https://youtu.be/QLCDymoJD_0

Os Meus Livros

https://youtu.be/Fke4JjUZDTs

posts recentes

SE ME PERGUNTAREM...

DESABAFOS INDIGESTOS

A MAGIA DUMA BORBOLETA

A NATUREZA ZANGOU-SE COM ...

DEIXO-ME IR PELA MÚSICA

SEQUÊNCIA DE RETRATO A ÓL...

Ribeirão, vencedor das ma...

Brincares de uma Sereia n...

SEM OPORTUNIDADE DE VOAR

RETRATO A ÓLEO DE BERNARD...

arquivos

pesquisar

 
https://youtu.be/Fke4JjUZDTs
Sexta-feira, 29 de Julho de 2016

SE ME PERGUNTAREM...

 

sorriso.jpg

Se me perguntarem…

 

Se me perguntarem qual a cor dos teus olhos, direi, azuis, castanhos, dourados, verdes, limão,

nunca negros. Teus olhos seriam de qualquer cor menos da cor da escuridão.

Se me perguntarem do teu cabelo liso, direi, da cor do sol. Mas era o teu sorriso o incêndio que surgia em cada esquina da minha espera.

Se me perguntarem se usavas peúgas pretas, sim, direi, até sorrias quando as confundias com o meu cabelo.

Se me perguntarem, o que sentias ao vê-lo, direi com o silêncio alto dos segredos que te admirava como quem admira os diletos poetas.

Se me perguntarem quando te conheci, direi, nunca te vi na dobra do meu vestido

apenas nos rimos das janelas trancadas na casa proibida.

Se me perguntarem se um dia te amei, direi, duas vezes o amor se escondeu no vão duma escada. Aquelas duas vezes em que meus dedos segredaram no teu sorriso um outro sorriso colhido do chão.

Se me perguntarem se ainda te amo, direi, não, o amor chegou pelo frio do inverno… e o vento o levou no gelo eterno. E foi tão veloz como uma estrela cadente. Que de ti apenas me ficou a voz.

 E mentirei sempre que a ti chegar. Nem toda a verdade fará diferença por entre a mentira compadecida. Resta a viagem da minha mão na tua mão esquecida.

Agora, nem todas as estrelas bastarão para a contagem do caminho. Mas sei que voltarei ao teu sorriso. Definitivamente. Sem mais vez.

 

 

publicado por Bernardete Costa às 19:17

link do post | comentar | favorito
 O que é? |  O que é?
Terça-feira, 19 de Julho de 2016

DESABAFOS INDIGESTOS

 

A tarde vai longa. Hoje mais longa do que outras, sei lá a razão… Ou até sei. Estou aborrecida, com certeza, nada de mais depois de ver as notícias na TV.

Trump, um doido, é uma ameaça mundial, quanto a mim, aposta na corrida até à Casa Branca com o beneplácito de muitos idiotas americanos – eu sei que “disto” há em todo o lado… - que lhe vão oferecer de bandeja a morada na dita maison!; mais a senhora Trump, que nada deve em fealdade ao marido, mas é loira desse loiro burro, que copia o discurso da ainda primeira dama dos states, Michele Obama.

Há dias em Nice mais um doido, em princípio ligado ao DAESH,  ainda a investigação não é conclusiva, assassina cerca de oito dezenas de pessoas, crianças, mulheres…

Hoje na Alemanha um outro doido esfaqueia pessoas num comboio gritando ao seu Alá! De imediato, ainda que seja um ato isolado, o estado islâmico chama a si a responsabilidade, quantos mais horrores somar ao seu historial de carnificina, mais o céu lhes garante…, nem digo o quê, que me arranho toda por dentro.

Todos os dias, o continente africano assiste dolorosamente a atentados que destroem, matam, reduzem a ruínas cidades inteiras. E África esvazia-se de povo, naturalmente a procurar lugar onde a paz ainda tenha um lugarzinho cativo.

