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Quinta-feira, 6 de Agosto de 2015

A MINHA JANELA (1)

 

 

 

A MINHA JANELA

 

A minha janela não é bem uma janela,

caixilharia, vidro e reflexo de luz e sombra;

a minha janela abarca o mundo, o florir das rosas,

o rio, a cidade…

 

De repente, dá-lhe ares de gente e põe-se a sonhar:

quem me dera colher cravos no jardim,

semear rosas na primavera,

soletrar rimas, ser som de guitarra em mim…

 

É verdade, minha janela é muito especial.

Quando neva, realidade estranha a salpicar o rio,

ela chora e ri como criança

e faz-se farrapo e vapor húmido a enrolar a trança;

 

depois se chove, minha janela cora de vergonha,

porque na vidraça unicamente vê quem passa

a querer namorar com ela.

 

Minha janela não é somente uma janela.

Como qualquer mulher cobiça a beleza das garças,

a alegria dos pássaros, a leveza dos pardais,

a fragrância das rosas…

 

depois, enternece-se, e feliz, envolta na bruma,

soletra pétalas de flor despedindo-se da noite

com sorrisos travessos de mulher de rua.

 

A minha janela é feminina e muito mulher:

de larguras e amplidões tais

que pela cintura tudo abarca: chuvas,

sois, luares e o rio sonolento a terminar o verão;

 

e não sendo  uma qualquer,

mas uma janela sentimental, vestida de rosas

e perfumes bem disfarçados, a minha janela,

é assim, como direi, atrevida, gaiata:

 

chama pelo sol logo de manhãzinha,

com ele se deita na cama,

e no vale de lençóis e de fogo

rolam em ternuras desmedidas

brincando às escondidas…

 

A minha janela é um mundo de água,

é um cardume de peixes logrando o anzol,

e na sua grandeza muito convencida,

até diz estar noiva do sol!

 

A minha janela, não sendo bem uma janela,

é como eu: corpo, alma e inquietude.

Mas é muito mais feliz;

nela nada fica no registo da vidraça,

porque logo que o pano passa,

a janela é simplesmente janela, amplitude

 serena e estática.

 

 

Bernardete Costa

 

 

 

 

publicado por Bernardete Costa às 11:08

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