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Sexta-feira, 10 de Novembro de 2017

A MINHOTA

A minhota rural é natural como a água da ribeira. Faz-se paisagem na própria paisagem.

Veste a roupa de ver Deus aos domingos -  também em dias festivos. Depois entrega-se no abraço da igreja ao divino Ser persignando-se amiúdas vezes. Levanta-se, senta-se e ajoelha-se. Cumpre os rituais. Entrega a alma ao Senhor Jesus engolindo-o com devoção até às entranhas.  A serenidade recebida do alto comanda-lhe os gestos e molda-lhe o rosto com luz de ternura. E canta. Dir-se-ia um anjo a entoar com delicadeza subalterna as preces aprendidas na meninice. Mal sai do recinto oloroso de incenso e salpicado de luzes cálidas, agora no adro da igreja, a minhota abre-se em sorrisos que lembram margaridas doiradas ou pontinhos de sóis. E com saracoteios de anca atreve-se aos machos. Fingindo um orgulho feminino que não possui. Porque ser minhota ainda implica aceitação, resignação.  Ainda assim, misteriosa. Avança e recua. Promete e despromete. Quando se compromete rende-se num desejo subtendido, quase calado, à masculinidade que a procura.

A minhota veste as cores fortes da sua personalidade. Estampa-se na natureza como mais um ramalhete vivo de rosas, de margaridas… Com rendas e bordados em alvas blusas atrai como mariposa. E goza esta atração com vivacidade de gaiata e com risos abertos e gargalhadas atrevidas.

A minhota prende os cabelos em lenços coloridos, chamativos, as saias de renda branca em suspiros sob o negrume cauteloso da saia de cima. Nos pés traja as chinelas herdadas das avós; aliás, toda a indumentária foi tirada para a respiração do dia, naquele dia, da arca da avó. E a minhota dança em roda, levando na roda o atordoamento dos rapazes casadoiros. Porque a dança é o ritual por excelência para atrair os machos, para os subjugar. A melhor bailarina terá a seus pés o rapaz mais donairoso, mais bonito. A melhor bailarina é sempre a minhota mais bela, a mais sorridente. O sorriso desce do céu e faz dela uma aparição celestial.

A minhota é conservadora. Respeita os mortos. Chora a saudade dos mortos com lágrimas de viúva, soltas e pungentes. E traja de negro se a viuvez a procurou. Recua na casa buscando o silêncio que lhe mitigue a dor. A minhota ama uma vez. Verdadeiramente. Apenas aceitará um novo amor para assegurar o pão dos filhos. O seu maior prazer é embalar os filhos, depois os netos, no imenso regaço de ternura com que Deus fadou a mulher. Uma ternura, um amor que ameaça rebentar pelas costuras do coração. A minhota quando desaprende de amar torna-se amarga. Deixa de ser minhota. Porque o Minho detém em si todas as alegrias dos verdes, dos ribeiros, das encostas abraçando os vales. O Minho não é viúvo. Refaz-se das vicissitudes dos tempos, ou do tempo, na explosão das margaridas, das urzes, das miosótis, das camélias, dos maios, das mimosas…

Dizem que a minhota é bonita. Quando jovem, sim. Para mim todas, ou quase todas as jovens são bonitas. Como as noivas. Já se viu uma noiva feia?

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Tela "A minhota" de Fernando Rosário

publicado por Bernardete Costa às 19:48

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Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017

O DIABO NO VERÃO DE 2017

 

 

Um estranho governo saiu das últimas eleições para a Assembleia da República. De tal forma que foi nomeado “geringonça”. Depreciativamente. Futurando enguiços de cremalheiras, quebra de rodas dentadas, ferrugens e outras coisas que tais propiciadoras ao seu péssimo funcionamento.

Pelo contrário, a dita “gerigonça” lá se vai aguentando, mesmo funcionando muito além dos limites previstos para tal conjunto de engrenagens. Saldo positivo. Nas últimas eleições autárquicas o povo reconhece o maior partido da dita, ou seja, a carruagem e as rodas que a movimentam. E esse partido sobe significativamente agoirando, num próximo futuro, não já uma “geringonça”, mas… Esperemos pelo batismo. Que lhe virá da sua direita. Ou não. Talvez a inspiração falte.

