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Sábado, 26 de Novembro de 2016

DIAS...

 

 

há dias de incerteza do nascer

e morrer. fico então sem saber das agulhas da tristeza

apenas sei do voo das gaivotas. como elas

grávida de azul e liberdade. dias de estar comigo

sem outro perigo que este inverno

no travo da boca.  como um punhal

cravado fundo no gelo da idade.

 

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publicado por Bernardete Costa às 18:32

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Quinta-feira, 10 de Novembro de 2016

RESCALDO DAS ELEIÇÕES NA AMÉRICA

 

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Depois dum acordar tumultuoso e dum dia de ontem num continuum ainda mais caótico no que diz respeito ao meu ser e estar, sendo "uma pessoa fantástica que promete coisas fantásticas", não detenho a originalidade da expressão, como já deduziram, este dia de hoje trouxe-me para a tristeza da chuva e logo de seguida para o fulgor do sol; como dizia, na onda fantasmagórica que ainda me ataca, salvo seja, vejo um trump mesmo fantástico, que de tanto dizer que ia fazer não vai fazer o que disse. E valham-me todos os santos e santas do reino dos céus! Com todos os defeitos que lhe reconheço e me provocam asco, a inteligência ainda lhe ocupa uma quota parte de espaço no cérebro. Muito sucintamente:

Apresentou-se grosso e sem papas na língua a um eleitorado sedento de mudança, farto do socialmente correto, um eleitorado que não crê mais nas promessas que nunca são cumprida. Pelo menos, e terá sido o caso mais flagrante o de Obama, as expectativas do povo americano ficaram muito pela rama. É minha opinião.

Tudo muito certinho, palavras muito bonitas…para muita coisa continuar na mesma. No que concerne à política interna a vontade de Obama não conseguiu ir longe, e no que à política externa diz respeito, uma espécie de subserviência aos poderes instalados – apraz-me aqui referir Israel e a sua hegemonia sobre a Palestina…e não só. O povo que elegeu Obama, o mesmo que agora elegeu trump, melhor, o povo ainda mais dilatado, pretende uma América essencialmente virada para si, uma América em primeiro lugar voltada para a sua interioridade, para o seu povo. (Uma América que não desperdice a riqueza produzida com A e B, o mesmo que dizer, uma América egoísta centrada no seu povo). Afinal, um grande paradoxo, porque muitos e muitas que nele votaram elegeram um homem que prometeu tratá-los abaixo de cão. Aqui se vê que o socialmente correto não funcionou mesmo, o que resultou foi mesmo a paródia aliada à crença, “o gajo é um brincalhão, nada será assim mau como promete ahahaha”.

Não batendo palmas a este trump que me cheirou demasiado a m…., toda a sua postura pós eleitoral é indicadora de alguma reflexão, ou seja, o trump candidato pode mesmo ser, senão o oposto, muito diferente do Trump presidente.

E reitero, que nos valham todos os santos e santas dos céus! Amém!

 

 

publicado por Bernardete Costa às 19:27

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Terça-feira, 8 de Novembro de 2016

DESCULPA

 

desculpa. impossível o amor, uma tormenta

ao pôr-do-sol, uma rua de vidro

se meus passos nela intenta.

 

desculpa. a nossa viagem findou sem se ter iniciado.

veio a brisa. amaciou o fogo solar

e não mais se soube que lava irrompeu

do desejo que tudo confunde:

o ensejo de te ter a meu lado, rir no teu riso,

ser eu que em ti se funde.

 

desculpa. apenas pretendo ternura se tua boca

beija minha boca se teu afago é sal de mar.

 

desculpa. sei que sorrio se lembro teu olhar.

ainda assim uma lágrima desce-me pelo rosto

e bebo-a como o mais puro mosto,

essa sede que de ti me ficou:

teu rosto no meu rosto minhas mãos nas tuas mãos

meu sorrir na travessura do teu sorrir

…mas nada mais.

 

desculpa. até o mais belo dos vitrais se estilhaça

e o amor, o amor que não chegou a florir,

somente me deixa faminta da saudade 

…dessa saudade que se embaraça

 por existir.

 

bernardete costa

 

publicado por Bernardete Costa às 21:51

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Segunda-feira, 7 de Novembro de 2016

ENTREVISTA A BERNARDETE COSTA, CENTRO EDUCATIVO LUÍS DE CAMÕES, VILA NOVA DE FAMALICÃO

 

 

publicado por Bernardete Costa às 18:00

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Segunda-feira, 31 de Outubro de 2016

NOVE IRMÃOS

 

Tantos...