 

Na Turquia pede-se, e ao que parece é um caso arrumado, a “pena de morte”, Depois dum suposto golpe de estado falhado, que levou à prisão milhares de funcionários públicos, militares, polícias…Ou seja, quem por palavras, atos e omissões alguma vez esteve do lado contrário do senhor mandante na Turquia, está feito ao bife! Depois, ouço dum lado e do outro e todos são inocentes como anjos. Uns são democratas e defendem a democracia preparando-se para o fuzilamento de milhares de pessoas; outros assumem como orquestrador do golpe um tal muçulmano, o  imã Fehtullah Gulen, comprometido com radicalismos islamitas. Desculpem mas ouso o dito comum: venha o diabo e escolha.

Mas ainda me falta a mortandade perpetrada contra policiais, não esquecer que estes estiveram na origem destas vinganças, pois que o são, a meu ver, no país da Liberdade e da Democracia. Curiosamente, no país, pelo menos em alguns estados assim acontece, onde ainda se recorre à pena de morte como pena capital – tenham agora coragem de dar lições de moral à Turquia!.

Falta muita coisa, pois falta. O mundo é enorme ainda que o não pareça. Mormente quanto a mortandades, atrocidades, violações e mais…muito mais.

E calo-me que a má disposição é indigesta.

Bernardete Costa

 

publicado por Bernardete Costa às 21:59

link do post | comentar | favorito
 O que é? |  O que é?
Segunda-feira, 11 de Julho de 2016

A MAGIA DUMA BORBOLETA

 

19368332_bVFTB.jpeg

Não sou crente.  Ponto final. Não rezei, não fiz qualquer promessa. A única viável seria aproveitar boleia do meu sobrinho Ricardo Moreira e passar em Fátima, ainda que de longe…

Agora que há coisas inexplicáveis, há. Num mesmo dia mostrámos ao mundo que somos vitoriosos: arrecadámos medalhas de ouro, de prata, de bronze…, sagrámo-nos campeões no europeu 2016. Coincidências, é a minha convicção.

Ainda assim, aquela borboleta, há quem lhe chame traça, tudo tranquilo, que pousou no nariz pingão do nosso menino d,oiro (dou a mão à palmatória, meninos d’oiro é o que há mais neste pequenino país), levou consigo as lágrimas dum povo irmanado pelo mesmo desígnio, a Bandeira Nacional, o nome de Portugal; levou também consigo a incomum energia dum povo que segredou a Ronaldo: levanta-te, faz o que deves fazer, apoia os teus companheiros, faz das tuas lágrimas o riso dum país quase a desfalecer de orgulho.

Depois o treinador da seleção, Fernando Santos, evidenciou uma postura invulgar, condoída mesmo, quando, junto a si, o jovem jogador sofredor gesticulava, orientava, gritava aos companheiros. Apenas um pequeno gesto como quem diz, acalma-te, e treinador e jogador prosseguiam junto ao relvado a gesticular, a gritar, a orientar. Poder-se-ia duvidar quem seria o treinador da equipa rubra. Mas este homem, Fernando Santos, que durante todo o campeonato aguentou firme as bojardas duma comunicação social grosseira, soube, na sua humildade flagrante, aceitar as “pretensões” dum jogador que sofria por si, pelos companheiros, por um país inteiro.

Ainda vou escrever uma história para mais tarde os nossos jovens vindouros reconhecerem a magia dum borboleta que levou à vitória uma equipa de futebol a quem extirparam o capitão, o Melhor Jogador do Mundo, um jovem a quem nada falta, inclusive tolerância;  o ganhador de tudo o que há para ganhar no que ao futebol diz respeito – peço desculpa se peco por zelo patriótico e se não sou totalmente correta.  

Uma história com final feliz, até porque, que eu saiba, nenhum português se pegou à batatada com um francês, nenhum português tentou torcer o pescoço ao grande prevaricador que levou à maca Ronaldo. Nenhum português denegriu as cores da sua bandeira, o nome do enorme Portugal que hoje todos sentimos inchar-nos o peito.

VIVA PORTUGAL!