 De tal forma ressabiados pelo bom desempenho da “geringonça” há quem confie no aparecimento do diabo. Ah, quando aparecer diabo é que vão ser elas!  O riso escarninho de quem se está marimbando para o país e para o povo.

Mas o diabo surgiu em forma de labaredas de fogo. Num verão atípico, nem muito atípico, já em 2007, se a memória não me atraiçoa, esse mesmo diabo devorou Portugal de lés a lés.

O PR (Presidente da República) ocorre às regiões mais flageladas. E muito bem. Palavras de conforto e abraços urgem em tempo de luto e de tragédia. Mas sabe-se, o PR pouco tem de fazer, a não ser a representatividade do país, quer dentro ou fora de Portugal. O PR não governa. Pode dispensar o gabinete de trabalho. Pode ficar no rincão natal sem obrigações de monta que exijam a sua presença. E pode voar, semelhante ao super-homem, já ninguém lhe extirpa o cognome de superpresidente, de sul para norte, de norte para o sul, de oeste para este, de este para oeste, mesmo a desrespeitar todo o protocolo, que se lixe! E a segurança que não se aflija: quem atacará um PR tão carinhoso e amante de selfs com este e aquele?

A comunicação social exulta. Nunca tamanha matéria incandescente, ainda que trágica, e até mais por isso, lhe permite encher as TVS, os jornais…Os articulistas pulam de felicidade. O manancial de matéria candente e a consequente destruição da floresta e a perda de vidas humanas, mais outras labaredas ateadas pelos políticos que visam o poder, são elásticos para dissertações empolgadas que visam o registo efémero na fotografia e no filme.  Por sua vez, as redes sociais são poços de ditos e desditos. De ofensas, de injúrias, de concordâncias ou discordâncias seguidistas… É a democracia a funcionar. Vale tudo. Dizem, somos livres!

Urgem demissões. Pede-se a demissão do governo. E os que as solicitam são precisamente aqueles que afundaram o país, que o algemaram a uma troica que já reconheceu o seu erro: não era a austeridade que salvaria Portugal.

O PR adora desempenhar o papel de bonzinho. Adora agradar a gregos e a troianos. Desde o tempo em que foi articulista na TV. Sabe-se. Dá um puxão de orelhas ao governo, assumindo, ou dando a entender, que foi nestes dois anos de governação que tudo não se fez para o que se devia fazer. Quando o ordenamento florestal, a vigilância, etc. é um processo longo e cuidado. A pedir intervenção e coordenação de todos os governos de Portugal.

Depois, a questão das ignições. Da parte do PR ouve-se o silêncio. Dá que pensar. E não em coisas boas!

 Mas o mais caricato, o PR acusa o PM ( primeiro ministro) de não pedir desculpas ao país e aos flagelados. Tão fácil seria, mesmo o mais fácil, pedir desculpas. Mas o mais hipócrita.

As desculpas não se pedem, evitam-se.

Desconheço muita da personalidade do PM. Mas quero crer que, essencialmente, tudo fará, ou tentará fazer, para que outro verão idêntico não se repita. Mesmo que se ponha a jeito, Tipo diabo!

 

Bernardete Costa

 

publicado por Bernardete Costa às 20:09

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Segunda-feira, 2 de Outubro de 2017

ABSTENÇÃO ELEITORAL

 

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O país votou. O outono abraçou com seus esplendores de ouro e cobre o dia. Ainda assim a abstenção persiste. Não tenho dados no momento que me indiquem se aumentou ou diminuiu. Mas vislumbro uma abstenção, essencialmente da camada mais jovem do eleitorado. Uma preocupação presente, mas também futura. O voto é um instrumento democrático, que nunca se esqueça, conquistado em abril, que nos permite escolher quem nos governa. Para o bem ou para o mal. Ou nem por isso. Agora, quem se abstém, está no seu direito. A nossa Constituição assim o permite. Apenas, no meu entender, não cabe ao abstencionista a razão de contestar este ou aquele resultado eleitoral. Refutar esta ou aquela política. Há vozes que proclamam a obrigatoriedade do voto. Prefiro que cada cidadão entenda a “obrigação de votar” como uma atitude cívica essencial ao exemplar - ainda que com reservas, sabe-se - funcionamento da democracia.