 

Tantos frutos do calor das sementes, tantos ramos das mesmas raízes. Somos nove a procurar o sol no calor dos afetos, tantos a desvendar o mundo que nos cabe. Essencialmente, esse mundo partilhado por risos e brincadeiras e partidas e traquinices…Nove a fecundar vida, a perpetuar no abraço do sangue a mesma origem que nos une.

Por vezes somos nove um pouco distantes, mas numa distância cada vez mais curta, distantes nesse perto de ternura que se torna urgente. Somos nove no presente mais unidos do que nunca. Porque o futuro assusta, o arrancar duma raiz, a morte duma semente…; sombras que perseguem a luz-vida no imprevisível devir, porque até toda a luz projeta a sua sombra.

Houve um tempo de preferência, dois a dois se fazia maior união, maior cumplicidade. Uns pelas artes, pela ciência, outros pelos passatempos – nem sempre muito compreensíveis e aceites pelos demais –, outros ainda pelos diversões partilhadas. Sempre juntos pelo amor, esse amor tão parco de manifestações, mas ali ao lado pronto a sarar feridas.

Hoje o presente marca mais ainda. Olhamos os rostos uns dos outros, e essa árvore de que fazemos parte já evidencia sulcos na pele, uns mais profundos, outros poucos revelados ainda. Também as idades divergem, naturalmente. Mas dizem, todavia o tempo a ranger ossos e a pele atraída pela traiçoeira gravidade, somos um ramalhete de bonitos irmãos. Sim, sermos filhos de quem somos, dessa árvore frondosa e bela, fez-nos sem grande feiura, e permite-nos a vaidade de abençoar essa árvore que nossos pais semearam.

O espetro da doença e dum qualquer maléfico imprevisto ameaça-nos como uma espada de Dâmocles. Um dia, no tempo que se avizinhará, restará apenas um ou outro frágil momento a persistir nas lembranças, abrigado da dor na clausura dos nossos corações, como uma dádiva divina.

Um dia morreremos aos poucos, como feridas que não cicatrizam mais. Um dia dir-se-á que o destino, já cansado do tempo que nos ofereceu, escreveu a data da partida. Ou ditou o momento adiado. E choraremos como os frutos excessivamente maduros pendentes da ramagem. Ou choraremos com os olhos cegos e secos da idade, sempre que o frio cúmplice da ausência apagar as memórias da casa, das alegrias, das lágrimas… e das inúmeras sementeiras que florescem na matriz do mesmo sangue.

E como nossa mãe, saudaremos os pássaros a cada manhã com risos traquinas da infância.

Bernardete Costa

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publicado por Bernardete Costa às 17:25

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Sexta-feira, 28 de Outubro de 2016

MINHA MÃE

 

Minha mãe nunca me disse, gosto de ti, amo-te. Minha mãe nunca me disse, és bonita. Nem eu lhe fiz chegar ao coração o que não havia aprendido. O que ela não me havia ensinado. Somente a segurança que dela emanava a dominar a casa, que procurava no seu jeito um pouco descuidado manter arrumada, me fazia pronunciar com as palavras escondidas no coração a doce tranquilidade de me saber protegida no seio morno, onde porém nunca me aninhei. Nem da sua boca algum dia ouvi, vem ao meu colo, pousa aqui a tua cabeça. Mas a sua inegável presença surgia sempre que no medo da noite chamava, Mãezinha, tão baixinho com receio de a acordar, e ela vinha.

Minha mãe acordava sempre que “Mãezinha” eu proferia tão baixinho com receio de a acordar,  e, com pés de lã, que tens; a sua voz ciciada era o colo que nunca tive, era o mel dum abraço que nunca senti adoçar-me o coração.

Só muito mais tarde, minha mãe de novo criança me reconheceu criança, me estendeu os braços, me acariciou os cabelos, dizendo, que bonita és, dá-me um beijo.

Minha mãe tão menina, também sem carinho de mãe, vergada à seda dos seus cabelos brancos, livre das doutrinas e preconceitos que a fizeram mulher rude - os gestos de afeto não são recomendáveis, declarava pela boca do padre que a ouvia em confissão. Minha mãe agora menina abria os braços, oferecia-me as faces, dá-me um beijo, afagava-me os cabelos, aconchegava-me no colo, e falava, minha menina linda, como gosto de ti!

publicado por Bernardete Costa às 13:55

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Domingo, 16 de Outubro de 2016

NOITE CULTURAL EM ESPOSENDE

NOITE CULTURAL EM ESPOSENDE

 

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Ontem, 14 de outubro, sexta-feira, o bar Quanto Baste recebeu no seu espaço interior, intimista e acolhedor, a exposição “A Alma das Gentes” do pintor Fernando Rosário, assim como poemas de Bernardete Costa alusivos à sua obra.

