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Terça-feira, 20 de Setembro de 2016

NA DANÇA DOS DESTINOS

 

maos.jpg

 

 

Na dança dos destinos

Por vezes colhe-se o fascínio das estrelas
e olha-se as mãos vazias.
Tanto deslumbramento pela incógnita dos astros,
por cometas na dança dos destinos, pelo véu
das nublosas salpicando noites formosas, pelo musical
de anjos a embalar meninos…

Olho as mãos vazias e recordo as cigarras da infância.
No descuido das manhãs frias o livro de fábulas
era a canção que prometia a alegria; logo
um diáfano manto de histórias e sol
me servia de colchão.

Receio ter descoberto que fui mal ouvida e mal tida:
enquanto formiga meu coração nos versos chora,
enquanto cigarra a canção se dissipa 
com o susto dos dias.
Continuo de mãos vazias.

Porém há um relógio a bater em clave de sol
anunciando cânticos escondidos nas folhas ou na casa
porque as sombras esvoaçam como asas…
No entanto, e ainda de mãos vazias, 
só agora entendi a mulher que sou:
cigarra ou formiga, livro ou história ou até poema de amor.

Mas sempre de mãos vazias…

Bernardete Costa

 

publicado por Bernardete Costa às 21:44

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POISO DE ÁRVORE

 

aves.jpg

 

Sinto o absurdo do silêncio quando um pássaro voa no infinito do azul.

Por vezes quero ser infinito e ser poiso de pássaro.

Ser silêncio de voo
escondendo palavras no vão duma escada.
Só mais tarde solto as asas
e aprendo quanta alegria há em certas palavras.

Depois dos silêncios, depois do infinito,
depois de ser poiso de pássaro
recolho do vão da escada todas as palavras
que entretanto aprendi a amar.


Apenas receio que as palavras se aborreçam
porque há quem as não saiba usar.

Usam-se palavras como se fossem vento ou pássaro sem asas.

Que vão sem destino sem saber onde pousar.

Bernardete Costa

publicado por Bernardete Costa às 15:40

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Sexta-feira, 9 de Setembro de 2016

PAPA FRANCISCO

Entre muitos encómios ao Papa Francisco, “humilde” e  “sábio” são os mais comuns, a crer no que leio, nomeadamente, nas redes sociais. Não objeto contra já que o substituto de Jesus na terra terá, sem qualquer dúvida, de merecer estes elogios; a humildade remeterá para o próprio Cristo que tudo abandonou neste mundo para viver sem qualquer ostentação mundana, humilde entre os mais humildes; a sabedoria vem-lhe da intensa formação religiosa e do muito que ao longo da vida cimenta o seu Eu cultural.

Acima de tudo, este Papa evendencia uma humanidade incomum para a maioria dos papas desde o nascimento da igreja católica e apostólica e romana. O Papa Francisco carrega aos ombros uma pesada e dolorosa cruz: a do sofrimento humano, da sua crueldade, da intolerância, da sua descompaixão.  Mais, cabendo a Francisco a propagação da fé e a crença em Deus, ele questiona, numa aflição que me comove, e numa impossibilidade misericordiosa, a existência da criação do homem por Deus, mediante o horror de ontem e de hoje.

Quanto a mim, voltando ao início deste texto, a humildade e a sabedoria são qualidades que todos os Papas devem exaltar por força das circunstâncias, se me permitem assim afirmar.

Agora, questionar a existência do homem como criação de Deus, como no excerto que a seguir transcrevo, aquando da sua visita a Auschwitz, já pode parecer um tanto polémico para alguns cristãos: 

“(…) Francisco visitou o campo de concentração de Auschwitz, usado pelo regime nazista para exterminar judeus, e comentou que a "crueldade não acabou". "Quanta dor, quanta crueldade. Como é possível que nós, homens, criados por Deus, somos capazes de fazer estas coisas? Pois é, essas coisas foram feitas e eu queria dizer uma verdade: a crueldade não terminou em Auschwitz-Birkenau, porque ainda hoje há tantos prisioneiros torturados, homens e mulheres em prisões como animais", criticou o Papa.(…)”.

publicado por Bernardete Costa às 16:25

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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2016