A liberdade, assim como a democracia, é uma espada de dois gumes.

 

Bernardete Costa

 

 

publicado por Bernardete Costa às 18:29

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Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS 2017

 

Entretanto muita água correu sob a ponte. Para dizer o óbvio. Muita coisa na vida pessoal, na sociedade, no país, no mundo, evoluiu, algumas vezes para o bem, muitas para o mal.

Em tempos adolescentes, as feiras semanais e festas anuais com os seus carrosséis, pistas de carrinhos, etc., fizeram as delícias da minha geração. E os ruídos, excessivos, a eles ligados sentiamo-los como o embalar estrépito do longínquo mar. Ainda a política se amamentava dum cauteloso silencio; não fosse o Zé povinho acordar para a realidade de uns, miséria e pobreza extremas, e para a verdade de outros, conforto e quantas mordomias.

Seguramente, que a idade está na razão direta da rejeição aos ruídos, sejam eles até nascidos de acordes musicais que tanto me/nos deleitam.

Indubitavelmente, os mais jovens aceitam com maior tranquilidade o excesso de decibéis debitados nas variadas circunstâncias, mormente no que à audição de musica diz respeito.

Este preâmbulo, apenas para afirmar que não serão os múltiplos altifalantes a propalar este ou aquele partido, este ou aquele candidato, que merecerão a atenção da juventude - afirma-se, e bem, o futuro da nação. Esta juventude tão “surda” ao idealismo político (por que razão, por que razões, deuses!), tão assoberbada por outros ruídos e interesses, não comparecerá nas urnas, no próximo dia um de outubro – gostava de estar enganada –, por mais que as televisões e os altifalantes apregoem as vantagens e as promessas deste ou daquele candidato. Além do mais, a juventude, uma boa parte dela, vive essencilmene segundo regras hedonistas, por isso voltada contra o pensamento, assimilando o fácil, de preferência de mão estendida.  

Sim, nos primórdios da liberdade politica, em Portugal, também se usou das mesmas estratégias de “sedução”. Todavia, a abstenção nas urnas era pouco significativa. E suponhamos que sim, ainda se acreditava em certos valores e princípios que haveriam de ornamentar a democracia. Talvez por isso, a geração da "peste grisalha" dispensa estrondosas baboseiras publicitárias venham elas donde vierem; mais, elas incomodam, elas podem induzir, por cansaço e esgotamento auditivo, à fraca participação eleitoral – e façamos de conta que não!

A juventude, mais, as crianças, urgem uma aposta na formação da cidadania. Para que possam entender os compromissos e os ideais políticos. E façamos de conta que sim, para que possam/queiram reconstruir uma sociedade suportada por uma política transparente, justa e democrata.

No entanto, os mais velhos, ou a malfadada peste “grisalha”, e façamos de conta que sim, ainda tentam discernir o melhor para a sociedade e democracia portuguesas.

Pelo menos ainda  sentem e desejam a “obrigação” de exercer um direito conquistado em abril.

 

Bernardete Costa

 

publicado por Bernardete Costa às 17:38

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Segunda-feira, 7 de Agosto de 2017

O REFLEXO NO ESPELHO

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Vejo-me ao espelho e que vejo? O meu reflexo, dirão. Sim, vejo o meu reflexo mas não vejo uma grande parte de mim.

Aquela parte de tristeza sem razão ou de motivo ainda que fútil, aquela insatisfação de estar sem saber para quê…, mas também a parte de sorriso fácil, de alegria embebida pelo simples voo duma ave, aquela parte de mim caminhante de sol, vento, neblinas e areias…

Acabei de ver o filme" Meu nome é Alice", em que à personagem principal, Alice, é-lhe diagnosticada a doença de Alzheimer genético com 50 anos de idade; e até esse repúdio de medo não se visualiza na imagem que o espelho me retribui.

Mas, essencialmente, a partida da Daniela, a jovem de ossos de vidro, como diz o povo, em muito contribuiu para este meu estar no espelho sem identificação com o meu eu.