 

 

 

 

publicado por Bernardete Costa às 19:36

link do post | comentar | favorito
 O que é? |  O que é?
Terça-feira, 5 de Julho de 2016

A NATUREZA ZANGOU-SE COM A MINHA PRAIA

 

 

Esta foi uma tarde, uma bela tarde de campo, jardim, praia…

Na memória, nesta tarde, tantas outras tardes a subirem devagarinho pelas escadinhas das emoções, a sugarem-me da alma extensões de areia doirada, imensidões por onde caminhava à descoberta das rochas pejadas de mexilhões, a panela a fumegar, aromáticos, com uma manta de cebola bem picada, umas gotas de limão, umas folhas de salsa ou de coentros; uma praia onde os búzios me traziam o eco do mar quando arrumados nas prateleiras da casa, ouve o mar, ouve o mar, convencia as incrédulas crianças; uma praia onde os beijinhos me sorriam num convite para encher o saco e também levar, tantos beijinhos, para ti, beijinhos diminutos e belos, beijinhos que te dou, repenicados beijos no rosto doce da infância.

Depois o mar. A água revolta, a bandeira amarela, vermelha, verde… Que gelo! Os ossos a gemerem no gélido oceano, mas a água a seduzir, primeiro eu, depois tu, todos num turbilhão, salpicos a arrepiar os mais hesitantes, não, não, ui, que gelo,  e logo o mergulho atrás de mergulho, o corpo a adaptar-se e todos a procurar aquecimento nas braçadas que venciam as ondas, à descoberta de outros longes… E o apito zangado do nadador salvador! E os risos, as gargalhadas no retorno. As toalhas onde nos deitávamos a procurar o calor do sol que lá em cima refulgia e dizia, é verão, toma-me! E as pulgas gordas e brancas, tantas, chape, chape, ui…, ui…

Hoje foi dia de praia. Não a reencontrei como a deixara nesse tempo de adolescência. Não há mexilhões, nem beijinhos, nem gordas pulgas, nem o gelo da água derrete com as braçadas que mais não dou. Nem os amigos e as crianças  voltaram desse tempo distante, um atrás do outro, todos num turbilhão, salpicos a arrepiar os mais hesitantes… Nem me seduz mais o longe.

O lugar é o mesmo. Mas a natureza zangou-se com a minha praia.

 

P1060708.JPG

 

publicado por Bernardete Costa às 18:50

link do post | comentar | favorito
 O que é? |  O que é?
Domingo, 3 de Julho de 2016

DEIXO-ME IR PELA MÚSICA

 

publicado por Bernardete Costa às 19:31

link do post | comentar | favorito
 O que é? |  O que é?
Quarta-feira, 29 de Junho de 2016

SEQUÊNCIA DE RETRATO A ÓLEO DE BERNARDETE COSTA PELO PINTOR FERNANDO ROSÁRIO

Apresento, desta vez, a sequência do retrato a óleo que fiz da professora Bernardete Costa num registo fílmico. Possam assim os meus amigos ter uma noção de todo o seu percurso de execução. Não pretendo elevar este meu trabalho a um pedestal mais elevado do que os meus anteriores retratos. No entanto, foi sem dúvida muito especial para mim ter saltado a barreira do formalismo pausado para uma postura simples e espontânea da retratada num ambiente natural, rio, campo..., tentando evidenciar desta forma a escrita poética de Bernardete Costa que se alimenta com amor da natureza envolvente e não só. Paras todos aqueles que estão sempre atentos à publicação dos meus variados trabalhos pictóricos, aqui deixo este vídeo, agradecendo desde já a atenção dispensada.

Pintor Fernando Rosário

publicado por Bernardete Costa às 20:01

link do post | comentar | favorito
 O que é? |  O que é?
Quarta-feira, 22 de Junho de 2016

Ribeirão, vencedor das marchas antoninas de Vila Nova de Famalicão

 

ribeirao.jpg

Santo António já se acabou... Isto para dizer PARABÉNS a RIBEIRÃO, VILA NOVA DE FAMALICÃO,  que ganhou as marchas populares nesta minha terra de adopção.

Eu lá estive como elemento do júri, sob uma chuvinha que, de quando em vez,  o S. Pedro, ciumento, por certo, nos enviou. Mas como bom santo lá desistiu de nos arrefecer os ânimos, permitindo que o desfile se desenrolasse em todo o seu esplendor. Foi um prazer reviver lembranças de outras antoninas, assim como aplaudir todos os participantes neste evento.