CÁVADO

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Cávado

ó meu rio Cávado colhendo beijos
nas coxas ardentes do estio, amado senhor
de meus segredos, lâminas d’areias
na fecunda turgidez dos seios,
fulvo reflexo noturno a pulsar esplendor.

olor dos lírios no desvario dos corpos,
sussurros de areal, amplexos e desejos meus,
manhã tarde e noite de acolhimento
em lábios de sereia; ó rio, cicio dum deus
em ninfa cidade que em ti se espelha.

vem da memória, ó rio, deslaçar venturas
no eflúvio das tardes adolescentes,
vem saciar a fome de ternuras no sem nome
de mãos entrelaçadas a cumprir delícias
em margens inundadas.

mergulha na torrente a brisa fértil da luz,
retém em tuas águas o lume do firmamento,
um momento de glória, e vem selar o destino
na foz que te aguarda em carícias de sal
nas ardentes pupilas do vento.

ditoso rio na transpiração do poema
a superar muralhas na voz do meu clamor;
nos acordes de Vivaldi em sinfonia de verão
vem compor a partitura na clave da ausência
na essência da pedra, da água, da flor…

ó amado rio da infância, templo de cristal,
cúmplice amante no espanto de meus versos,
vem escrever barco e afagar águas
a rumorejar ondas no meu eu musical.

ainda oiço teu cântico no apelo do verão,
ainda oiço o teu arfar na zanga dos invernos,
ainda te oiço no sopro tangente do norte
tumulto de vida, fulgor…e morte.

mas por entre o labirinto da paixão
e a dureza da penedia, no corpo da metáfora,
toma como dádiva esta epifania, presente
dum abismo de amor e insurreição.

Bernardete Costa

Querida amiga, Bernardete Costa:

Foi com imenso prazer e emoção que te ouvi dizer este poema dedicado ao nosso velho e terno rio Cávado.

Por isso faço-te um pedido por escrito: se terias a gentileza de abraçar o teu poema à minha pintura em aguarela, que também contempla o nosso bem amado rio.

Fico-te agradecido. E penso que tu também. Se uma imagem vale mil palavras, e estou convicto que sim, este teu poema não deixa de ser um espelho de outras mil.

 

Teu amigo,

Fernando Rosário

publicado por Bernardete Costa às 18:55

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SE MAIS CAMINHASSE

 

images.jpg

Se mais caminhasse

desencontrei-te no meu trilho de estrelas
seguias a meu lado num rumo incerto
e sem saberes do espanto de vê-las
não colheste a luz do meu íntimo deserto

se mais caminhasse mais te desencontrava
mais fora de mim o longe do teu caminho
nunca saberias que em êxtase sentir te amava
no limite improvável do meu desatino

numa toque de primavera som argentino
bebeste das águas libertas em meus versos
este pulsar de ave que se ouve de mansinho
e em cascatas de amor são ditos perversos

se mais caminhasse mais te desencontrava
noutros esvair de preciosos horizontes de lume;
em mim como seara de pão em terra lavrada
crescem voos de pássaros em voraz queixume

lágrimas e risos nas bocas se fazem… e ardem
e na minha esteira de estrelas sou plenitude;
tocando e beijando teu rosto prossigo viagem
ávida do céu infinito no sonho da juventude.

Bernardete Costa

 
 

 

 

publicado por Bernardete Costa às 18:17

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Sexta-feira, 29 de Julho de 2016

SE ME PERGUNTAREM...

 

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Se me perguntarem…

 

Se me perguntarem qual a cor dos teus olhos, direi, azuis, castanhos, dourados, verdes, limão,

nunca negros. Teus olhos seriam de qualquer cor menos da cor da escuridão.

Se me perguntarem do teu cabelo liso, direi, da cor do sol. Mas era o teu sorriso o incêndio que surgia em cada esquina da minha espera.

Se me perguntarem se usavas peúgas pretas, sim, direi, até sorrias quando as confundias com o meu cabelo.

Se me perguntarem, o que sentias ao vê-lo, direi com o silêncio alto dos segredos que te admirava como quem admira os diletos poetas.

Se me perguntarem quando te conheci, direi, nunca te vi na dobra do meu vestido

apenas nos rimos das janelas trancadas na casa proibida.

Se me perguntarem se um dia te amei, direi, duas vezes o amor se escondeu no vão duma escada. Aquelas duas vezes em que meus dedos segredaram no teu sorriso um outro sorriso colhido do chão.

