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Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2013

LETRAS NO AZUL

            Esta é uma história que fala de uma menina de 9 anos de idade, que tinha uma irmãzinha de 2 anos, apenas.

            Sua mãe precisava de se ausentar de casa diariamente, duas horas, somente. Mas o suficiente para ter de deixar as filhas sozinhas. Dizia à mais velha:

            - Minha filha, toma conta da tua mana. Tenho de trabalhar, se não vou, fico desempregada. São só duas horas!...

            Perguntarão: porque é que o pai das meninas não fica a tomar conta delas, a zelar pela sua segurança neste mundo tão perigoso? Fácil de explicar: o pai, acabada a licenciatura e sem emprego, voou para um país longínquo onde encontrou o trabalho que no seu país faltava.

            A menina queria saber: quando é que o pai volta?

            A mãe respondia: um dia, quem sabe ele vem…

            Assim, já podem compreender porque esta menina, tão novinha ainda, assume tal responsabilidade. Afinal, não faz mal nenhum começar a responsabilizar uma criança

            Deste modo, mal a mãe saía, a menina mais velha levava a irmãzita até à janela, porque, na sua rabugice de pequenina, ela pedia-lhe entretenimento.

            - Olha, um cavalinho no céu, exclamava apontando uma nuvem semelhante ao galope dum corcel.

            Logo a mana se silenciava, distraída e fascinada com o animal cavalgando nas alturas do azul…

            - Depois a nuvem brinca connosco e o cavalinho transforma-se num comboio:

            - U…u…u... , gritava a criança. Vamos viajar naquele trem! E lá partiam as duas numa viagem mágica a descobrir anjos e serafins  que a nossa menina sabia, ou acreditava saber, existirem no espaço celestial.

            Todavia a pequenita sempre a inquirir: quando volta o pai? E a mãe a responder da mesma maneira, um dia…

            O tempo foi passando… A nuvem não faltava nunca ao encontro das duas meninas: agora um monstro, ai que medo! gritavam, misturando gargalhadas; depois uma ave, a seguir um cordeirinho…E as duas irmãzinhas nem sentiam o tempo passar durante aquelas duas horas.

            Entretanto chegava a mãe. E como ficava feliz ao ver as suas filhas tão distraídas e tão bem comportadas a viajar à janela!...

            Logo a mais novinha indagava: e o pai, chega hoje?

            A mãe fingia ocupação: não tarda muito…

            Felizmente, a mãe destas meninas arranjou trabalho de costura em casa e não precisou mais de se ausentar deixando as filhas sozinhas, ainda que entregues à doçura da imaginação.

            Um dia, a nossa menina chegou à janela, olhou…e calou-se de tristeza. Nenhuma nuvem no céu azul! Azul, apenas o azul reinava no céu.

            De repente, devagarinho, uns farrapinhos de nuvem desenharam letras, e das letras nasceu uma palavra: pai.

            - Maninha, mamã, gritou de felicidade, o pai vem logo, eu sei que vem!

 

 

Bernardete Costa

publicado por Bernardete Costa às 16:21

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