PARABÉNS à Câmara Municipal e aos seus diligentes funcionários, assim como a todos os famalicenses, que tudo fazem para manter bem vivas as já seculares tradições destas marchas antoninas.

Até qualquer dia, numa rua bordada de cameleiras, numa pastelaria a desafiar gulodices..

publicado por Bernardete Costa às 08:45

link do post | comentar | favorito
 O que é? |  O que é?
Terça-feira, 14 de Junho de 2016

Brincares de uma Sereia no país das Maravilhas, por MARGARIDA SANTOS

Brincares de uma Sereia no país das Maravilhas

Venho de experiências ricas e diversificadas nesta área, dum tempo em que nas minhas aulas os alunos liam histórias na disciplina de Português e as ilustravam em Desenho e Educação Visual. Dum tempo em que se valorizava nas aulas a Arte e a Literatura desde a infância e a juventude. Os autores que seleccionávamos defendiam que um texto escrito para crianças que não seja lido com prazer por adultos não é um bom texto, esse era um dos critérios das nossas escolhas. Trabalhávamos Ilse Losa, Maria Alberta Menéres, Luísa Dacosta, Sophia de Mello Breymer Anderson, José Jorge Letria, António Torrado, Alice Vieira, etc...Através de leituras e ilustrações fazíamos com que, exactamente como acontece em Alice no país das maravilhas, as crianças e os adolescentes vogassem entre o real e o surreal, o normal e o fantástico, a fábula e a sátira, o sonho e a realidade. Através desse cruzamento de palavras e de imagens tanto crianças como adultos recriávamos um imaginário fabricado pelas nossas mentes famintas de ilusão.

Muitos dos livros lidos às netas em pequeninas, estão hoje na estante do quarto delas, histórias escritas numa linguagem que é corpo do sonho, da fantasia, do fantástico, com temáticas diferentes, contendo um manancial de personagens e de situações focadas no mundo real e ou da imaginação, com o que espero ter contribuído para a sua formação. Exactamente o que pretendem autores como Bernardete Costa.

 

De Alice no País das Maravilhas podemos partir para os contos desta autora. Poderia pegar noutro, porém optei pelo Canto doce da Sereia já que, há alguns ingredientes aplicados na Alice e na Sereia (chamo-lhes assim para facilitar o que quero dizer) que são recorrentes na literatura infantil.

Vejamos, enquanto Alice na realidade estava a ouvir contar uma história ...quando de repente tudo acontece...,(aqui é usada uma expressão que serve para introduzir a passagem para o onírico), n' O Canto Doce da Sereia quando na realidade dormia no barco de repente Luís acordou com um cântico doce de mulher...Pensando sonhar, arregalou os olhos negros como carvões e esfregou-os.

A palavra REPENTE é também usada por Bernardete Costa .

Outra expressão, desta feita a frase utilizada por Ali-Bábá nas Mil e uma noites é usada por ela, abre-te Sésamo, as palavras usadas para abrir a porta que irá salvar a Sereia amada de Luís, pois logo a porta se destranca e desliza com vagar. Em Alice a ordem dada à chave dourada para abrir a pequena porta por onde a menina não cabe é dada pela chávena: bebe-me sendo essa a poção mágica que a faz diminuir o seu tamanho  e por aí fora se sucedem os truques... come-me é depois a bolacha que come a fazê-la crescer demasiado para chegar à chave até que...calçou a luva que estava no chão, para ficar no tamanho certo.

Há sempre, como se constacta, uma SENHA MÁGICA que os autores manipulam com maestria para fazerem com que o sonho deslize por mundos inimagináveis e a narrativa aconteça.

Estas são histórias cheias de um surrealismo onírico concreto. Na Alice o gato Cheshire deu todas as informações para a menina entrar na floresta, na Sereia a senhora Maria lavadeira do rio conta a Luís a história de um feiticeiro que tem prisioneira uma bela sereia...O mesmo Alice demonstra, quando se verifica a mistura da realidade com a fantasia, em os tacos eram flamingos cor de rosa, sempre a voar e as bolas do jogo eram ouriços cacheiros e na Sereia verifica-se que, chegando ela à superfície das águas se transforma numa bela rapariga.