Este evento contou com a colaboração especial de José Felgueiras, amigo e conterrâneo, que explanou sobre esta terra de rio e mar e suas gentes ao seu jeito tão peculiar e agradável.

As belas vozes de David Morais Cardoso e Clara Oliveira, convidados queridos da autora, deram vida à poesia de Bernardete Costa.

Momentos sublimes de meditação sobre a vida… e morte destas gentes, que desde tempos antigos vivem e sobrevivem sob as venturas e inclemências do rio Cávado e do mar que o recebe em seu seio de sal.

Aqui pretendo deixar os maiores agradecimentos a todos os colaboradores que contribuíram para a concretização deste evento, assim como agradecer a todos os que, numa noite chuvosa  e a pedir o conforto de lar, se dignaram estar presentes.

Abraços para todos!

 

publicado por Bernardete Costa às 00:19

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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2016

CAIS

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(Tela do pintor Fernando Rosário)

 

Aqui se diz da memória dum rio ancorado

na faina das gentes, do punho forte do pescador

na tessitura intrincada das redes,

dessas águas na moldura da vida … e da morte,

da aurora fundeada no imprevisto do mar

 

onde o momento é uma crisálida de névoa.

Pintam-se silêncios de esperas

e o tempo geme na carícia dos dedos; mas o rio

redentor dança sob a chuva e o sol

e como o amor é genuíno deslumbramento

 

Aqui se diz das mulheres antigas,

beatas no fervor das matinas a invocar

a senhora dos mareantes:

essas mulheres amantes a suspirar preces de amor

num enleio de negras mantilhas e de vento;

aqui se diz do alvoroço das crianças,

atordoadas aves ao festim do chamamento

 

Aqui, nada mais se diz; nesta tela o tédio o medo

e a ira são razões efêmeras e a vida

é bebida apetecida logo que o voo da gaivota

esboça iniciais  de barco a abraçar no horizonte

a mancha de tinta das águas

… para só depois aportar ao cais

onde se pode placidamente ser feliz.

 

Bernardete Costa

 

 

publicado por Bernardete Costa às 22:08

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QUANDO NASCI

 

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(Tela de pintor Fernando Rosário)

Quando nasci

Quando nasci bebi das entranhas rubras da terra
todos os sonhos do mundo. Meu rio meu mar
espelharam no meu olhar o horizonte fecundo

Quando nasci o oiro escorria do sol
e a dança das folhas
era tela ardente de crepúsculos outonais

Vim ao fim da tarde a respirar vogais do vento e da chuva
mas ainda senti a réstia do sol
a fecundar o dia: fulgor de malmequer, cor a semear
fragrância em jardim outonal

Colhi do fruto maduro a semente da palavra;
no alimento da luz e da névoa a suspirar amor
sorvi o futuro no sabor da alegria. Vivi a dor e o prazer
pauta destino do meu ser

onde componho a música astral
                                             que em mim
                                                            se faz poesia.

 

Bernardete Costa

publicado por Bernardete Costa às 22:01

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Terça-feira, 20 de Setembro de 2016

NA DANÇA DOS DESTINOS

 

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Na dança dos destinos

Por vezes colhe-se o fascínio das estrelas
e olha-se as mãos vazias.
Tanto deslumbramento pela incógnita dos astros,
por cometas na dança dos destinos, pelo véu
das nublosas salpicando noites formosas, pelo musical
de anjos a embalar meninos…

Olho as mãos vazias e recordo as cigarras da infância.
No descuido das manhãs frias o livro de fábulas
era a canção que prometia a alegria; logo
um diáfano manto de histórias e sol
me servia de colchão.

Receio ter descoberto que fui mal ouvida e mal tida:
enquanto formiga meu coração nos versos chora,
enquanto cigarra a canção se dissipa 
com o susto dos dias.
Continuo de mãos vazias.

Porém há um relógio a bater em clave de sol
anunciando cânticos escondidos nas folhas ou na casa
porque as sombras esvoaçam como asas…
No entanto, e ainda de mãos vazias, 
só agora entendi a mulher que sou:
cigarra ou formiga, livro ou história ou até poema de amor.

Mas sempre de mãos vazias…

Bernardete Costa

 

publicado por Bernardete Costa às 21:44

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