes abortada.
a verdadeira poesia anda cocha, manca, mascarada de sandwich mcdonald.
a verdadeira poesia começou com dom afonso henriques a lutar contra a mãe.
a verdadeira poesia tem tosse e escarra verde e sangue.
a verdadeira poesia é corno, é veado, é boiola, é o presidente lula
o cavaco e o sócrates de muleta.
a verdadeira poesia é a merda que defecamos logo pela manhã.
a verdadeira poesia está no caixote de lixo bem acompanhada pela consciência.
a verdadeira poesia é uma maçã podre no meio de outras maçãs menos podres.
a verdadeira poesia é nos noticiários das televisões com caras jovens e bonitas
a anunciar a desgraça do planeta.
a verdadeira poesia está na camada de ozono.
a verdadeira poesia está no degelo dos pólos,
a verdadeira poesia é a nossa sacanagem.
a verdadeira poesia é o suicídio de um adolescente.
a verdadeira poesia é a pedofilia e os pedófilos, todos os pedófilos.

a verdadeira poesia és tu, cabrão, que és cornudo e finges que não sabes.
a verdadeira poesia é fingir que sabes latim e dizes frases feitas nos encontros literários.
a verdadeira poesia é comeres lagosta quando só podes comer peixe seco.

a verdadeira poesia é a viagem low cost.
a verdadeira poesia é a porra da vida que temos.
a verdadeira poesia é o viagra, o cialis, o levrita.
a verdadeira poesia é disfunção sexual.
a verda deira poesia anda coxa à procura de muletas.
a verdadeira poesia.
 
Outros mais se aventuraram por estes caminhos escorregadios de “verdadeira ou falsa poesia”.
 
A todos agradeço o contributo que, obviamente, resultou no realce do meu singelo poema.
 
Com um abraço afectuoso,

Bernardete Costa
publicado por Bernardete Costa às 14:56

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2 comentários:
De Jorge Vicente a 9 de Dezembro de 2008 às 17:18
e assim se faz a poesia
De Bernardete Costa a 15 de Dezembro de 2008 às 23:44
Obrigada Jorge Vicente pelas singelas palavras.
Com afecto,
Bernardete

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