Nada, a não ser um rosto impávido, transparece no meu reflexo que se assemelhe ao aperto na alma que ainda permanece ao saber da partida da Daniela, sei lá para onde; ao saber que a Daniela resolveu, ou alguém por ela, abandonar este mundo por onde caminhou sempre de sorriso aberto e doçura na voz. Se foi um deus que a chamou é inaceitável, um deus não obriga ninguém a partir quando esse alguém sorri com tanta facilidade ao sofrimento, à vida macabra que viveu desde o nascer.

A Daniela, depois de 34 anos de vida a sorrir e amar tudo e todos, não resolveu ir-se embora. Assim, sem mais, desistir. Talvez tenha sido daquele aperto no peito que a estrangulava. A Daniela viu-se obrigada a aceitar o destino de nascimento. Contrariada, creio. Os sorrisos não enganam. O último sorriso não enganou.

Quando soube, o meu eu retido no espelho não se alterou. Mas o meu coração encolheu como um punho a doer no peito. E nada se viu no espelho.

Cortei a mais linda e alva orquídea do meu jardim. Era mais fácil comprar algumas brancas rosas, mas aquela orquídea significava tanto para mim, que só, tu, Daniela, a merecias. A recusa em aceitar a tua ausência definitiva levou-me, resoluta, com tanto amor o fiz, com que delicadeza, a cortar a flor que te seria destinada.

Ainda te fui ver à igreja. Apenas lobriguei a enorme quantidade de flores que te cercava; apenas senti a dificuldade em caminhar até ti numa igreja completamente cheia.

Sentei-me no largo da igreja a imaginar-te tão frágil. Mas tão resistente. Rejeitei seguir-te até à última morada. Depois, sentindo o sol varrer a avenida naquele fim de tarde, dirigi-me sozinha até  defronte ao lugar onde teu corpo já adormecia na inclemência de morte. Tua mãe não suportava a tua partida. É normal: o destino dos filhos não é partirem antes dos progenitores. E ela, os teus familiares, os teus amigos, quem de ti gostava, não acreditavam que de pois duma luta de 34 anos te fosses assim sem mais.

E o meu reflexo no espelho nada diz da minha revolta contra esse deus que te levou.  Deus assim quis, ouvi de alguém que chorava copiosamente junto aos sete palmos de terra que te eram destinados. Não só por ti, Daniela, mas também pela Sofia distraída numa  praia do Algarve, por outras crianças trucidadas pela guerra, pela desumanidade do homem. A haver um deus a sério, ele não te levaria, nem à Sofia, nem a milhares de crianças mortas pelas balas da guerra e pelas agruras da miséria e da fome.

Continuo a tentar visualizar no meu reflexo do espelho uma parte de mim que o espelho não reflete.

Assim por aqui ando, apenas o meu reflexo a sorrir, com modos educados. A conversar normalmente com modos educados.  A aceitar cada dia como mais um com resignação educada. Sou apenas o meu reflexo no espelho. A outra parte de mim perdeu-se nesta inquietação.

 

Bernardete Costa

 

 

publicado por Bernardete Costa às 17:07

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Segunda-feira, 3 de Julho de 2017

"O VELHO DA HORTA", PELA OFICINA DE TEATRO DA BARCELOS SÉNIOR

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No passado dia 30 de Junho, no Teatro Gil Vicente, em Barcelos, a Oficina de Teatro da Barcelos Sénior levou mais um espetáculo à cena. Agora com a comédia "O Velho da Horta", do reconhecidíssimo dramaturgo e poeta quinhentista, Gil Vicente.

Depois de meses de trabalho, quantas vezes árduo, foi com imenso orgulho que toda a Oficina de Teatro, sob a direção do professor Fernando Pinheiro, concretizou mais um projeto cultural. Elevando desta forma a um nível superior a Arte de Talma!.

O mesmo espetáculo se segue, na próxima sesta-feira, no salão paroquial de Durrães, às 21.30h. Para que também a população rural possa usufruir da criação Vicentina. 

publicado por Bernardete Costa às 19:21

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Quinta-feira, 29 de Junho de 2017

MÚSICA DE TODOS OS TEMPOS E "O CHICO DO TI 'FARTURAS"

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Depois do êxito do espetáculo levado à cena pela UAE (Universidade Autodidacta de Esposende, “Música de todos os tempos e a peça de Teatro “O Chico do Ti’Farturas”, no Auditório Municipal de Esposende, no passado dia 3 de Junho, a UAE, a rogo de muitos que não tiveram a oportunidade de usufruir deste evento, até porque a casa depressa ficou lotada, fez a sua reposição no Auditório de Palmeira, no passado dia 25 de junho.