Se me perguntarem se ainda te amo, direi, não, o amor chegou pelo frio do inverno… e o vento o levou no gelo eterno. E foi tão veloz como uma estrela cadente. Que de ti apenas me ficou a voz.

 E mentirei sempre que a ti chegar. Nem toda a verdade fará diferença por entre a mentira compadecida. Resta a viagem da minha mão na tua mão esquecida.

Agora, nem todas as estrelas bastarão para a contagem do caminho. Mas sei que voltarei ao teu sorriso. Definitivamente. Sem mais vez.

 

 

publicado por Bernardete Costa às 19:17

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Terça-feira, 19 de Julho de 2016

DESABAFOS INDIGESTOS

 

A tarde vai longa. Hoje mais longa do que outras, sei lá a razão… Ou até sei. Estou aborrecida, com certeza, nada de mais depois de ver as notícias na TV.

Trump, um doido, é uma ameaça mundial, quanto a mim, aposta na corrida até à Casa Branca com o beneplácito de muitos idiotas americanos – eu sei que “disto” há em todo o lado… - que lhe vão oferecer de bandeja a morada na dita maison!; mais a senhora Trump, que nada deve em fealdade ao marido, mas é loira desse loiro burro, que copia o discurso da ainda primeira dama dos states, Michele Obama.

Há dias em Nice mais um doido, em princípio ligado ao DAESH,  ainda a investigação não é conclusiva, assassina cerca de oito dezenas de pessoas, crianças, mulheres…

Hoje na Alemanha um outro doido esfaqueia pessoas num comboio gritando ao seu Alá! De imediato, ainda que seja um ato isolado, o estado islâmico chama a si a responsabilidade, quantos mais horrores somar ao seu historial de carnificina, mais o céu lhes garante…, nem digo o quê, que me arranho toda por dentro.

Todos os dias, o continente africano assiste dolorosamente a atentados que destroem, matam, reduzem a ruínas cidades inteiras. E África esvazia-se de povo, naturalmente a procurar lugar onde a paz ainda tenha um lugarzinho cativo.

 

Na Turquia pede-se, e ao que parece é um caso arrumado, a “pena de morte”, Depois dum suposto golpe de estado falhado, que levou à prisão milhares de funcionários públicos, militares, polícias…Ou seja, quem por palavras, atos e omissões alguma vez esteve do lado contrário do senhor mandante na Turquia, está feito ao bife! Depois, ouço dum lado e do outro e todos são inocentes como anjos. Uns são democratas e defendem a democracia preparando-se para o fuzilamento de milhares de pessoas; outros assumem como orquestrador do golpe um tal muçulmano, o  imã Fehtullah Gulen, comprometido com radicalismos islamitas. Desculpem mas ouso o dito comum: venha o diabo e escolha.

Mas ainda me falta a mortandade perpetrada contra policiais, não esquecer que estes estiveram na origem destas vinganças, pois que o são, a meu ver, no país da Liberdade e da Democracia. Curiosamente, no país, pelo menos em alguns estados assim acontece, onde ainda se recorre à pena de morte como pena capital – tenham agora coragem de dar lições de moral à Turquia!.

Falta muita coisa, pois falta. O mundo é enorme ainda que o não pareça. Mormente quanto a mortandades, atrocidades, violações e mais…muito mais.

E calo-me que a má disposição é indigesta.

Bernardete Costa

 

publicado por Bernardete Costa às 21:59

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Segunda-feira, 11 de Julho de 2016

A MAGIA DUMA BORBOLETA

 

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Não sou crente.  Ponto final. Não rezei, não fiz qualquer promessa. A única viável seria aproveitar boleia do meu sobrinho Ricardo Moreira e passar em Fátima, ainda que de longe…

Agora que há coisas inexplicáveis, há. Num mesmo dia mostrámos ao mundo que somos vitoriosos: arrecadámos medalhas de ouro, de prata, de bronze…, sagrámo-nos campeões no europeu 2016. Coincidências, é a minha convicção.