De mitos, segredos, ideias brilhantes, magias e encantamentos singulares se alimentam os contadores de histórias como as que cito. Podemos baralhar personagens e situações brincando a um faz de conta que nos fascina e devolve à felicidade da infância.

 

Sabem? Eu bem poderia ser Alice e o meu país bem podia ser o país das maravilhas, mas esse só existe dentro de cada um de nós. Todos somos Alice ou a Alice somos todos nós e os que estão ao nosso lado nesta muito humana noite em que nos encontramos fabulando sobre mitos, fadas, lendas, pessoas reais criativas e transformadoras.

«Se Alice não se chamasse Alice» questionas tu, Bernardete, mas eu, pessoa real brincando a Sereia mitológica, continuarei a sussurrar o teu nome... Ber nar de te...

De volta à realidade, será a minha voz que aqui ouviram a falar... ou terá sido tudo isto um sonho?

 

 

Margarida Santos,

Lamego

Intervenção em 11.06.2016 na Tertúlia Literária «Alice no país das Maravilhas», coordenada por Aurora Simões de Matos

13428035_644425219043908_2663799725491662267_n.jpg

 

publicado por Bernardete Costa às 19:51

link do post | comentar | favorito
 O que é? |  O que é?
Segunda-feira, 13 de Junho de 2016

SEM OPORTUNIDADE DE VOAR

Sem oportunidade de voar

Rouco é o mar no seu altar de água
e mesmo assim
as gaivotas adejam na neblina
na saudade antecipada
da respiração das ondas.

Vê agora que para lá da janela
há uma árvore uma flor e um pássaro
que sacudidos pelo vento
não receiam a invernia permanecendo
para além dela.

Pensarás talvez que no resguardo da casa
estarás em segurança mas
ficarás retido numa outra intempérie
sem oportunidade de voar.

Bernardete Costa

mar.jpg

 

publicado por Bernardete Costa às 19:38

link do post | comentar | favorito
 O que é? |  O que é?

RETRATO A ÓLEO DE BERNARDETE COSTA Professora e Escritora

retrato definitivo.JPG

RETRATO A ÓLEO DE BERNARDETE COSTA Professora e Escritora

Eis que vos apresento o meu último trabalho. O retrato encomenda duma amiga e conterrânea. Retrato este que me deu muito prazer em executar, uma vez que, e a pedido da retratada, esta obra teria de ser marcada por alguma diferença em relação a toda a minha anterior obra retratista.
Desta forma, e respeitando a posição informal da figura, exigência da retratada, tentei enquadrá-la numa perspetiva de infinito paisagístico, onde manchas pictóricas desfilam num qualquer horizonte.

Assim o olhar desliza atravessando rios, montes e vales desfalecendo por detrás do sol. Não se ouvem os rouxinóis, nem as cotovias, nem o estremecer das águas dos charcos, nem as rãs que em seu coaxar louvam o Criador. Todavia, ouso afirmar, nesta tela perdura o silêncio duma natureza viva e vibrante em que a cor e a forma apelam aos sentimentos do olhar mais sensível.

Diria até que o silêncio é evidente no sol ausente mas omnipresente, no céu desfalecido por entre os farrapos das nuvens, no cheiro que salta de minúsculas flores, e atente-se na fragrância exuberante das mimosas que brilham na altura como pequeninos sóis.

Inegavelmente, o modelo recusa o formalismo de pausa e refugia-se nos braços da natureza - a natureza presente em alguma da sua escrita poética com forte pendor telúrico. Digamos que a natureza realça o modelo com um suave gesto de carícia, que é enfatizado pela flor miosótis que cresce e floresce nos seus dedos.
E o modelo vive e mexe oferecendo com um sorriso maroto um delicado miosótis azul.

 

Ferrnando Rosário

 
 
publicado por Bernardete Costa às 19:33

link do post | comentar | favorito
 O que é? |  O que é?