O Auditório não encheu, ficando aquém das expectativas. No entanto, e tendo em conta que as entradas eram solidárias a favor das vítimas do incêndio de Pedrogão Grande, a receita até se pautou por razoável. Ou seja, valeu a pena o sacrifício dos seniores, que nunca é de mais referir, para mais tendo em conta a idade avançada de alguns, 80 e mais anos.

Talvez lá para dezembro, também a pedido de muitos esposendenses e até da autarquia, se volte de novo aos palcos, desde que no Auditório Municipal, pois que as condições são razoáveis e já conhecemos os cantos da casa!

Aqui pretendo reiterar o apreço por todos os que contribuíram, duma forma ou de outra, para que este acontecimento fosse do apreço geral do público.

Não pretendo terminar sem uma referência especial ao autor da história, José Felgueiras, que suportou a dramaturgia encenada pela minha pessoa. Ainda realçar que as alterações à história tiverem todo o consentimento prévio do autor.  

Agora, as merecidas férias, que bem-vindas são!

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publicado por Bernardete Costa às 19:35

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Terça-feira, 6 de Junho de 2017

ESPETÁCULO UAE (UNIVERSIDADE AUTODIDACTA DE ESPOSENDE) - MÚSICA DE TODOS OS TEMPOS E "O CHICO DO TI' FARTURAS"

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Um dia destes, no meu trajeto citadino, cruzei-me com o escritor e amigo de longa data José Viale Moutinho. Com normalidade insuspeita inquere das minhas andanças, invariavelmente dos meus projetos literários. Já certa vez me chamou preguiçosa porque não lhe respondi de forma conclusiva. Desta feita contei-lhe dos meus projetos teatrais e outros ligados à Universidade autodidacta de Esposende assim como à Universidade Sénior de Barcelos.

Prontamente, daquele seu jeito que não admite réplica diz: deixa-te disso. Tu és uma criativa!

Sorri, mais um esgar com laivos de acordo... e desacordo. Como acontece quando a argumentação me escapa momentaneamente.

Hoje, estou aqui para lhe responder como o desejaria ter feito no momento: Sim, sou uma criativa. Pois não é o Teatro uma arte da criação, pelo menos aparentada com tantas outras?

Ou seja, pela terceira vez armo-me em carapau de corrida, ou se preferirem em aprendiz de feiticeiro, e levei à cena já três espetáculos. Nada de grandioso, com certeza. Mas à medida do gosto deste povo simples de Esposende, terra onde o Teatro possui raízes profundas na tradição cultural do burgo. Desta feita realizou-se no último sábado, 3 de junho, no Auditório Municipal, um espetáculo com Música de Todos os Tempos e a peça “ O Chico do Ti’Farturas. Notavelmente, e apesar de outro evento em simultâneo, a sala esgotou; foi até necessário permitir acesso a pessoas que aceitaram permanecer desconfortavelmente a pé ao longo das cochias. Facto que em nada é aconselhável, como sabem.   

É pois com a intenção de “publicitar” este meu trabalho criativo que aqui deixo algumas imagens. Também, e notoriamente engrandecer a prestação de todos, professores implicados, grupo coral e atores e atrizes, que, quantas vezes com denodado esforço físico e psicológico, se prestaram às exigências deste projeto.  

publicado por Bernardete Costa às 18:24

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Segunda-feira, 15 de Maio de 2017

PORTUGAL EM FESTA

 

PORTUGAL ESTÁ EM FESTA! Transborda uma tal alegria depois de se sagrar vencedor no Festival da Eurovisão! E ainda bem. Vitórias, festas, alegria fazem bem à alma, à autoestima dos povos. Depois de tantas tentativas goradas de canções elaboradas pelos mais conceituados letristas e poetas portugueses, orquestradas por músicos de renome, um jovem e sua irmã, cantor e letrista respetivamente, trazem orgulhosamente para casa, para a sua pátria amada, o almejado troféu!