Ainda assim, aquela borboleta, há quem lhe chame traça, tudo tranquilo, que pousou no nariz pingão do nosso menino d,oiro (dou a mão à palmatória, meninos d’oiro é o que há mais neste pequenino país), levou consigo as lágrimas dum povo irmanado pelo mesmo desígnio, a Bandeira Nacional, o nome de Portugal; levou também consigo a incomum energia dum povo que segredou a Ronaldo: levanta-te, faz o que deves fazer, apoia os teus companheiros, faz das tuas lágrimas o riso dum país quase a desfalecer de orgulho.

Depois o treinador da seleção, Fernando Santos, evidenciou uma postura invulgar, condoída mesmo, quando, junto a si, o jovem jogador sofredor gesticulava, orientava, gritava aos companheiros. Apenas um pequeno gesto como quem diz, acalma-te, e treinador e jogador prosseguiam junto ao relvado a gesticular, a gritar, a orientar. Poder-se-ia duvidar quem seria o treinador da equipa rubra. Mas este homem, Fernando Santos, que durante todo o campeonato aguentou firme as bojardas duma comunicação social grosseira, soube, na sua humildade flagrante, aceitar as “pretensões” dum jogador que sofria por si, pelos companheiros, por um país inteiro.

Ainda vou escrever uma história para mais tarde os nossos jovens vindouros reconhecerem a magia dum borboleta que levou à vitória uma equipa de futebol a quem extirparam o capitão, o Melhor Jogador do Mundo, um jovem a quem nada falta, inclusive tolerância;  o ganhador de tudo o que há para ganhar no que ao futebol diz respeito – peço desculpa se peco por zelo patriótico e se não sou totalmente correta.  

Uma história com final feliz, até porque, que eu saiba, nenhum português se pegou à batatada com um francês, nenhum português tentou torcer o pescoço ao grande prevaricador que levou à maca Ronaldo. Nenhum português denegriu as cores da sua bandeira, o nome do enorme Portugal que hoje todos sentimos inchar-nos o peito.

VIVA PORTUGAL!

 

 

 

 

publicado por Bernardete Costa às 19:36

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Terça-feira, 5 de Julho de 2016

A NATUREZA ZANGOU-SE COM A MINHA PRAIA

 

 

Esta foi uma tarde, uma bela tarde de campo, jardim, praia…

Na memória, nesta tarde, tantas outras tardes a subirem devagarinho pelas escadinhas das emoções, a sugarem-me da alma extensões de areia doirada, imensidões por onde caminhava à descoberta das rochas pejadas de mexilhões, a panela a fumegar, aromáticos, com uma manta de cebola bem picada, umas gotas de limão, umas folhas de salsa ou de coentros; uma praia onde os búzios me traziam o eco do mar quando arrumados nas prateleiras da casa, ouve o mar, ouve o mar, convencia as incrédulas crianças; uma praia onde os beijinhos me sorriam num convite para encher o saco e também levar, tantos beijinhos, para ti, beijinhos diminutos e belos, beijinhos que te dou, repenicados beijos no rosto doce da infância.

Depois o mar. A água revolta, a bandeira amarela, vermelha, verde… Que gelo! Os ossos a gemerem no gélido oceano, mas a água a seduzir, primeiro eu, depois tu, todos num turbilhão, salpicos a arrepiar os mais hesitantes, não, não, ui, que gelo,  e logo o mergulho atrás de mergulho, o corpo a adaptar-se e todos a procurar aquecimento nas braçadas que venciam as ondas, à descoberta de outros longes… E o apito zangado do nadador salvador! E os risos, as gargalhadas no retorno. As toalhas onde nos deitávamos a procurar o calor do sol que lá em cima refulgia e dizia, é verão, toma-me! E as pulgas gordas e brancas, tantas, chape, chape, ui…, ui…

Hoje foi dia de praia. Não a reencontrei como a deixara nesse tempo de adolescência. Não há mexilhões, nem beijinhos, nem gordas pulgas, nem o gelo da água derrete com as braçadas que mais não dou. Nem os amigos e as crianças  voltaram desse tempo distante, um atrás do outro, todos num turbilhão, salpicos a arrepiar os mais hesitantes… Nem me seduz mais o longe.

O lugar é o mesmo. Mas a natureza zangou-se com a minha praia.

 

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publicado por Bernardete Costa às 18:50

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Domingo, 3 de Julho de 2016

DEIXO-ME IR PELA MÚSICA

 

publicado por Bernardete Costa às 19:31

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