Ainda que, e pago caro esta ousadia pois uma multidão eufórica quase me bate na cabeça, tenha dito no momento que a letra da canção é pobre, ainda que bonitinha, porque fala de amor. Mas quantas outras canções bonitinhas também falam de amor! E nem por isso milhões de pessoas as acham excecionais. Quanto à música, quanto a mim, evoca-me uma canção de ninar; é mais uma música que soa bem, mas sem grande notoriedade.

Penso que o grande sucesso no Festival da Eurovisão não foi tanto pela canção em si, mas pela interpretação despojada e a simplicidade tocante do Salvador.

Estes e outros aspetos remetem-me para uma Europa cansada de luzes, vaidades, pessoas festivaleiras. Que até podem ter almas grandes, mas que não souberam ou não se atreveram à humildade que caracteriza o nosso cantor. Um cantor marcado por uma apreciada modéstia, até agora nunca observada nestas andanças musicais.  Numa europa, num mundo em convulsão, presumo que este festival da Eurovisão poderá ser até temática para ensaios socio-filosóficos.

Não mudei de opinião, seguramente. Gostaria até do contrário. Um pouco como aquela de Fernando Pessoa: primeirito estranha-se depois entranha-se. Mas não, fico na minha.

E o óbvio, PARABÉNS PORTUGAL! PARABÉNS SALVADOR!

 

publicado por Bernardete Costa às 18:45

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Quinta-feira, 27 de Abril de 2017

O REI TRISTE

 

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O REI TRISTE

 

            Era uma vez um país belo como a primavera; lembrava o mar, o verde, o azul… Mas onde reinava um rei triste, muito triste. Porque não tinha amigos, não sabia gostar das pessoas.

            Vestia este rei sempre de negro como a sua tristeza.

            Vivia na capital do seu reino num grande palácio cor-de-rosa.

            Não tinha rainha, nem príncipe, nem princesa. Rodeava-se unicamente pelos seus criados e por um conselheiro que o ajudava a governar.

           

De longe a longe visitava a casinha onde nascera, numa pequena terra a luzir como um diamante no sopé duma montanha.

            Sempre triste e trajado de negro.

            Indiferentes à melancolia do rei, as flores do pequeno e desarrumado jardim, que rodeava a casa da sua infância, brotavam vivas, coloridas e com um grande sorriso de pétala a pétala.

 

            Um dia, o rei triste resolveu castigar as sorridentes flores que cresciam naquele pedaço de chão.

            E mais triste do que nunca ordenou:

            - Todos neste reino, homens, animais, plantas, pedras, montanhas, serras, céus, rios, mares… e flores estão proibidos de sorrir!

 

            Ficaram de boca aberta as gentes do sítio e de todo aquele país que lembrava o mar.

            Também os mares, rios, montanhas, céus, animais, plantas…e flores não compreendiam tal lei. Por isso, não a podiam aceitar.

            - Não se pode proibir o sorriso! – clamavam zangados.

 

            No dia seguinte, o rei foi verificar se as flores tinham cumprido a sua ordem.

            Já cansado de tanto e tanto olhar para as flores, procurando nelas algum entristecimento, sentou-se numa cadeira.

            - Daqui não saio até desaparecer o sorriso das vossas pétalas – bradou, furioso!

E assim sucedeu: o rei triste, sempre de negro vestido, deixou-se ficar sentado naquela cadeira, à espera de ver as flores deixarem de sorrir.

 

E esperou, esperou.

Até que, numa límpida e clara madrugada, O rei Triste soube que os cravos, como numa explosão de fogo de artifício, floriam nos jardins, nos campos, nas montanhas daquele país que lembrava o mar, o azul, o verde…, nasciam até nas janelas do palácio cor-de-rosa. Foi então que os sorrisos dos homens, das flores, dos jardins, dos campos, das montanhas, dos rios e dos mares se transformaram em gargalhadas, como se uma crise de imensa alegria os dominasse.

            Na sua cadeira há muito sentado, já fraco e velho, o rei triste pensou que deviam ser os cravos que transmitiam aquela alegria. Tapou os ouvidos. E ainda gemeu:

            - Os cravos estão proibidos neste país…

Com tal mau jeito se mexeu, que tombou da cadeira. E não mais se ergueu.

 

Bernardete Costa

 

 

 

 

 

publicado por Bernardete Costa às 19:14

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